terça-feira, 5 de fevereiro de 2019
O ELO PERDIDO
Na falta de sentir, as verdades ocultas,
as certezas extintas, enfim afloram.
Nas fúteis libações e ações irresponsáveis,
o jugo interminável dos sonhos nunca consumados.
No conformismo e no desencanto,
o elo perdido do que foi sem nunca ter sido.
Da vida que deveria ter sido.
De menos impostura, mais verdade.
Mais entrega, menos orgulho.
Mais plenitude, menos platitude.
Menos promessas, mais atitude.
Para o enfermo amor resgatar.
Ou deixar voar.
Como uma pluma no dorso da mão.
sábado, 2 de fevereiro de 2019
amo alguém que não existe
Amo alguém que não existe.
Não do jeito que um dia existiu.
Alguém que se foi tal como surgiu,
deixando um vazio imenso e triste
Amo alguém que não existe.
Alguém que eu não soube amar.
Que se entregou sem exigir nada em troca,
até se cansar de tanto esperar.
Amo alguém que não existe.
Alguém em quem confiei cegamente.
Amor que era magia e sedução,
e que hoje é só mágoa e frustração.
Amo alguém que não existe.
De quem esperava tudo menos traição.
Que entrou na minha vida como uma benção,
e saiu como uma maldição.
deixando um vazio imenso e triste
Amo alguém que não existe.
Alguém que eu não soube amar.
Que se entregou sem exigir nada em troca,
até se cansar de tanto esperar.
Amo alguém que não existe.
Alguém em quem confiei cegamente.
Amor que era magia e sedução,
e que hoje é só mágoa e frustração.
Amo alguém que não existe.
De quem esperava tudo menos traição.
Que entrou na minha vida como uma benção,
e saiu como uma maldição.
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019
ingênua crença
Nada nos salva, nada nos redime,
a não ser a crença ingênua de que Deus tudo perdoa
desde que nos arrependamos.
Mas e daquilo que não nos arrependemos ?
das maldades, safadezas, vilanias, traições
que vivemos cometendo ?
deliberadamente.
recorrentemente.
prazerosamente.
Não, nada nos salva,
nada nos redime,
a não ser a crença ingênua
de que Deus tudo perdoa...
quarta-feira, 30 de janeiro de 2019
o réquiem do apocalipse
Barragens-bomba-relógio dizimam lugarejos inteiros.
Viadutos desmoronam na selva de pedra.
Logo serão prédios vetustos a cair,
o solo se abrirá para expelir lixo e fezes.
Nas cidades superpovoadas, mendigos disputarão território
com ratos e baratas,
e formarão uma irmandade que sobreviverá
ao Apocalipse.
Haverá mais carros do que gente.
Filas intermináveis congestionarão ruas e rodovias,
onde se abrirão enormes crateras,
engolindo passantes e veículos.
As cidades se tornarão inabitáveis,
de tanta gente.
Sem emprego suficiente,
haverá mais ladrões e prostitutas do que trabalhadores - se é
que já não há.
Chegará o dia em que não haverá comida suficiente,
água suficiente.
Lixões dominarão a paisagem, as praias contaminadas,
e a falta de saneamento básico
disseminará enfermidades
e doenças letais.
Não tardará para que as mudanças climáticas se intensifiquem,
os rios sequem, as geleiras derretam, os oceanos avancem,
espalhando destruição e dizimando populações inteiras.
Tudo devidamente documentado e transmitido em stremming,
com direito a selfies e tudo mais.
Para que os herdeiros do que sobrar do planeta
- se é que haverão - possam entender o que aconteceu.
E começar tudo de novo.
O réquiem do apocalipse já começou.
Chegará o dia em que não haverá comida suficiente,
água suficiente.
Lixões dominarão a paisagem, as praias contaminadas,
e a falta de saneamento básico
disseminará enfermidades
e doenças letais.
Não tardará para que as mudanças climáticas se intensifiquem,
os rios sequem, as geleiras derretam, os oceanos avancem,
espalhando destruição e dizimando populações inteiras.
Tudo devidamente documentado e transmitido em stremming,
com direito a selfies e tudo mais.
Para que os herdeiros do que sobrar do planeta
- se é que haverão - possam entender o que aconteceu.
E começar tudo de novo.
O réquiem do apocalipse já começou.
lúcida quietude
Às vezes me sinto como se já não existisse,
como se já tivesse feito
o que poderia ter feito.
E em já não podendo desfazer os malfeitos,
vivendo apenas para gastar o tempo.
Sinto como se a vontade e os pensamentos
já não importassem.
Sem mais me importar com coisas
que não posso mudar.
Sem nada a aspirar a não ser me juntar
aos que debaixo da terra repousam.
Ainda haverá um tempo para mim ?
Ainda haverá chance de me redimir ?
Só resta esperar.
Só o tempo dirá.
Livrar-me do passado para me libertar,
eis o caminho.
Nem queda, nem ascensão.
Nem pausa, nem fruição.
Passado e presente se enlaçam,
para fazer o futuro.
Na lúcida quietude de quem mais nada espera.
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