Posso ser vários em um só.
Ao gosto do freguês.
Minha melhor versão guardo para mim mesmo.
apartheid
O horror da guerra, quem esteve e sobreviveu, nunca mais esquece.
O horror dos lares maculados pela violência doméstica,
traições, incestos.
O horror da fome, da miséria que recrudesce, neste Brasil
sem conserto e pelo mundo afora.
O horror do submundo do crime, do flagelo das drogas, de longe,
a raiz unívoca da degradação humana.
O horror das favelas, palafitas, buracos insalubres
que o ser humano divide com os bichos.
O horror da desigualdade, do grande e insolúvel apartheid
que condena a humanidade a conflagração.
causa perdida
Não se amofine. Não se desespere.
Desgraça pouca é bobagem.
Um plano logo se sobrepõe a outro plano.
Funde-se o gozo e a dor em erma permanência.
O ardil do árduo labor medra na mesma pedra
que a tudo transcende.
No existir que não existe, ser vário é imperativo.
Escroto, se for o caso.
Afinal, é o que o pântano da existência requer.
O defunto nem esfriou e já é esquecido.
Vender gato por lebre é a moeda corrente.
Mundo de Satan ou de Dieu, qu`importe ?
O desejo de amar se esgota no súcubo
das relações fluídas.
A nódoa congênita que tudo macula
nos torna uma causa perdida.
quase não sou mais eu
Quase não sou mais eu. A medida que o tempo
avança feroz sobre mim,
o distanciamento se expande
como matéria de conhecimento e expiação.
A solidão enlaça-me com a ternura de uma anaconda.
Vivo como um soldado que perdeu a batalha,
preso à memória do homem que fui um dia.
O amor que persiste em mim é a grade
de meu cárcere.
Fonte de toda angústia e melancolia
que movem os teares de minha entressonhada
mortalha.
É tempo de sacrificar o cordeiro redentor,
fazer por merecer
o mundo lavado de todas as infâmias.
Arrasto minha cruz comprada no cartão de crédito.
sou pródigo, mas nem tanto (recall) Agarro o azul Mastigando vidro Improviso de ouvido Fungando no cangote D...