terça-feira, 22 de dezembro de 2020
segunda-feira, 21 de dezembro de 2020
PERDAS
Nada mais difícil do que lidar com as perdas.
Seja por quais motivos forem.
Para as quais nunca estamos suficientemente preparados.
Mesmo nossos velhos que vemos definhar a cada dia.
Aqueles que sofrem de doenças terminais.
Cujas mortes de certa forma acabam sendo um alívio.
E como se não bastasse,
aqueles que se afastam espontaneamente.
Amores, filhos, que se transformam em nossos
piores algozes.
domingo, 20 de dezembro de 2020
a vil pecúnia
Os covardes tem vida longa,
posto que não
se expõem, vivem à sombra.
Os farsantes, mentirosos, embusteiros,
são bem vistos,
posto que vivem de enganar os outros.
Os desonestos sempre dão um jeito
de se dar bem,
de levar vantagem, afinal, é parte do ofício.
Diga, qual o estímulo de ser correto,
bem intencionado,
se ninguém dá valor ?
Se só te dão valor em função
do que podes proporcionar ?
E olhe lá.
Porque há aqueles - justo os mais chegados -
que fazem do afeto uma mera
e mal-disfarçada questão pecuniária.
a mágoa que ainda viceja
Em tudo que foge ao entendimento,
não há lugar para arrependimento.
Posto que inútil, irrevogável.
Ademais, não são os erros que nos definem,
mas o que fazemos deles.
O que importa o passado,
o que deu certo ou errado,
se a vida agora agoniza
e nem assim te humaniza ?
Aceitar o castigo imerecido
não te faz melhor,
se dentro de ti a mágoa
ainda viceja.
sábado, 19 de dezembro de 2020
TESTAMENTO
Amar quem não merece,
não se desmereça.
Entrar em uma relação de peito aberto,
é como ir para a guerra de canivete.
Quando não tiver mais ninguém a seu lado,
as chances de ficar sozinho são grandes.
De fracasso em fracasso,
vamos nos habilitando ao sucesso.
E vice-versa.
De repente, a aurora.
E o vampiro perdeu a hora.
Insista, persista,
invista.
Sem nunca deixar
de ser realista.
Meu testamento é bem sucinto.
Não tenho bens, só deixo genes.
Sempre achei que te conhecia.
Por ti, até botava a mão no fogo.
Hoje que te desconheço,
enfim te conheço.
Primeiro dia de aula :
acreditar + confiar = se estrepar.
confabulando
''Que tristeza é essa, primo ?", indaga o grilo ao
gafanhoto.
"Estou triste mesmo. A natureza foi injusta comigo.
Me fez feio, não canto, sou visto como uma praga,
há até lugares em que viro petisco".
"Não exagera. Por outro lado, você é resistente,
conhece o mundo, e até voa !", pondera o grilo,
que prossegue :
"Veja eu. Sou minúsculo, vivo nos brejos, nas poças,
meu canto é irritante, e sempre de olho na língua cumprida
de algum sapo".
"Em compensação, os poetas te adoram...", suspira o gafanhoto.
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