Quanto mais reflito
mais entro em conflito
se aquilo em que acredito
não passa de mito
obra de Mephisto
ou de Jesus Cristo.
vida de burguês
Restaurantes dizem muito sobre as pessoas.
É o palco preferido daqueles burgueses espalhafatosos
e empavonados,
que adoram chamar a atenção,
ao lado das respectivas damas
normalmente super-maquiadas e trajando modelitos apertados,
para disfarçar a flacidez.
Falam alto, riem de qualquer besteira,
e não tardam em ficar "meio altos" e inconvenientes,
constrangendo os demais presentes com seus
modos grosseiros.
Refestelados, palitam os dentes e arrotam sem qualquer
cerimônia, ao mesmo tempo que cumprimentam
efusivamente um ou outro conhecido.
Já em casa, empanturrados e sonolentos, esses burgueses
desabam na cama e apagam,
enquanto as digníssimas esposas
se masturbam pensando no Cauã Reymond.
* Inspirado no poema "Guardanapo na Boca", de Maria Leonor Corrêa da Silva.
da calmaria ao tormento Cedo ou tarde, os dias de tormento chegam. E não há nada que se possa fa...