partilha
Sou íntimo das coisas desimportantes, das coisas
descartadas, das estrelas que não luzem.
Afeito as grotas, gretas, ruelas,
caminho entre ausências e cômodos desocupados.
Mas os desejos não cessam.
Refestelo-me com os prazeres mais simples, em meio
ao rebanho que apascenta o pastor.
Acalento o dom de viver sem expectativas,
à força da mudez dos sonhos.
Arrimo de suspiros, arrepios,
caminhos de arrebol.
Sismo de andar à beira do desvario, eventualmente
enlouquecer, a boca em ruínas, os olhos
cegos de evidências.
No roçado da vida, partilho o mundo
impregnado de miséria e tristeza.
Para ao fim e ao cabo, refazer-me no amor
que com amor se paga.
A
