Afago a tua ausência
como quem
suborna a solidão.
A saudade se alastra
dia adentro.
Esquivando-se da tristeza.
Saber reerguer-se
e a cada passo, ir além das estradas
de ontem,
e os vazios de hoje.
Para abraçar o novo.
o que importa é a essência
Não queira ser o que não é.
Não inveje sequer a formosura alheia.
Pois o que importa é a essência.
Nenhuma beleza se sustenta além do tempo.
Mas o que vai por dentro, sim.
Não queira ser como a rosa,
que impera bela e radiosa enquanto no jardim.
Mas quando posta num vaso,
logo murcha e morre.
E como tudo na vida,
é jogada fora.
matar ou morrer
Saiu menino de manhã.
Voltou homem à tarde.
Com amargura viçosa nos olhos.
O rosto acometido de escamas.
Forte de detritos e exímio em bordas de estradas.
De tão cedo que abraçou o mundo,
ninguém o reconhece mais.
De profissão de natureza esguia.
Raskolnikof talhado em sabedoria iletrada.
O pai o quereria morto.
Já a mãe fingia não ver.
O homem baldio.
Que cresceu na condição de matar ou morrer.
Resto anuroso de pessoa.
Cansado de ser ermo.
Sem um verme que o iluminasse.
um corpo cheio de alma
Envelheço.
Fugas, distrações, atos heroicos, onde me encaixo ?
Aos duros contrastes me adapto.
Acordo para o que finda.
Não busco mais o ilibado.
Me acostumei aos malfeitos.
Os desafios dispenso.
Aprofundo minhas raízes com o simples propósito
de ser mais forte do que a dor
que me aborda.
De me penitenciar ou rezar o terço prescindo.
Não almejo ser outra coisa que não um corpo
cheio de alma.
Capaz de tudo, inclusive de nada.
o estagnar do estafermo
O inexistente aperfeiçoa o nada.
Eludem as coisas que não representam nada.
O lodo das estrelas, sarjetas cobertas de heras,
retratos de formaturas.
O arremedo encarde crepúsculos.
Nada endireita o que nasceu torto.
O livro de São Cipriano ensina como lidar.
Exceto o estagnar do estafermo.
A função da vida é exerce-la.
Pero isso até as pedras fazem.
No lugar do breve há só o espanto.
Brochuras não vingam em arcanos mentais.
Errante e preso, eis o vareio do saber.
Dizer nem uma coisa nem outra.
A fim de dizer todas as coisas ou nenhuma.
Reaprender a errar é um convite a ignorância.
Uma certa luxúria a liberdade convém.
Há que se dar um gosto incasto à vida.
Enquanto o nada acontece.
mágica
O dinheiro faz mágica
até quando acaba.
Faz pessoas desaparecerem.
Quer saber quem realmente
lhe quer bem ?
Comece a dizer não.
Quando alguém lhe virar as costas,
não vá atrás. Agradeça.
Um encosto a menos.
Às vezes a melhor maneira
de resolver um problema é ignorá-lo.
Quando o seu melhor
não bastar,
tente o pior.
da calmaria ao tormento Cedo ou tarde, os dias de tormento chegam. E não há nada que se possa fa...