domingo, 21 de outubro de 2018


            ARARIBÓIA

Rezam os compêndios que para homenagear o velho herói Araribóia, guerreiro nativo que marcou época nos primitivos tempos da colonização, o governador D. Antonio Salema chamou-o à corte do Rio de Janeiro para suntuoso jantar.
Consta que em dado momento, cansado da posição cerimoniosa
recomendada à ocasião, encarapita-se na cadeira o velho índio,
para estranheza do governador.
Homem rigoroso em questões de etiqueta, ordena através de um serviçal para que ele se recomponha, em respeito ao representante do Rei. 
"Se tu souberas quão cansadas eu tenho as pernas das guerras em que servi a seu rei, não ligaria para esse pequeno descanso.
Mas já que se sentis ofendido, retiro-me para minha humilde aldeia, onde não reparamos para tais formalidades.  E fique descansado que não virei mais à sua corte afrontá-lo", mais ou menos assim teria reagido o velho guerreiro, retirando-se em meio a cerimônia.

É o que a História registra de um brasileiro nato e honrado,
chefe da tribo Temininós, que nos idos de 1575, foi o responsável direto pela expulsão dos franceses da baía da Guanabara, séculos mais tarde saqueada por Sérgio Cabral e companhia.  
Mal sabia da bobagem que estava fazendo...




     
                 os incomodados, fodam-se



Quase nada é do jeito que a gente quer.
Do jeito que a gente pensa.
Do jeito que a gente sonha.
Tudo gira em torno das aparências.
A falsidade é um imperativo.
A hipocrisia, obrigatória.
A mentira, a palavra de ordem.

Não tardamos a descobrir que ser correto
é um tiro no pé.
Que ser justo não vale nada.
Que consciência tranquila não enche a barriga.
No entanto, por formação ou obrigação,
é preciso ser correto, ser justo, fazer a coisa certa.
É uma questão de decência.
O que poucos têm.

Mais fácil é fingir, dissimular.
Se esgueirar pelas sombras.
Falar pelas costas.
Fazer por baixo dos panos.
Eis o padrão dominante.
Engana-se, mente-se, falseia-se com tanta
naturalidade, que tudo 
passa a ser natural.
Viver na mentira.
Enganar a si próprio.
Simplesmente, suprime-se a consciência
E ponto final. 
Os prejudicados, às favas
Os incomodados, fodam-se...



sábado, 20 de outubro de 2018



                              A LEI DA VIDA





Aqui se faz, aqui se paga
É a lei da vida
Nada acontece por acaso
Você que engana, fere, finge ser 
o que não é
Não perde por esperar
Um dia da caça, outro do caçador
Ninguém é melhor do que ninguém
Até ser posto à prova
Até a sorte virar
Até as coisas degringolarem
Isto quando tudo já não foi sempre uma merda

Portanto, não aponte o dedo para ninguém
Não julgue, não condene
Não atire a primeira pedra
Pois amanhã ou depois pode sobrar para você
Não seja a palmatória do mundo
Tendo culpa no cartório
A burrice não releva o passo em falso
A teimosia não justifica a injustiça.
Quem com ferro fere...



sexta-feira, 19 de outubro de 2018

                 as putas




basicamente, as coisas hoje estão assim :
há as putas, putas
há as putas enrustidas 
há as putas de fachada, de grife
há as que desdenham das putas 
mas agem como tal
há as que gostariam de ser mas não tem coragem
no fim das contas, 
tudo é uma questão de preço.






domingo, 14 de outubro de 2018




irmã gêmea da justiça 
a verdade também tarda mas não falha
um dia a casa desaba
a máscara cai
e os verdadeiros farsantes mostram a cara...




sexta-feira, 12 de outubro de 2018

segunda-feira, 8 de outubro de 2018


           PAIXÃO QUE NÃO VINGOU


Num lapso, a vida acaba
Extinta em plena vida
Ao se perder a razão de viver
Quando não há mais vontade
Não há mais tempo
Para reparar o que se perdeu

Foi-se, simplesmente
O que parecia não ter fim
Não ter data de validade
Mas que, de tantos desencontros e desenganos
Como tudo na vida
A seu termo chegou
No desamor que de tudo se apossou 
Diluído em doses homeopáticas
Sem motivos aparentes
A não ser os de sempre
Graves ou insignificantes
Pouco importa
Não havendo mais nada
Pelo que valha a pena lutar

Súbito, não nos reconhecemos mais
Nada do que tivemos tem valor
Triste fim do que um dia
Nos levou a tantas loucuras
A tantas juras, que hoje soam ridículas
Que hoje não passam de lembranças amargas
De uma paixão que não vingou.










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