sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023



                   anacrônico ou cômico ?


Passou um vento rasante,

levantando a saia da mocinha.

Para alegria dos passantes.


                    Tua boca me diz uma coisa.

                     Os olhos dizem outra.

              E o coração, que é bom,

              não diz nada.



Quando penso que tudo o que eu queria

era ter você só para mim,

me dou conta de quanto sou anacrônico. 

            Ou cômico.


             Bandas já não passam.

             Mas bundas é o que não faltam.






 




              amor que vela e abandona



Desolados, nos despedimos.

Eu querendo que ela ficasse.

Ela querendo ficar.

Dentro de nós, o amor que vela e abandona

se faz de desentendido.







Assim são os segredos.

Repletos de medos.


                     Se vivo, ninguém me ouve.

              Se morto, ninguém se importa.

              Vão se ferrar !


Que importa

abrir ou não a porta

se não há ninguém 

para entrar ?








 




 




                    dúvidas



E se tudo for o contrário do que eu penso ?

E se tudo em que acredito é no mínimo discutível ?

Afinal, quando a punhalada vem de quem menos se espera,

como não duvidar de tudo ?

Maculado aquilo que se tinha de mais sagrado,

valerá a pena se arriscar de novo ?






              vilão de mim mesmo



Fiz de mim alguém distante dos grandes planos.

Sem nunca decompor a ilusão das formas.

Não me orgulho do que me tornei.

Vilão de mim mesmo.



 


                        

                    quimeras



Quem sonha não imagina

a vida repuxada de âncoras.

Mãos ferozes girando a manopla dos densos mistérios.

Que movem as dobras do tempo.

Nada se perde ao morrer o plano sem rumo.

Descolado da realidade doentia que sorve as quimeras.

Sem as quais a vida não cheira nem fede. 



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