quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025


                       contumácias




 


Eu vejo as nuvens que se movem

em cada manhã de beleza ultrajada.

O que sobra de um tempo feliz encontra o seu lugar,

sem meta nem revolta. 

Dispo o meu disfarce, visto a carapuça, 

agora que todos os equívocos pilham-se

dissecando o recalcitrante sonho inventado.


Procuro a paz que não me procura.

Abraço a vida que preenche o meu vazio

iluminado em contumácias. 

Dos desejos não saciados do que não vivi, o pouco

é muito.

Onde a beleza é áspera e o coração um poema inacabado, 

invento afetos que resumem minha vida.







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