quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

 


         NÃO CELEBRO O ANO. CELEBRO A VIDA.



Não dou importância nenhuma à passagem de um ano para o outro, não porque desvalorize o tempo, mas porque o respeito demasiado para o reduzir a um ritual arbitrário, decidido por convenção, iluminado por fogo-de-artifício e anestesiado por promessas que raramente sobrevivem ao inverno. A vida não muda porque um número muda; muda porque um dia acordámos cansados de fingir, porque o corpo disse “basta”, porque uma perda nos atravessou, porque uma verdade deixou de aceitar mais adiamentos. Eu não celebro datas, mas a presença. Celebro os dias em que acordo inteiro, os dias em que não traio o que sinto, os dias em que não preciso de provar nada a ninguém, nem a mim. A vida acontece todos os dias ou não acontece nunca. Não espera pela meia-noite. Não pede contagem decrescente. Não respeita brindes nem resoluções. Há dias em que sobrevivo. Há dias em que respiro fundo. Há dias em que amo o silêncio. Há dias em que a dor passa por mim sem se instalar. E isso, para mim, já é celebração suficiente. Comemorar a vida uma vez por ano parece-me pouco. Prefiro honrá-la nos gestos pequenos, nos limites que mantenho, nas escolhas que não faço, na coragem de não repetir histórias que já não me pertencem. Não faço votos para o ano novo. Faço compromissos diários comigo. E isso é muito mais exigente. Se há algo que celebro, é estar vivo agora, sem precisar que o calendário me autorize a sentir, a mudar, a parar ou a recomeçar. A vida não começa em janeiro. A vida começa sempre que estamos verdadeiramente aqui. E isso, eu celebro todos os dias.


José Micard Teixeira

domingo, 28 de dezembro de 2025


                         antes tarde do que nunca


Já quis tantas coisas na vida.

Hoje só quero aquilo que me traz paz.

Se tiver que ficar sozinho, eu fico.

Se tiver que morrer sozinho, tudo bem.

Chega de alimentar falsas ilusões.

Sofrer por sentimentos não correspondidos.

Não insisto mais com quem não me quer. Sequer me trata bem.

Não se pode forçar ninguém a ser o que não é.

Sentir o que não sente.

A dar o que não tem.


Não me detenho mais onde não há reciprocidade.

Não me contento mais com migalhas.

Chega de sofrência, dependência emocional.

Chega de me preocupar com quem não merece.

Meu tempo de otário acabou.

Finalmente !

Antes tarde do que nunca.







sábado, 27 de dezembro de 2025

 


     MEU CICLO COM VOCÊ TERMINOU!



Não tenho mais nada para lhe oferecer, exceto mais reclamações e reprovações, fruto da exaustão emocional em que me encontro.


Não quero continuar em um relacionamento que rouba a minha paz e me causa mais angústia do que felicidade. É óbvio, a essa altura, que a ideia que alimentei sobre nossa relação que não se encaixa com a realidade. Idealizei-te, sonhei-te de um jeito que não és, simples assim.

Dei muitas chances a esta relação porque me agarrei aos bons momentos e à minha ideia de um futuro com você.


Deixo você ir e encerro esse capítulo.


Compreendo que amor não se pede e também não se deve forçar. Deixo esta relação, para me concentrar na relação mais importante do mundo. O relacionamento comigo mesmo. 





sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

                            

                        escravoceta


Você faz de tudo

Não mede esforços 

Atura até desaforo

Mas não adianta

Ela não te descarta

mas também não te assume

Ao contrário, deixa claro que não

quer compromisso

Não esconde que faz tudo por um dinheirinho

Se irrita quando você cobra, toca no assunto

E quanto mais você se rebaixa, mais ela

te destrata

Se manca, rapaz, deixa de ser escravoceta 

Mulher não ama quem não respeita.  





quinta-feira, 25 de dezembro de 2025


                           cura sem remédio


Tantas coisas deixam de ser, sem nunca terem sido.

De tudo e por tudo, o esquecimento é uma benção.

Por melhor que tenha sido o passado, o presente

é o que há.

O sol sempre brilhará para quem tiver olhos para ver.

Se tudo é vulgar e enfadonho,  a quem culpar ?

Para quem esqueceu de esquecer, o sentimento do provisório

fustiga e atormenta.

Ter um motivo nobre para viver é um luxo para poucos.

A maioria de nós apenas vegeta.

A cura sem remédio inverte o sentido das mentiras.

Embora cego, o que não falta ao amor é olfato e tato.

A tudo que passou, entregamos um pouco de nós.

Mas sem acabar, nada recomeça.

O tempo de apaziguar o coração é sempre.








                       sem conserto



Por favor, não tente me consertar.

É tarde para isso.

E eu nunca fui muito de ouvir conselhos.

Tampouco preciso que entenda minha natureza sombria.

Aprendi a lidar com meus demônios sozinho.

Não preciso que ninguém me salve.

Um apoio silencioso é tudo o que preciso.

Um amor que me faça lembrar que não estou sozinho,

nesse mundo injusto e assustador.

Um amor que me ajude a lembrar quem sou,

mesmo quando esqueço.

Desiludido, ainda me iludo

com a ingênua crença no amor.







