segunda-feira, 13 de julho de 2020





                      Íncubos e Súcubos






Minha vida ainda não acabou.
Apenas arrefeceu.
Os ímpetos, as volúpias, 
resumidos a surtos.
A amores frívolos e curtos.

Eis-me, enfim, do jeito que te aprouver.
Pouco se me dá o parecer pouco lisonjeiro
com que me vês.
Sem glória nem vintém.
Contra a moral e os costumes,
sou tudo o que convém
para justificar o teu desdém.

O desencanto não tem fim.
Íncubos e súcubos celebram
a desonra do antigo amor.
Na amargura e senilidade se dissolve
o que era para não ter fim.
De penas e tédio transcorrem os dias
em que me faço de forte, 
para tapear a morte.














domingo, 12 de julho de 2020



                     


                     agulha do palheiro





É crucial não ignorar as limitações
alheias.
Que cada um pensa de um jeito,
tem sua maneira de ser.
Nada mais enganoso do que achar
que conhece ao outro.
Mesmo com quem convivemos.
Mesmo os mais íntimos.
Seja pelo tempo que for.
Um belo dia um estranho se revela.
E a casa cai.
Às vezes estrondosamente.
Porque poucos conseguem administrar 
as incompatibilidades.
Nem mesmo o alicerce do amor não é
à toda prova.

O que cada um pensa é um mistério.
As pessoas são um mistério.
Há que estar preparado para tudo.
Confiar, desconfiando.
Acreditar, duvidando.
Não abrir o jogo, muito menos o coração.
Não pense que ser bom, correto,
é suficiente para satisfazer as pessoas.
Em geral, não, em se tratando de princípios,
valores.
E achar quem assuma seus próprios erros 
e limitações,
é como procurar agulha num palheiro.
















sábado, 11 de julho de 2020






                             sem futuro







Não perca tempo com quem 
não vale o seu tempo.
Não se deixe enganar pela 
embalagem.
Pare de se preocupar com
pessoas pequenas.
Onde não há reciprocidade,
não se detenha.




sexta-feira, 10 de julho de 2020






          tudo o que o coração pede e precisa





Estranho constatar que as virtudes
nem sempre são bem-vistas.
O hábito de duvidar de tudo
e de todos
é um imperativo da realidade líquida
da pós-modernidade. 
As pessoas nunca foram tão materialistas e dissimuladas.
Misturam precaução com prevenção.
Despejam suas neuroses 
umas nas outras.
Vivem na superfície,
sem se aprofundar em nada
além de satisfazer os instintos,
compartilhar banalidades
em detrimento do que o coração 
pede e precisa.
De repente, olham para a frente
e tudo o que querem
é voltar  
atrás.
Mas não podem.


















quinta-feira, 9 de julho de 2020




              o fluxo natural das coisas
       


Os rios não correm para trás. 
O tempo não retrocede.
Vaga e falha é a ideia
que fazemos de um mundo 
em que 
nada é o que parece ser.
Muito menos as pessoas.

A vida é a arte do auto-engano.
Visto que os malfeitos nunca se apagam.
Vagam, onipresentes, 
porque não podemos voltar atrás.
Reverter o fluxo natural das coisas.
O que está feito, está feito.

A aceitação é um jogo de cartas marcadas.
Aceitamos aquilo que nos convém,
sábio é o que não exagera ou exclui.
Que é capaz de entender que a imperfeição
a tudo permeia e corrompe.
Os sentimentos e o próprio amor
nos ciclos que se fecham.
No fluxo natural das coisas que
incautamente ignoramos.





























Ninguém é como a gente gostaria
que fosse. Se fosse, não teria graça.



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