meu rascunho
Estou vazio por dentro.
Sensação estranha para quem viveu sempre
tão intensamente.
Onde foi parar aquela urgência ?
Quem apagou o fogo do meu incêndio ?
Virei rascunho da minha própria biografia.
Colecionando restos do que já não sinto.
Tateio o meu nada no mundo que hoje me ignora.
Meus passos já não deixam marcas.
A vida passa em câmera lenta, enquanto tento explicar
para minha mente, que, quem eu fui,
já não volta mais.
Eu, que era fogo, virei fumaça.
Eu, que era protagonista, virei coadjuvante.
Tudo se resume agora a encontrar forças
para seguir adiante.
Estou vazio por dentro, e pela primeira vez,
não sinto pressa de me encontrar.
Apenas sou o que sobrou.
Convivendo com a dor de não ter
o que curar.
