sábado, 25 de abril de 2026

 

           "O amor, entre duas pessoas inteligentes,                     não dá certo"



A frase atribuída a Fyodor Dostoevsky é provocativa — mas não deve ser lida ao pé da letra. Ele não está dizendo que o amor verdadeiro exige alguém “burro”, e sim questionando o excesso de racionalidade nas relações.


Para Fyodor Dostoevsky, o amor envolve entrega, vulnerabilidade e até uma certa perda de controle. Duas pessoas “inteligentes” no sentido frio — calculistas, orgulhosas, sempre protegendo o próprio ego — podem ter dificuldade de amar porque estão sempre analisando, desconfiando, medindo riscos. O “idiota”, aqui, é aquele que ousa sentir sem garantias, que se permite amar mesmo correndo o risco de sofrer.


Isso aparece muito nos personagens dele, como em O Idiota, onde o protagonista, o príncipe Míchkin, é visto como “idiota” justamente por sua pureza, empatia e capacidade de amar sem malícia — algo raro em um mundo cínico.


No fundo, a frase critica a ideia de que podemos controlar tudo, inclusive o amor. Amar exige um tipo de “loucura consciente”: abrir mão da segurança absoluta para viver algo real.


Então talvez a pergunta não seja se é preciso ser “idiota” para amar, mas: até que ponto a inteligência — quando vira defesa — impede alguém de se entregar de verdade? 


#Filosofia #Dostoiévski #Amor #Reflexão

sexta-feira, 24 de abril de 2026

                             

                          apoteoses de ilusões


             

Eu sempre soube que você não é confiável.

Abandonei a razão para viver

a mais precária mentira.

Profundo e imundo, meu coração

acostumou-se a ódios e insultos.


Somos opostos que sarabandam apoteoses

de ilusões.

Tudo entre nós remonta a alucinações

cruciantes.

Minhas culpas e teus desatinos se entretecem 

em desentendimentos crônicos.

Findo o encanto, o que sobra são os defeitos.

Quando se ama, dorme-se como um rei,

e acorda-se como mendigo.





                    o fim do amor


O fim do amor é sempre triste.

Mas também pode ser uma libertação.

Quando o coração já não aguenta

tanto desgosto e provação.


Te amei loucamente, mas você nunca

retribuiu.

Mesmo assim, me sujeitei a tuas regras.

Aceitei o inaceitável.

Me sentindo culpado por sentir em excesso.

Como se o afeto precisasse ser dosado.

Mas como tudo que não dura é farsa,

o que ficou para trás finalmente

encontrou seu lugar.

Quando percebi que não valia a pena

tanto esforço para caber no teu mundinho.

Quase me desculpando por te amar.

Estou indo. 

Reconciliado comigo mesmo.

Precisei te perder para me encontrar.























                            passado sem futuro



Entre muros e memórias

edifico minha história.

Sem pompa nem glória.

Venturosa e atribulada trajetória.

Que se desfaz no limbo 

das paixões merencórias.


De há muito esqueci-me de quem sou.

A despeito de o coração pulsar pelo afeto

que não dura.

Presciente, como um passado sem futuro.

Meu avesso desce das estrelas, lúcido e frio.

Para que ninguém chore por mim

quando eu partir.



 

 







segunda-feira, 20 de abril de 2026



                        não quero mais amar


Não quero mais amar

Mas posso muito bem fingir 

De repente, pode ser até melhor

Sem cobranças, ciumeiras

Essas coisas que só atrapalham.


Tudo o que é demais, sobra

Ando cheios de vazios

Sinto remorso, mas faria tudo de novo

De outro jeito

Refeito, entre compensações e desenganos.


Eis meu coração

Deponho a respectiva chave

Nada mais tenho a dar

Além de uma esperança que já não tenho.





segunda-feira, 13 de abril de 2026


                               antagonismos



Em tempo se percebe que há tarefas

que jamais serão cumpridas. 

Que todo esforço se desfaz diante do austero

breviário de desilusões e desatinos.

Nunca se sabe o momento da mudança irreversível.

Quando o amor não mais compartilhado

se avilta

de tal forma

que nem o perdão se torna mais necessário.


O que parecia divino

dura o tempo que duram as fugazes magias.

Fazer durar em meio a tantos antagonismos

é como tatear às cegas.

Arriscando-se a tudo.

Sem certeza de nada.



quinta-feira, 9 de abril de 2026

 


                           profundo e imundo



Teus rompantes e silêncios dizem tudo

o que preciso saber.

Te entendo quando calas e te afastas.

Quando tua fúria se transforma em pedra, 

posso ver como és.

Uma parede, um muro, uma casa desabitada.


Lembrar de você me alegra e me entristece.

