sexta-feira, 22 de maio de 2026


                               velho candeeiro


Bobagem se martirizar à toa.

Tudo está como sempre esteve.

Tudo é como sempre foi.

Os mais fortes e sortudos prevalecem.

Explorando os mais fracos.

Há que ter astúcia para sobreviver.

Até os mais fortes sucumbem.

A normalidade doentia nos agarra pelos pescoço.

Todos temos fraquezas, neuras, taras.

Eu, por exemplo, gosto de ouvir o coração.

De tanto ser sozinho, não preciso que ninguém

goste de mim.

Sou a fome e o alimento do meu canto.

Evoé ! 

Estou à deriva mas nunca tão lúcido.

Acordo de meu amoroso desencanto à sombra

do esquecimento.

De repente, consigo me ver como o mundo me vê.

É bom sentir essa leveza que me traz a idade.

Sem veleidades, meias verdades.

Evoé !

Não decepciono mais ninguém e ainda quebro o galho,

como um velho candeeiro. 

Como um velho que tem dinheiro.








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