sábado, 4 de abril de 2026


                                quinhão de incoerências





Não me peçam para ser coerente,

muito menos racional.

De tanto maltratar a consciência, parto 

do princípio de que faço jus

a meu quinhão de incoerências.

Minhas mãos, calejadas de rudes conquistas,

semeia ventos para colher tempestades.

Consolando o coração partido que regressa

à noite, como um animal ferido.

Estou só como o túmulo de um morto, porém,

mais vivo do que nunca.

Livre dos conflitos e joguinhos doentios impostos

pelo jugo consentido do amor.


Você sabe,

não há encanto que não acabe.

Não há relação que não se desgaste.

Não há vontade que não esmoreça.

Não há beleza que perdure.

O amor não é fiador de nada, porque logo acaba,

exigindo esforços sobre-humanos para manter

as aparências.


A gente faz de tudo para dar certo,

se sacrifica, representa, mente, mas quando

a insatisfação se instala, a separação

é só uma questão de tempo.

Culpa de quem, é o que menos importa.

Provavelmente, dos dois.

Pelos motivos de sempre.

Juntar os cacos, lamber as feridas, e seguir 

em frente,

é só que resta fazer.


 

quinta-feira, 2 de abril de 2026


                                 aposta errada



Profundo e imundo, meu coração de acostumou

a ódios e insultos. 

Eu e tu

Tu e eu

Somos opostos que sarabandam apoteoses de ilusão.

Tudo entre nós remonta a alucinações cruciantes.

Minhas culpas e teus desatinos entretecem-se 

em desentendimentos crônicos.

Ola-lá-lá, ola-lá-lá,

eu sempre soube que você não é confiável.

Abandonei a razão para viver a mais

precária mentira.

Mais uma aposta errada, outro jogo perdido.

Como me disse um sábio : não se iluda, quando se ama,

dorme-se como um rei

e acorda-se como mendigo.

Pois findo o encanto, tudo o que sobra

são os defeitos.



 




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