quinhão de incoerências
Não me peçam para ser coerente,
muito menos racional.
De tanto maltratar a consciência, parto
do princípio de que faço jus
a meu quinhão de incoerências.
Minhas mãos, calejadas de rudes conquistas,
semeia ventos para colher tempestades.
Consolando o coração partido que regressa
à noite, como um animal ferido.
Estou só como o túmulo de um morto, porém,
mais vivo do que nunca.
Livre dos conflitos e joguinhos doentios impostos
pelo jugo consentido do amor.
Você sabe,
não há encanto que não acabe.
Não há relação que não se desgaste.
Não há vontade que não esmoreça.
Não há beleza que perdure.
O amor não é fiador de nada, porque logo acaba,
exigindo esforços sobre-humanos para manter
as aparências.
A gente faz de tudo para dar certo,
se sacrifica, representa, mente, mas quando
a insatisfação se instala, a separação
é só uma questão de tempo.
Culpa de quem, é o que menos importa.
Provavelmente, dos dois.
Pelos motivos de sempre.
Juntar os cacos, lamber as feridas, e seguir
em frente,
é só que resta fazer.
