segunda-feira, 20 de março de 2017
TORMENTO
Vivemos e morremos cada dia um pouco,
um pouco a cada dia,
sem entender o por quê das coisas,
sem saber de onde viemos,
para onde vamos.
Se é que viemos e vamos
de e à algum lugar.
Vivemos e morremos sem saber
por que somos como somos,
o por quê de uns serem mais afortunados que outros,
se todos são iguais aos olhos de Deus.
Se é que Deus exista ou se importe com a gente.
Vivemos e morremos num instante,
sob o estigma do imponderável,
à revelia da sorte e da compreensão.
Morrendo aos poucos ou subitamente,
no fulgor do dia ou no breu da noite.
Na paz de quem viveu dignamente
ou martirizado por remorsos e arrependimentos.
No tormento de quem está condenado a arder
no fogo dos infernos,
se é que o inferno exista,
se é que o inferno não é aqui.
Na cabeça de cada um ou numa esquina qualquer.
Na nossa propensão ao pecado.
À viver sem rumo e morrer à esmo.
Junho de 2015
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