Na medida que não posso ter nada

além de tão pouco.

Promessas, expectativas, migalhas de afeto.

Profundo e imundo, meu coração se acostumou

a ódios e insultos.

Eu e tu.

Tu e eu.

Passamos tantas coisas juntos.

Até filho fizemos.

Me perdi em pleno gozo dos prazeres.

Quando o louco amor

virou tumor. 














                      a sentença


Desejos nunca satisfeitos fecundam o fruto 

proibido das paixões. 

Quando o ócio

O vício

O cio

Se recriam a fim de reciclar

o amor que se esfacela.


Você me tinha na palma da mão,

mas nunca deu valor.

Talvez por me achar apaixonado demais.

Confiante de que nunca te deixaria.

Mantendo em segredo tua vida dupla.

Viciada em redes sociais.

Sempre precisando ser vista e desejada.

Transferindo culpas e responsabilidades.

O teu ex era um sem futuro.

Todos te traíram.

E eu nunca estive a tua altura.

Nunca passei de um mero quebra-galho.

Ainda assim permaneci, passei pano, resignado

com as migalhas de afeto.

Até que o coração finalmente cansou.

E o fim do amor se desenhou. 

Quando a inquietação, a raiva, se transformaram 

em indiferença. 

Como uma fria e inapelável sentença.
















 

terça-feira, 7 de abril de 2026

 

                 quando a raiva desaparece


Há dias em que a raiva desaparece de repente e, em vez do fogo que me mantinha de pé, fica apenas uma tristeza funda, silenciosa, quase sem defesa. E confesso que, às vezes, isso assusta-me mais, porque a raiva ainda me dá uma espécie de estrutura. Mesmo quando me endurece, ainda me protege. Ainda me permite dizer “nunca mais”, ainda me devolve alguma força, ainda me afasta daquilo que me feriu. 

Mas quando ela some, o que fica já não tem dentes. Tem apenas peso. É então que percebo que a raiva nunca foi o fundo, mas a camada quente por cima da parte realmente ferida. O que está por baixo não é vontade de regressar, nem amor mal resolvido. É luto. É a dor de ter acreditado tanto num lugar onde eu queria poder descansar e de ter descoberto, tarde demais, que ali eu teria sempre de sobreviver em vez de viver.

E isso entristece-me até aos ossos. É por isso que existem tristezas que não gritam. Apenas se instalam. Não pedem explicação, não exigem respostas, não querem drama. Limitam-se a evidenciar, com uma clareza quase cruel, tudo aquilo que não chegou a existir como eu precisava que existisse. E nesses dias, o que me dói já não é a pessoa. É a ausência daquilo que eu quis tanto encontrar nela. A raiva afasta-me. Mas é a tristeza que me obriga, finalmente, a aceitar a perda inteira.


José Micard Teixeira 

segunda-feira, 6 de abril de 2026



                confuso querer



 
Esse confuso querer.

Ora querendo, ora não querendo.

Dúvidas consumindo a mente.

Matando um pouco mais o que a gente sente,

sempre que você mente.


Bela por fora,

podre por dentro,

não é sequer respeitável aquela a quem 

consagrei meus melhores esforços.


Ainda assim, é tão bom estar com ela,

tão glorioso fazer amor com ela,

que, naqueles momentos, diria, sublimes,

inevitável não sentir uma espécie de culpa,

diante da miséria da vida lá fora.


A vida é uma sucessão de erros.

E você é apenas mais um deles.

Estou ciente, já era para ter caído fora, 

mas a carne 

não esquece dos gozos e prazeres.









domingo, 5 de abril de 2026


                          a quem interessar possa





A quem interessar possa, estou muito bem, obrigado.

A quem se preocupa comigo, estou de boa.

A quem sente minha falta, gosta da minha companhia,

diz que me ama, estou como sempre estive.

Na minha. 

Acessível. 

Disponível.

Nem sempre calmo, tranquilo, mas finalmente

em paz comigo mesmo.


E devo isso a vocês, que tanta se preocupam,

que sentem minha falta, gostam da minha companhia.

Não faz mal que só da boca para fora.

Principalmente você, mulher amada, mais uma ex

na minha vida.

Demorei a entender e aceitar que é esse o meu papel.

O papel de prover, atender, dar conta do recado.

Lembrado enquanto tenho serventia.

Tolerado enquanto útil.


Fico feliz em vê-los bem.

Me contento em sabê-los seguros e saudáveis.

Sinal de que cumpri bem meu papel.

A quem interessar possa, estou muito bem, obrigado.

Mesmo bancando o idiota.

Mas em paz comigo mesmo.

É tudo o que importa.











 









sábado, 4 de abril de 2026


 

                       O PREÇO NO AMOR


A maioria dos homens não perde na vida por causa de inimigos.

