terça-feira, 31 de março de 2026


                     coração bandido


Ah, como nos enganamos quando supomos

conhecer as pessoas.

Mesmo as mais próximas.

Pois ninguém é o que aparenta.

Só o tempo traz as respostas, mostra a verdadeira

face das pessoas.

Quase sempre deformadas, corrompidas.

Só há uma maneira de blindar a vida : não criar

expectativas.

As pessoas são o que são.

Não mudam.

E quando mudam, salvo raríssimas exceções,

mudam para pior.

Nem o amor se salva.

Um coração bandido sempre será traiçoeiro.






                 tempo sem volta


O silêncio contém o peso de todas palavras.

Das coisas não ditas.

Reprimidas ao longo do tempo.

Até o dia em que afloram.

Escancarando a realidade escamoteada.

Quase sempre, tarde demais.

Para consertar aquilo que se perdeu,

silenciosamente, nas coisas não ditas

em tempo hábil.

Sim, o tempo passa e tudo leva.

Relembro e espero.

A inútil espera de um tempo sem volta.  





                     tudo que não dura é farsa


Da loucura do amor já não sofro.

Nem dele preciso.

Não preciso desse tipo de felicidade.

A dependência de algo que não controlo.

Não quero ser feliz a esse preço.

Refém de um sentimento que escraviza e sufoca.

Basta me sentir bem, em paz.

Por ter feito o que podia.

Se não amei o bastante, paciência.

Agora, é relaxar.

O que passou, passou, nada a lamentar.

Melhor ficar com as lembranças.

Ou melhor ainda, esquecer.

Sem mágoas, arrependimentos.

Tudo o que não dura é farsa.



quinta-feira, 19 de março de 2026



                         luto antigo


Onde quer que eu vá, persegue-me uma

paz antiga que não sinto.

Abençoado ou execrado, o amor cumpriu sua tarefa 

com louvor.

Cada dia tem sua própria história.

O coração bate alheio a qualquer discórdia.

Algum sentido oculto há em cada trajetória.

Feliz de quem tem com quem comungar 

a derrota e a vitória.

Acalentar algum luto antigo para manter viva a memória.

Ando só e faço gosto.

Um dia ainda hei

de esquecer o teu rosto.



quarta-feira, 18 de março de 2026


                      antigos amores


O que resta dos antigos amores, 

senão lembranças singelas e ao mesmo tempo,

amargas ? 

Amores de alegrias dolentes, afinal consumidas

pelos costumeiros desatinos.

O que resta dos antigos amores cala-se ante

a ilusão de ter sido tudo.

Somos únicos e vários, mas igualmente

despreparados para se doar, como o amor exige.

E nem sempre há tempo para o aprendizado.

Arrefecida a paixão de tantos ardores, há que encontrar

outras compensações.

Sem o quê o amor aos poucos se esfacela.

E, às vezes, nem ao respeito se dá.







                          nada permanece                        



Na vida há vários caminhos.

De luzes e cruzes.

De rosas e espinhos.

Os prazeres da vida passam, as dores 

e os dissabores ficam.

O amor escamoteia os defeitos, enquanto nos põe algemas.

Desvendada a alma,  tudo se acalma.

Alegres e aflitos, matamos a esperança a fim

de engendrar novos começos.

Não se iluda, nada permanece.

Já fomos esquecidos

antes mesmo de termos nascido.





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