sábado, 20 de julho de 2019
o poeta crucificado
Poesia é tormento, rebelião de sentimentos.
É tortura, má conduta, meter os pés pelas mãos.
Escrever coisas que ninguém entende,
É ser feliz sem motivo, sofrer sem sofrimento.
Poesia sem padecimento é como pão sem fermento.
Punge em versos desgraçados, errantes e amargurados
como os cantos de Maldolor.
Não obstante os volteios e incursões mirabolantes,
tem o amor como fonte suprema de inspiração.
O amor imaculado e impuro, que em fúria, êxtase, ditirambos,
agoniza em ondas arrebatadoras,
se subverte em canções pungentes, apelos desesperados.
Mas eis que o poeta se interroga :
que tipo de amor é possível na era do Espetáculo ?
Da insana blogosfera ?
Da prevaricação coletiva.
Do amor precificado.
Com data de validade.
Em que se casa hoje, e se separa amanhã.
De casais do mesmo sexo, transgêneros, de papéis invertidos,
o diabo. Tudo liberado.
Dentro da lei, mas estranho para mentes pequenas.
Que defendem os valores tradicionais.
Ainda que conspurcados, hipócritas.
Devastados pelas relações fluídas.
Uma nova realidade se impõe.
Novas formas de amar.
No afã de decifrar, o poeta se debate,
Envereda como louco por caminhos mil,
Se dilacera no turbilhão que a todos engole.
Em que o real e o virtual se imiscuem.
Em que ninguém é de ninguém.
Em que o dinheiro fala mais alto.
E o verdadeiro amor é lindo e infinito
Enquanto há estímulos materiais.
Em que a poesia é a primeira coisa que vai para o ralo.
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