Eles perdem por causa da mulher que se recusaram a enxergar com clareza.


O amor já enterrou mais homens do que a guerra.


Aqui estão os sinais de alerta que você ignora por sua conta e risco:


1. ELA SEMPRE SE FAZ DE VÍTIMA

Nada nunca é culpa dela.

O ex dela era tóxico.

Os amigos a traíram.

Em breve, você também será o vilão na história dela.


2. ELA NÃO TEM RESPEITO POR VOCÊ

Ela te ridiculariza em público.

Testa seus limites.

Te compara com outros homens.

Uma mulher que não te respeita hoje vai te humilhar amanhã.


3. ELA É VICIADA EM ATENÇÃO

Muitos “amigos” homens.

Busca constante por validação de estranhos.

Necessidade excessiva de ser vista e desejada.

Uma mulher que se alimenta de atenção nunca será leal a uma única fonte.


4. ELA SÓ APARECE QUANDO PRECISA DE ALGO

Dinheiro.

Favores.

Conexões.

Mas desaparece quando você precisa de paz ou apoio.

Isso não é amor. Isso é exploração.


5. ELA MANIPULA COM EMOÇÕES

Chora quando é confrontada.

Te faz sentir culpa.

Faz ameaças quando você impõe limites.

Um homem que cai em chantagem emocional se torna escravo da própria vida.


6. ELA ACELERA O COMPROMISSO

Amor rápido.

Promessas rápidas.

Planos rápidos para o futuro.

Destruição lenta.

Quanto mais rápido o vínculo, mais profunda a armadilha.


7. ELA NÃO CONSEGUE FICAR SOZINHA

Se ela pula de homem em homem, você não é especial.

Você é apenas o próximo.


8. ELA DESRESPEITA SEU PROPÓSITO

Te distrai dos seus objetivos.

Zomba da sua visão.

Compete com sua ambição.

Uma mulher que teme seu crescimento vai sabotar seu futuro.


9. ELA TESTA SUA MASCULINIDADE O TEMPO TODO

Drama desnecessário.

Silêncio como punição.

Disputas de poder.

É impossível ter paz com alguém que sempre quer controle.


10. ELA NÃO TEM RESPONSABILIDADE PELOS PRÓPRIOS ATOS

Sem pedidos de desculpa.

Sem crescimento.

Sem reflexão.

Sem responsabilidade, não há futuro.


11. ELA MENTE SOBRE COISAS PEQUENAS

Se mente sobre coisas pequenas, mentirá sobre coisas grandes.

A confiança é construída nos detalhes, não em promessas.


12. VOCÊ SE SENTE CONSTANTEMENTE DRENADO

Confusão.

Ansiedade.

Cansaço emocional.

Seu corpo percebe antes da sua mente.

Paz não deveria parecer uma batalha.


Um homem sábio não busca apenas amor.

Ele busca paz.

Porque sem paz, o amor vira uma arma.


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                                quinhão de incoerências





Não me peçam para ser coerente,

muito menos racional.

De tanto maltratar a consciência, parto 

do princípio de que faço jus

a meu quinhão de incoerências.

Minhas mãos, calejadas de rudes conquistas,

semeia ventos para colher tempestades.

Consolando o coração partido que regressa

à noite, como um animal ferido.

Estou só como o túmulo de um morto, porém,

mais vivo do que nunca.

Livre dos conflitos e joguinhos doentios impostos

pelo jugo consentido do amor.


Você sabe,

não há encanto que não acabe.

Não há relação que não se desgaste.

Não há vontade que não esmoreça.

Não há beleza que perdure.

O amor não é fiador de nada, porque logo acaba,

exigindo esforços sobre-humanos para manter

as aparências.


A gente faz de tudo para dar certo,

se sacrifica, representa, mente, mas quando

a insatisfação se instala, a separação

é só uma questão de tempo.

Culpa de quem, é o que menos importa.

Provavelmente, dos dois.

Pelos motivos de sempre.

Juntar os cacos, lamber as feridas, e seguir 

em frente,

é só que resta fazer.


 

quinta-feira, 2 de abril de 2026


                                 aposta errada



Profundo e imundo, meu coração se acostumou

a ódios e insultos. 

Somos opostos que sarabandam apoteoses de ilusão.

Tudo entre nós remonta a alucinações cruciantes.

Minhas culpas e teus desatinos entretecem-se 

em desentendimentos crônicos.


Eu sempre soube que você não é confiável.

Abandonei a razão para viver a mais

precária mentira.




Não se iluda, quando se ama, dorme-se 

como um rei

e acorda-se como mendigo.

Pois findo o encanto, tudo o que sobra

são os defeitos.



 




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