MEUS MELHORES DIAS
Fabrício Carpinejar
Haverá dias em que não trocaremos sorrisos generosos. Haverá dias em que não nos beijaremos com a mesma ênfase. Haverá dias em que nos atrapalharemos com as demandas do trabalho e mal conversaremos. Haverá dias em que nos faltará ânimo para romper a solidão e comunicar o que nos confunde por dentro. Haverá dias de boletos, contas acumuladas e nervosismo dos prazos. Haverá dias em que os outros roubarão a nossa atenção no almoço ou no jantar. Haverá dias de excesso de tela, de dependência do algoritmo. Haverá dias em que não dividiremos o silêncio do sol nem nos chamaremos para espiar a lua. Haverá dias de pura água, sem o rubi do vinho. Haverá dias em que serei irritante, e recomendarei que você tome distância. Haverá dias em que um copo quebrará, o chuveiro estragará, a televisão não funcionará, a internet cairá e teremos que suportar os vazios e seguir adiante. Haverá dias em que sentiremos vontade de chorar ou de gritar. Haverá dias em que não acertaremos o sal da comida, o açúcar das palavras. Haverá dias que passarão correndo e não andaremos de mãos dadas. Haverá dias que permanecerão na intenção e não cumpriremos o que planejamos. Haverá dias muito longe da perfeição. Mas, Beatriz, ainda serão os nossos dias juntos. Para mim, ainda serão os melhores dias da minha vida, porque estarei ao seu lado.
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