a segunda chance
Sob o espectro difuso da verdade, transigimos.
Bem ou mal, à realidade nua e crua nos adequamos.
Para não capitular, indiferentemente à valores
e princípios.
Valores e princípios nem sempre edificantes,
quando se trata de sobrevivência,
de fazer valer a vontade, os desejos secretos.
Na ordem natural das coisas, a lei do mais forte prevalece.
Sob os mais diversos métodos e artifícios.
Contra a força, a astúcia.
A força do homem, a astúcia da mulher.
Quem a presa, o predador ?
(Ela me disse que, enquanto eu estava indo,
ela já tinha ido e voltado três vezes...
Quantas coisas omitidas, ardilosamente
escamoteadas, aí embutidas ?)
Sutil teia de aranha em que nos enredamos...
Não há inocência na vida adulta.
Na impermanência das coisas, o destino
molda nosso caminho.
O que se ganha aqui, perde-se ali.
Sem rumo, sem prumo frequentemente nos vemos.
No desdobramento do amor, cedo ou tarde
padecemos, quebramos a cara.
Não raro, sucumbimos.
Nada nos redime.
Nada apaga os malfeitos, os danos causados.
Perdão foi feito para pedir, mas os remendos
nem sempre surtem efeito.
O que está feito, não tem volta.
E quando se tem uma segunda chance, nunca
é a mesma coisa.
Amor só é amor - e como tal sobrevive -
quando ambos reconhecem que são imperfeitos.
Que todos erram e tem sua parcela de culpa.
É só o que permite juntar os cacos e seguir em frente.
É o que impede que a tal segunda chance
não seja apenas um mero e triste epílogo.
Por mais bela que tenha sido a história..
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