às vezes a melhor estratégia é se fazer de morto (ou de cego)
domingo, 21 de abril de 2019
O PARDALZINHO
Havia um pardalzinho na minha antiga casa,
que meu filho achou na sarjeta.
Recém-nascido, desmilinguido,
foi um milagre ter sobrevivido.
Ficava na área de serviço,
não tivemos coragem de colocá-lo numa gaiola,
em que só ficava para dormir.
Era meu companheirinho de todas as horas.
Me fazia companhia no café da manhã, logo cedo.
Quando eu estava na sala, lá vinha ele,
pousava no meu ombro, ou no joelho.
Às vezes bicava meu dedão do pé, para chamar
a atenção.
Que saudades dele !
Às vezes penso que aquele pardalzinho
era quem mais me amava
sábado, 20 de abril de 2019
BORDOADAS
Crente ou incrédulo, somos sempre ludibriados.
Pelas crenças que nos enganam e traem.
Desenganados no amor, desiludidos com as pessoas.
Esvoaçantes, os anjos da infância nos abandonam
Pelas crenças que nos enganam e traem.
Desenganados no amor, desiludidos com as pessoas.
Esvoaçantes, os anjos da infância nos abandonam
à própria sorte.
À sorrelfa, à socapa, nas encolhas
da vida tangenciada,
à revelia do tempo perdido, dos passos tortos,
é bordoada de todo lado.
Na vida que se rompeu,
distante da antiga casa,
entregue às dúvidas que corroem a existência,
sempre a espera do que não virá.
O antigo amor, um novo amor, a redenção.
O perdão de quem não consegue se perdoar.
À sorrelfa, à socapa, nas encolhas
da vida tangenciada,
à revelia do tempo perdido, dos passos tortos,
é bordoada de todo lado.
Na vida que se rompeu,
distante da antiga casa,
entregue às dúvidas que corroem a existência,
sempre a espera do que não virá.
O antigo amor, um novo amor, a redenção.
O perdão de quem não consegue se perdoar.
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