Ó, dúvida cruel.
Não sei se como um doce,
ou um pastel
sangrando
Sangremos, pois, ante aqueles que perderam
os filhos, vivos ou mortos.
Sangremos, pois, ante os mendigos que encarnam
as misérias da vida.
Sangremos, pois, ante os aleijados, os cegos de nascença,
os suicidas, que herdaram os pecados do mundo.
Sangremos, pois, ante a desgraça dos desterrados, dos
retirantes e exilados, que morrem longe da pátria-mãe.
Sangremos, pois, ante os dias crivados de fatídicos
enigmas.
Sangremos, pois, ante cada sorriso apagado do rosto
de uma criança.
Sangremos, pois, ante os afetos e amores inconclusos,
e por fim, denegados.
Sangremos, pois, ante as coisas inocentes devoradas
pelo tempo.
Sangremos, pois, ante os machucados pela vida, os quais
a justiça não alcança.
Sangremos, pois, ante o luto dos amanheceres que a morte
não resgata.
Sangremos, pois, ante a natureza massacrada, as rupturas
que (se) partem sem partilhas.
Sangremos, pois, ante as fábulas desmanteladas
pelos torvelinhos do tempo.
Sangremos, sangremos, pois, até o infinito silêncio se
abater sobre o mortal genoma de tudo.
batalhas perdidas
A virtude contra a maldade
A sinceridade contra a falsidade
A força de vontade contra o vício
A dor contra a doença
O perdão contra o ressentimento
A piedade contra o ódio
A força contra a destreza
A verdade contra a mentira
A coragem contra a covardia
A confiança contra a traição
A vontade contra a acomodação
O bom senso contra a ignorância
A esperança contra a descrença
A fé contra a desgraça
A bondade contra a ingratidão
A paz contra a beligerância
O amor contra a violência
O bem contra o mal.
da calmaria ao tormento Mais cedo ou mais tarde, os dias de tormento chegam. E não há nada que s...