Minha vida, metade sonho, metade escombros,
entre feliz e zombeteira,
de alegrias desenfreadas e agonias enterradas,
chega a seu termo
fiel a sua tortuosa jornada.
Inútil como um livro não lido.
cansei
Cansei do amor.
E pelo visto, a recíproca é verdadeira.
Não tenho mais os requisitos.
Sequer vontade.
Já foi o tempo.
Via de regra, o amor se extingue amalgamado
a ilusões e pendengas que pairam como um desastre anunciado.
De tanto ser incensado e idealizado como sendo melhor do que é, os maiores erros e desvarios enseja.
Porque amar implica em contendas, cobranças,
e mil e outras responsabilidades.
Algo impraticável para um sentir que não respeita protocolos,
desafia a razão,
chega sem cerimônia, abusado, intempestivo,
prometendo mundos e fundos,
não obstante ser "mandante de todos os crimes,
assassino de todas as graças". (Moreno Pessoa)
Pois cansei.
Cansei de passar da euforia à depressão
a qualquer momento.
De viver entre o prazer e dor, nas mesmas mãos.
meu canto
Meu canto é meu refúgio.
Apascenta o coração solitário.
Perscruta a débil vontade.
Meu canto é meu brado inútil.
Povoa meu imaginário inconsútil.
Em que me refaço
recriando o sol de cada dia.
Meu canto é meu oásis inventado.
Espaço despovoado de planos.
Onde novos enganos tecem ternuras
banhadas de luto inocente.
caminhos sem volta
Porque o que aconteceu jamais poderá ser mudado.
Mas pode acontecer de novo.
De novo.
De novo.
Às vezes das cinzas, a via cega se repete e se agrava,
sangra e se eleva,
esbate-se incitando raízes e frutos umbrosos.
E uma vez percorrido o caminho sem volta,
implode-se, indecifrável,
em cada coisa que não é.
anjos caídos
Onde me encontro, tudo reflui.
Neste lugar em que tudo é carência, nada me falta.
Nada que eu não seja merecedor.
O que tive a terra comeu.
Nem raízes ficaram.
A existência cega silencia todos os passos.
A memória lentamente se apaga.
As coisas perdidas já não doem.
Meus desejos são os mesmos dos anjos caídos.
da calmaria ao tormento Mais cedo ou mais tarde, os dias de tormento chegam. E não há nada que s...