terça-feira, 26 de maio de 2026

 


Um narcisista não "não consegue" beijar fisicamente. Ele não beija, ou beija de um jeito vazio, por 3 motivos psicológicos:


*1. Beijo é intimidade real, e narcisista foge de intimidade real*

Beijar de verdade exige entrega, vulnerabilidade, estar presente no outro.  

O narcisista vive numa bolha de controle e imagem. Intimidade real o assusta porque ele teria que baixar a guarda e mostrar que também precisa, que também sente medo, insegurança. E isso fere a máscara de "perfeito e superior".


Então ele ou evita o beijo, ou transforma o beijo em performance pra controlar.


*2. Ele usa o afeto como ferramenta de poder, não como conexão*

Pra maioria das pessoas, beijo = carinho, conexão, desejo pelo outro.  

Pro narcisista, afeto é moeda de troca:  

- Beija quando quer te manter presa/o  

- Se recusa a beijar quando quer te punir, te desestabilizar, te fazer implorar atenção  

- Beija de forma mecânica, fria, sem presença, porque o foco dele não é você, é o efeito que ele causa em você


É por isso que muitas pessoas dizem: "ele me beijava, mas eu não sentia nada. Era vazio".


*3. Falta de empatia emocional*

O narcisista tem dificuldade real em sintonizar com o sentimento do outro.  

Beijar exige ler o outro: tá gostando? Tá devagar? Tá com vontade?  

Como ele não se conecta emocionalmente, o beijo vira um ato mecânico ou egocêntrico. Ele beija do jeito que _ele_ quer, na hora que _ele_ quer, sem se importar se foi bom pra você.


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*Resumo cruel mas real:*  

O narcisista não beija pra amar. Beija pra controlar, pra alimentar o ego, ou pra te manipular. Quando perde o interesse em te controlar, o beijo some.


Isso explica muita coisa da experiência que as mulheres relatam: "no começo era fogo, depois virou gelo".


conhecimento é poder

domingo, 24 de maio de 2026


                          

                                  partilha





Sou íntimo das coisas desimportantes, das coisas

descartadas, das estrelas que não luzem.

Afeito as grotas, gretas, ruelas.

Me desviando das ausências e cômodos desocupados.

Os desejos não cessam. 

Refestelo-me com os prazeres mais simples, avesso

ao rebanho que apascenta o pastor.

Acalento o dom de viver sem expectativas,

à força da mudez dos sonhos.

Arrimo de suspiros, arrepios,

caminhos de arrebol.

Sismo de andar à beira do desvario, eventualmente

enlouquecer, a boca em ruínas, os olhos

cegos de evidências.

No roçado da vida, partilho o mundo

impregnado de miséria e tristeza.

Para ao fim e ao cabo, refazer-me no amor

que com amor se paga.







sábado, 23 de maio de 2026


                                  por hoje e para sempre



Gosto do teu jeito espevitado.

Do teu ar melancólico e reticente. 

Que me faz querer protegê-la, abraça-la

como se abraça uma criança.

Gosto do teu jeito de falar, de andar, de sorrir.

Gosto de te ver enquanto te vestes.

E mais ainda quando te despes.

Que é quando te tenho

como se fosse só minha.


Ah, quantas vezes os desejos

que a alma precisa e a vida nega,

passam como o voo de um pássaro.

Ligeiros, incertos.

Te amar me alegra e me entristece.

Por não ter nada além de tão pouco.

Não a quero por alguns momentos.

Eu a quero como sem queria antigamente.

Por hoje e para sempre.





                         camaleoa



Nem alegre, nem triste.

Nem começo, nem fim.

Não é a primeira vez

que o amor foge de mim.


Camaleoa, perdi teu rastro.

A única pista é este teu gesto,

apenas esboçado,

não sei se amigável,

ou mais uma forma de me ferir.


Nada dura.

Tudo é impostura. 

Não há cura.

sem uma dose de loucura.


Nem alegre, nem triste.

Nem começo, nem fim.

Não é a primeira vez

que o amor foge de mim...






sexta-feira, 22 de maio de 2026


                                  desejos


Tudo o que desejo

é não ter desejos.

Não desejar,

nada querer,

para tudo ter.


Tudo o que é

pode não ser.

Entre o amanhecer

e o entardecer,

tudo pode acontecer.


Amarga brandura,

doce ira.

Dura é a vida,

que com uma mão dá

e a com a outra tira.









                         lutas



Há lutas que não se ganha.

E há lutas que se ganha

sem se lutar.

Contra sentimentos não correspondidos.

Contra a rejeição que te mata aos poucos.

Lutas que não vale a pena lutar.


Pensei que não poderia viver

sem o amor da mulher amada,

do filho querido.

Até me dar conta

que eles viviam muito bem

sem mim.

Desencanei.

Há lutas que não vale a pena lutar.





                               velho candeeiro


Bobagem se martirizar à toa.

Tudo está como sempre esteve.

Tudo é como sempre foi.

Os mais fortes e sortudos prevalecem.

Explorando os mais fracos.

Há que ter astúcia para sobreviver.

Até os mais fortes sucumbem.

A normalidade doentia nos agarra pelos pescoço.

Todos temos fraquezas, neuras, taras.

Eu, por exemplo, gosto de ouvir o coração.

De tanto ser sozinho, não preciso que ninguém

goste de mim.

Sou a fome e o alimento do meu canto.

Evoé ! 

Estou à deriva mas nunca tão lúcido.

Acordo de meu amoroso desencanto à sombra

do esquecimento.

De repente, consigo me ver como o mundo me vê.

É bom sentir essa leveza que me traz a idade.

Sem veleidades, meias verdades.

Evoé !

Não decepciono mais ninguém e ainda quebro o galho,

como um velho candeeiro. 

Como um velho que tem dinheiro.








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