sexta-feira, 7 de dezembro de 2018




                                         a espera




Viver a espera do que nunca virá.
Daquilo que se tinha e se perdeu.
Do que era para ter sido e não foi.
E que nunca será.
Posto que abortado antes de acontecer.

Viver a espera do que nunca virá.
O amor que se tinha.
O amor estupidamente perdido.
De lembranças inflamadas pela espera. 
Do passado que não conhece o seu lugar, 
como em Quintana. 

Viver a espera do que nunca virá.
De compreensão, consolo, perdão.
O ressentimento alimenta a impiedosa memória.
A redenção condicionada ao que está fora de nosso alcance.
Como a esperar que Lázaro saia da cova.




quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

             

            a turma da malandragem

Há a turma do futebol
a turma do futivolei
a turma da prancha
a turma do patins
a turma da corrida
a turma da bike
a turma do dominó
a turma do funcional
a turma da raquete
a turma dos farofeiros
a turma dos maconheiros (imensa)
a turma do levantamento de copo (idem)
a turma dos andarilhos
a turma do caniço 
a turma dos marombeiros 
a turma dos babás de cachorro 
há turmas de tudo que tipo
há turmas para todos os gostos
santista adora se enturmar
tem até a turma dos solitários
por sinal, minha turma preferida;

à espera de vaga na turma da malandragem...







a turma do caniço





                                       a travessia

                    


Na tragicomédia em que se transformou minha vida, o último capítulo está me deixando encafifado, com a pulga atrás da orelha. Não sou de me impressionar facilmente, cético como a vida me levou a ser, mas o que vem se passando comigo na madrugada dos últimos três dias, é no mínimo perturbador. 

Imagine que mais ou menos no mesmo horário, entre 3 e 3,30 horas, venho tendo um sonho recorrente com meu falecido pai. O enredo não recordo bem, mas chega um momento em que a figura de meu pai aparece, em meio a uma névoa, vestido com uma espécie de túnica, e sua presença faz meu coração disparar. 
Sinto uma espécie de sufocamento e choro convulsivamente, ao que ele, sem dizer uma palavra, apenas com o olhar sereno e gestos tranquilos, me passa uma sensação de paz que imediatamente me acalma e alivia. 

Acordo em seguida, ainda com o rosto molhado de lágrimas, e entre emocionado e atônito, fico a me perguntar o significado disso. Três noites seguidas o mesmo sonho, alguma coisa certamente quer dizer.

Como minha extra-sistóles anda novamente dando seus pinotes, mormente à noite, quando as preocupações e amarguras afloram a todo vapor, talvez seja um modo de meu cérebro me acalmar, trazendo de volta a figura de meu amado pai. Ou quem sabe seja o espírito dele mesmo, vindo me preparar para a travessia que se avizinha.

Ainda é cedo, meu velho, mas se tiver que ser, que alegria não seria tê-lo a minha espera para uma nova vida.  




terça-feira, 4 de dezembro de 2018





por motivos óbvios,
nunca foi tão fácil conhecer pessoas,
como hoje em dia.
pelos mesmos motivos,
nunca foi tão difícil conhecer as pessoas, 
como hoje em dia.




  


















feiticeira e trapaceira






                 
Moça bonita, 
sorriso contagiante,
olhar de Capitu, 
dissimulado e oblíquo.
Foi muito bom te conhecer.
Aprendi muito com você.
Sobretudo, que em ninguém se pode confiar.
ainda mais moça bonita, 
de sorriso contagiante.
olhar de Capitu, 
dissimulado e oblíquo.
Feiticeira e trapaceira...

Menos mal que, dessa vez,
ciente de que era bom demais para ser verdade.
Sabedor de que era certo outro engano.
ainda mais sendo moça bonita, 
de sorriso contagiante,
olhar de Capitu, dissimulado e oblíquo
Feiticeira e trapaceira...









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