sexta-feira, 15 de março de 2019



                      à moda Cazuza






Do que é feito esse amor
imperfeito, 
que te ofereço ?
E que retribuis no mesmo preço ?
O que temos para dar um ao outro,
que já não houvéramos dado,
e nos quebrado ao meio.
Amor aleijado, 
espinha dorsal partida. 
Ilusões perdidas.

O que será de nós, que futuro temos ?
Você diz que me ama mas não quer
compromisso.
Concordo.
Compromisso implica em cobrança, responsabilidades,
perda de liberdade.
A pergunta que não quer calar é :
pode-se amar sem cobranças, responsabilidade,
compromisso ?
Existe amor sem cobrança, responsabilidade,
compromisso ?
Ou teremos que inventá-lo, à moda Cazuza ?

quinta-feira, 14 de março de 2019



                  decifra-me, eu te imploro





O nexo inútil das coisas roreja,
metodicamente.
Fragmenta a alma vilipendiada,
esculpe a vida à revelia de tudo.
No desalinho geral das razões e motivos, 
a fé nos liames do desespero. 

Fé que nem sempre salva. Quando muito mitiga.
Dor, perdas, sofrimento, morte,
únicas certezas na vida sem nexo.
Indiferentemente aos por quês.
Razões e justificativas não contam.
Alheios ao que acontece ou deixa de acontecer. 
Desatinos, loucuras, surtos,
merdas que a gente faz, sem medir consequências.
O castigo vem à galope. 

Na incerteza de tudo,
caindo e levantando,
pisando e pisados,
A vida laça e desenlaça.
Dá e tira.
O diabo sempre à espreita.
O amor passa ao largo, como que a dizer :
decifra-me, eu te imploro.














                     de pedra em pedra






Pairam acima dos dias, profecias do fim do mundo 
que não finda.
Por que o peregrino conhece todos os caminhos
e o penitente não ?
A pedra é só uma pedra, mas de pedra em pedra
se faz castelos, pirâmides.
Tudo é tarde, tarda a maneira perfeita de amar.
De ser amado ressente-se o tenaz guerreiro.
De romper o novo a alma dista, morre à distância.
Desabando sem gritar.
A vida pobre, rica em quimeras, no caos se precipita.
O fogo da paixão crepita cumprindo ritos em que 
imaginação passeia.
Em meio aos oratórios já vazios, o mundo imaginado 
não existe, num apagar de rostos e sentimentos.
Um ser metafísico procura-se e não se acha.
Evade-se o tempo em que tudo era perfeito.
Reduzido à rotas sem setas.
Pontes queimadas, sem volta.
A semente das horas contendo a vida já não germina 
no solo árido.
O fruto apodrecido, a estrada bifurcada, nada nunca 
mais será o mesmo.
A explosão ingênua de desejo é como um barco avariado
prestes a afundar.
Não há mais nada a perder.


  






  





segunda-feira, 11 de março de 2019












                  

                            BALELAS
                




Dizem que para tudo há um propósito,
mesmo aquilo que parece não ter propósito.
Ou seja, quase tudo...

Dizem que Deus sabe o que faz,
que escreve certo por linhas tortas.
Resta saber em que idioma.

Dizem que é preciso ter fé,
que quem espera sempre alcança.
O problema é que esperar, cansa.

Dizem que o amor tudo supera,
que quem ama, perdoa.
Outra balela. Há coisas que o amor não supera.
Há coisas que o amor não releva.







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