nenhum de nós
Acordo.
Eu e você.
E nenhum de nós sabe por quê.
Existimos, e só.
Sem respostas, sem convicção.
É tudo suposição.
Os dias se parecem.
Nasci sem pedir, e vou morrer
do mesmo jeito.
Carrego num nome que não escolhi.
Num corpo que envelhece sem parar.
Cada escolha que faço,
fecha mil portas que nunca vou abrir.
E ainda assim sigo.
Não porque quero, mas porque sou obrigado.
Toda manhã é um recomeço que eu
não pedi para ter.
Lembro dos que já se foram e penso :
é isso que sobra, de tanto querer sem alguém.
Um nome numa lápide.
Ou nem isso.
Esse é o peso de ser.
Viver sem saber por quê.
Falamos de Deus quanto temos medo.
Esquecemos dele quando está tudo bem.
Cair, levantar, recomeçar : e se no fim
não houver nada,
que valha a pena ter sido ?
Acordo.
Eu e você.
E nenhum de nós sabe por quê...
