velho candeeiro
Bobagem se martirizar à toa.
Tudo está como sempre esteve.
Tudo é como sempre foi.
Os mais fortes e sortudos prevalecem.
Explorando os mais fracos.
Há que ter astúcia para sobreviver.
Até os mais fortes sucumbem.
A normalidade doentia nos agarra pelos pescoço.
Todos temos fraquezas, neuras, taras.
Eu, por exemplo, gosto de ouvir o coração.
De tanto ser sozinho, não preciso que ninguém
goste de mim.
Sou a fome e o alimento do meu canto.
Evoé !
Estou à deriva mas nunca tão lúcido.
Acordo de meu amoroso desencanto à sombra
do esquecimento.
De repente, consigo me ver como o mundo me vê.
É bom sentir essa leveza que me traz a idade.
Sem veleidades, meias verdades.
Evoé !
Não decepciono mais ninguém e ainda quebro o galho,
como um velho candeeiro.
Como um velho que tem dinheiro.
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