o que somos ?
Se somos o que pensamos
Se somos o que comemos
Se somos o que queremos
O que somos, afinal ?
Pedaços de tolos enganos.
contrastes
Envelheço.
Aos duros contrastes me submeto
como quem vai para o cadafalso.
Eu tinha a ilusão de ser infinito
o sentimento que era meu escudo,
e quebrei a cara.
Mas ainda não perdi o prazer pelo jogo.
Meu viver é solitário, mas das fugas e sonhos
me libertei.
Ao temor de ser eu mesmo, me adaptei.
Na realidade de éter e de gesso,
tudo tem seu preço.
Pago de bom grado.
Sei que em breve serei descartado,
como tudo que já cumpriu seu papel.
Atitude
Quando, em poucos dias, seu filho mais velho manda você calar a boca e não se intrometer em seus assuntos pessoais; quando seu filho adolescente diz não dar 1% de importância a suas opiniões; e sua suposta namorada, com quem você se preocupa, gosta, e ajuda financeiramente, diz não haver nada entre vocês além de uma troca de favores, inevitável não se perguntar o quê está fazendo de errado.
E mudar de atitude.
o glorioso destino
de um mundo sem poesia
A fome, a miséria, carcaças apodrecendo a céu aberto
não rendem poesia.
Os hábitos, os vícios, os gostos modernos não rendem poesia.
Os eternos conflitos hegemônicos e étnico-religiosos,
não rendem poesia.
A nova escala de valores da pós-modernidade não rende poesia.
O recrudescimento de estupros, violência doméstica
e discriminações de toda espécie, não rendem poesia.
A crescente desigualdade social, a falácia político-religiosa,
a manipulação midiática, não rendem poesia.
O exibicionismo, a ostentação, as aberrações, os golpes,
as fraudes, em suma, as mazelas do mundo digital
não rendem poesia.
Grandes transformações abarcam e tangem a humanidade
para seu glorioso destino.
Em que a poesia não é mais necessária.
Nem o amor, à venda na Internet, como tudo que é descartável.
a lógica dos sociopatas
Acima de toda e qualquer coisa, a vida é uma sucessão
de enganos.
De engano em engano o coração desenganado vai se despetalando,
às fraquezas e desalentos se entregando,
marcado para sofrer,
se esvaindo como um veio de água escorrendo pela encosta.
Enganamo-nos com tudo e com todos.
Entre doces ruínas mortas
edificamos caminhos de ternuras idiotas.
O amor germina e acaba como tudo que é inapreensível.
Uma coisa é viver a vida, a outra é estabelecer condicionantes
para a felicidade. Como os laços afetivos, que são os
que mais nos ferem e decepcionam.
Gasta-se o tempo construindo quimeras autofágicas.
A busca de nós mesmos rói e escalavra
o sentido das coisas.
Vivemos num mundo de mentiras que vende a doença
como cura.
Em que o lema é subornar a permissiva consciência.
Em nome da sobrevivência tudo é válido.
Enganando os outros, enganando-se.
A verdade de cada um investe contra a verdade do outro.
Pouco importa estar com a razão ou não.
A razão do mais forte, do mais poderoso, sempre prevalece.
Quando não da truculência.
Para estes, os enganos não contam.
Sob a lógica dos sociopatas.
da calmaria ao tormento Mais cedo ou mais tarde, os dias de tormento chegam. E não há nada que s...