 

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025



                      coração


Que culpa eu tenho

se o meu coração é maroto.

Sente e age como um garoto.

Não se cansa de quebrar a cara.

Sempre disposto a pagar o preço

pelas coisas que tem preço

mas não tem valor.


Ah, coração matreiro,

sempre querendo o que não pode ter.

Comprar o que tem preço

mas não tem valor.

O amor incondicional.

O amor verdadeiro.

Amor que já teve um dia

e não soube dar valor.




  

terça-feira, 16 de dezembro de 2025





Uma mulher pode se deitar com um homem no dia em que o conhece.

Ela já fez isso antes , só não com você.


Ela pode fazer coisas absurdas com um homem por pura emoção, sem hesitação.

Ela também fez isso, só não com você.


Tudo o que ela te recusa... Ela uma vez deu livremente a um homem que mal levantou um dedo para ajudá-la.


Quando ela realmente quer um homem, as regras dela se  derretem.


Quando ela não o faz,

seus padrões sobem.


As mulheres não mudam pelo homem certo.

Elas mudam pelo homem que querem.


E você aí, se esforçando por uma mulher que já foi rejeitada por homens bem menores que você.


(Do blog O último dos Honrados)

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025



 Sepultar alguém vivo em nós não é fácil, mas é necessário. Não se trata de desejar o mal a quem foi importante, nem fingir que nunca existiu. É um ato silencioso de amor próprio, quando a alma entende que continuar dando o lugar de protagonista a quem já escolheu ir embora é uma forma lenta de morrer por dentro. Em algum momento, para seguir vivendo, é preciso aceitar que certas presenças permanecem apenas como história, e não mais como futuro.


Há relações que não acabam no adeus, acabam na insistência de um só lado. Você segue tentando, justificando, compreendendo, enquanto o outro já está em outra paisagem. E o coração, teimoso, insiste em manter um altar aceso para alguém que não aparece mais. É aí que nasce a necessidade de sepultar por dentro. Não é fechar o coração, é recolher as flores que você oferecia a quem não vinha e plantá-las no jardim da própria alma, onde finalmente serão bem cuidadas.


Espiritualmente, esse sepultamento é libertação. Quando você decide encerrar esse vínculo interno, corta fios energéticos que drenavam sua força, sua fé e sua capacidade de receber o novo. Você devolve ao outro o direito de seguir o próprio caminho, e devolve a si o direito de recomeçar. O luto é real, dói, dá vontade de voltar atrás, mas é nesse ato de coragem que a vida entende que você está pronto para relações mais verdadeiras.


Sepultar alguém vivo em você é uma espécie de renascimento. É dizer em silêncio: eu agradeço o que foi, aceito o que não é mais e abro espaço para o que ainda pode ser. Depois desse gesto, a alma para de mendigar migalhas emocionais e volta a se lembrar do próprio valor. Então, pouco a pouco, a paz entra, a dor se reorganiza em aprendizado e o coração descobre que nunca esteve sozinho, apenas precisava escolher, de uma vez por todas, estar ao lado de si mesmo.




quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

 



A gente tem um vício estranho em transformar sofrimento em mérito. Acreditamos que o amor verdadeiro precisa ser uma batalha épica, uma conquista diária suada, um quebra-cabeça faltando peças. Se é fácil, a gente desconfia. Se é tranquilo, achamos monótono. E, nessa busca doentia por adrenalina, nos tornamos reféns de gente complicada.


Gente que não sabe o que quer, que some, que te deixa pisando em ovos, que muda de humor como quem troca de roupa. Você deixa de ser parceiro para virar terapeuta, um decifrador de códigos, tentando encontrar afeto nas migalhas de um silêncio cruel e calculado.


Você gasta sua melhor energia tentando “consertar” o outro, como se o seu amor fosse uma ferramenta mágica capaz de desentortar caráter. Mas a verdade brutal, que a gente evita encarar, é que você está tentando recitar poesia para quem não sabe nem o alfabeto. Não é mistério, é analfabetismo emocional.


Essas pessoas são incapazes de decifrar a sua alma não porque você é complexo demais, mas porque elas são limitadas demais. Elas não têm as ferramentas básicas para lidar com a profundidade e a lealdade que você coloca na mesa. A complexidade delas não é charme, é confusão. E você fica aí, se esgotando, tentando ensinar uma língua estrangeira para quem não tem o menor interesse em ser fluente em você.


Chega uma hora que a exaustão precisa vencer a teimosia. É urgente limpar a visão e aceitar o óbvio. Pare de romantizar pessoas difíceis. Amor bom é leve, presente e recíproco. O amor real não te deixa com gastrite nervosa esperando uma mensagem que nunca chega. Ele não te faz duvidar da sua sanidade. Ele é a calmaria no fim do dia, não a tempestade que destelha a sua casa.


É ter alguém que facilita, que soma, que está ali por inteiro sem que você precise implorar ou desenhar. Não confunda frieza com mistério, nem instabilidade com intensidade. Pare de tentar ser a exceção na vida de quem faz da regra o descaso. Sua alma merece descansar em alguém que entenda, sem legendas, a sorte imensa que é ter você por perto.

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De um coração intenso para corações intensos.


Marcos Adriano (Facebook)




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