Um dia ela acorda
de seu sono crepuscular,
já não tão jovem,
já nem tão bela,
e se dá conta que enquanto dormia,
a vida
passou pela janela.
apartheid
O horror da guerra, quem esteve e sobreviveu, nunca mais esquece.
O horror dos lares maculados pela violência doméstica,
traições, incestos.
O horror da fome, da miséria que recrudesce, neste Brasil
sem conserto e pelo mundo afora.
O horror do submundo do crime, do flagelo das drogas, de longe,
a raiz unívoca da degradação humana.
O horror das favelas, palafitas, buracos insalubres
que o ser humano divide com os bichos.
O horror da desigualdade, do grande e insolúvel apartheid
que condena a humanidade a conflagração.
causa perdida
Não se amofine. Não se desespere.
Desgraça pouca é bobagem.
Um plano logo se sobrepõe a outro plano.
Funde-se o gozo e a dor em erma permanência.
O ardil do árduo labor medra na mesma pedra
que a tudo transcende.
No existir que não existe, ser vário é imperativo.
Escroto, se for o caso.
Afinal, é o que o pântano da existência requer.
O defunto nem esfriou e já é esquecido.
Vender gato por lebre é a moeda corrente.
Mundo de Satan ou de Dieu, qu`importe ?
O desejo de amar se esgota no súcubo
das relações fluídas.
A nódoa congênita que tudo macula
nos torna uma causa perdida.
da calmaria ao tormento Cedo ou tarde, os dias de tormento chegam. E não há nada que se possa fa...