quarta-feira, 23 de julho de 2025


                              se tudo der certo                      



Se tudo der certo, nunca mais 

vou amar na vida.

Chega de me iludir.

De levar à sério um sentimento que se prende

à inconstância da posse.

Cegando-se, distraído e contíguo.


Não, o amor não é confiável.

Pois só consome, exige, impõe,

sem nada dar em troca.

Nada além de uma felicidade precária, 

passageira.


Ninguém ama impunemente.

Passada a empolgação, o fogo da paixão,

pouco ou quase nada sobra

pelo qual valha a pena abrir mão da liberdade.


Se tudo der certo, nunca mais 

vou amar na vida.

Não enquanto a razão ceder a apelos

e promessas que depois são esquecidos.

Não enquanto o coração falar mais alto,

descontrolado como um touro que vê

o vermelho da capa do toureiro.


Não esse amor tão dócil na sua urgência

de ser feliz.









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