segunda-feira, 4 de outubro de 2021



                      antiuniverso





Dias rotundos retroagem 

à carapaça iracunda que divide a terra 

entre o humano e a besta.

Densas catástrofes anunciadas 

se expandem

nas arcadas vilipendiadas, 

em que a raça espúria se esgueira, 

entre sangue e ossadas.


Promontórios devassados, pontes tombadas, 

soerguem enigmas unidos a dor e ao prazer. 

Nascidos, provisoriamente, em ventres ungidos

na beatitude de sociopatas e genocidas.


O antiuniverso em franca expansão açambarca 

a dor e o prazer.

Novos braços se abraçam. 

Ao pecador previamente perdoado, tudo é permitido.

Queira o Senhor ou não.



  

sexta-feira, 1 de outubro de 2021




               a espera do que não virá



Não virá o dia com que sonhava,

isso eu sei.

Como sei que nada mudará o fato

de que continuarei esperando

pelo dia 

que não virá. 






                           a vida real



nos guetos

nas favelas

nos asilos

é onde se vive

a vida real

sem glamour

adulterada

nauseabunda

em que morrer

é o melhor 

que pode acontecer.






segunda-feira, 27 de setembro de 2021




Nada existe nada

fora do mercado de consumo.

Ou somos 

consumidores ou insumos.


 




Nada é por acaso.

Nem o acaso.

Cada caso é um caso.

Se tudo der certo

eu nunca mais caso.



                    O homenzarrão desfila

                    com seu minúsculo cachorro.

             A moça magricela se deixa arrastar

             pelo cão tamanho de um cavalo.

             O ser humano às vezes é patético.


Quando nasci, Deus disse :

este vai precisar 

de um anjo da guarda daqueles !


             Entre o dente e o palito

             estabeleceu-se um conflito.

             Nada bonito.







                     



             



quarta-feira, 22 de setembro de 2021




                         as razões do tarado






Sua presença, diria, avassaladora,

despertou em mim, a um só tempo,

os melhores e os piores instintos.

Quando entrou no elevador,

recém saída do banho - via-se pelos cabelos 

cacheados ainda molhados,

o bico dos seios quase furando a blusinha tipo

tomara-que-caia, 

bermuda e sandália daquelas de usar em casa,

o cheiro de sabonete de endoidecer,

e em que pese meu visível alvoroço,

meu coração disparar, 

e ela

sequer me olhar, 

reparar na minha presença,

mesmo sendo só eu e ela no maldito cubículo,

no qual não tirou os olhos do maldito celular, 

foi aí 

que entendi 

as razões do tarado. 

 






  



                    invernada





Nossas batalhas hoje são outras.

Nos despojos do tempo, as antigas conquistas e reveses

já não contam.

Nada ficou que se sustente, 

apenas o gosto amargo das perdas,

que a tudo se sobrepõem. 

Quando já não há pelo que lutar. 





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