quinta-feira, 5 de setembro de 2019
FRAGMENTOS
Fragmentada, a vida passa
em momentos que se intercalam, se entrecruzam.
Tudo escoa rapidamente.
O que era, já não é mais.
As peças no tabuleiro se movem, situações,
rostos se sucedem.
Prazeres, amores, relacionamentos, distraem o tempo,
até que a indiferença ou o ódio os traiam.
Da agonia alheia ninguém sabe, nem toma conhecimento.
O que não nos diz respeito, pouco importa.
No máximo um pouco de fingida atenção.
A vida é uma ferida aberta, que nunca cicatriza.
Experiências passadas desencorajam,
ninguém dá valor ao que é de graça.
Cedo ou tarde as pessoas sempre nos decepcionam.
As pessoas se decepcionam com a gente.
O tempo não cura, não trás alívio.
Quando muito aceitação, conformismo.
O futuro está à frente, mas é o passado que comanda.
Lembranças, punhais que perpassam a alma.
O que foi vivido é o legado eterno.
Imagens recorrentes, sempre presentes,
em desterros, vigílias, terrores noturnos.
Na impossível união de duas almas capitulamos.
O ponto de intersecção é o vasto mundo.
Vencedores e vencidos, no mesmo jazigo.
A ação liberta, porém o destino é traiçoeiro.
Tão íntimos quanto irreconhecíveis, os sonhos esfumaçam
como o fumo das queimadas outonais.
Impotentes à laceração do tempo, a excruciante dor não cessa.
Só as perdas são permanentes.
o fim de tudo é uma benção.
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