segunda-feira, 4 de janeiro de 2021



                                         o vulto





Estou aqui como se já não estivesse.

Vivendo como se não vivesse.

Sinto que meu tempo já passou.

Tempo de fazer as coisas,

de ser útil.

Hoje sou apenas um vulto

que se esgueira por aí.

Que teima em continuar por aqui.

A despeito de não fazer mais falta.

De apenas existir.



 


                                   













 





                              memória 





O tempo leva a vida como o vento.

Todas as coisas que já morreram erigem

a vida sucateada.

Salvo a irrevogável memória 

dos tempos ditosos.

Que pairam como a última

pièce de résistance.





domingo, 3 de janeiro de 2021





Gostaria de iniciar 2021 num tom mais animador, mas 

não há otimismo que resista a tanta coisa ruim que se

acumula. Desde o recrudescimento da pandemia a essa

discussão esquizofrênica sobre a eficácia das vacinas,

passando pela falta de perspectivas de melhora no ambiente

econômico e político, o fato é que o ano novo começa sob o

signo do desânimo e da desolação.

Que não nos falte forças para seguir em frente, na crença

de que não há bem que sempre dure, nem  mal que

nunca acabe.








  

sábado, 26 de dezembro de 2020






O horror das guerras,das atrocidades, dos crimes hediondos,

nunca deveriam ser esquecidos.

Seus registros macabros deveriam constar do ensino escolar.

Para que as novas gerações não percam ainda mais 

o senso da realidade. 

Filmes como "John Rabe" deveriam ser obrigatórios nas aulas de história. 

Como exemplos do que há de pior e melhor 

na espécie humana.








                   aceitação




A aceitação das coisas como são.

Parindo amor, mágoa, morte.

Sina de criaturas carcomidas pelo verme da vida.

Feita de máscaras, farsas, trapaças.

Em dias crivados de enganos.

A linguagem das coisas castas 

consagradas ao inútil hábito de crer. 

Urdindo cada separação e cada véspera.

Em espelhos, ecos, epitáfios que ramificam na grande 

e insondável árvore das causas e efeitos. 

Nas tramas de vidro e ferro, tudo é cíclico.

Lobos e cordeiros bebem na mesma fonte.

A memória encolhe e se purifica na aceitação

saturada de lembranças.


 

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