sexta-feira, 9 de junho de 2023



                  a arte de viver



Viva tudo o que puder, enquanto puder.

Nada mais triste do que chegar a velhice

e concluir que viveu uma vida de merda.

Aproveite, explore, curta, de preferência sem perder

o bom senso. Loucuras, só ad hoc.

Estude, trabalhe, pois nada vem de mão beijada. Nada

que tenha valor.

Seja correto, baseie-se pelo certo, mas não seja refém

dos sentimentos.

Lembre-se, o caminho não é só para ser percorrido, 

mas contemplado.

Cuidado com os extremos, deguste todos os sabores

mas não morra pela boca.

Celebre o prazer mas priorize a qualidade de vida.

Seja bom sem ser tolo.

Abdica de entender, em prol da arte de viver.







 




 



quinta-feira, 8 de junho de 2023


                             luz e escuridão




Um gato preto dança na chuva,

enquanto as nuvens se despedaçam.

O vento sussurra segredos

que só os loucos entendem.


O relógio derrete no pulso

em meio aos dias que se desfazem em fumaça.

O tempo passa como borboletas

quem voam para longe, sem olhar para trás.


A cidade é um labirinto sem fim

onde as ruas se transformam em espelhos

e os prédios são monstros adormecidos

que acordam no meio da noite.


O sol é uma laranja flamejante.

Que queima a pele e cega os olhos.

A lua é um farol misterioso

que ilumina a terra com sua luz prateada.


A floresta é um oceano de sombras

onde as árvores sussurram segredos antigos

e os animais são espíritos livres

que dançam ao redor da fogueira da vida.


No jardim dos sonhos perdidos,

as realidades de cada um se antagonizam,

como luz e escuridão.






quarta-feira, 7 de junho de 2023

 



refúgio de uma alma cansada


Nas asas da imaginação me lanço

Na sutileza das palavras me enlaço

Sopra o espírito com língua bendita

Os versos que meu coração dita.


Crio paisagens e emoções que se entrelaçam

Numa teia mágica que minh'alma abraça

Suscitando os ritos misericordiosos

Que atravessam noites e alvores.


São suspiros de amor e saudade

Revelados em cada estrofe humilde

Os versos fluem como um rio sem fim

Transportando-me para além de mim.


Nas entrelinhas desvendo segredos

Ecos de histórias e seus enredos

Palavras que em mim se digladiam

Como ardentes desejos que se irradiam.


A poesia é a voz da minha alma

Refúgio de uma alma cansada.

Bálsamo que acalenta o pensamento

Na dança eterna do tempo.


Em cada verso me abro

Em cada verso me entrego

Em cada verso me perco de mim

Por que Deus me fez assim ?





terça-feira, 6 de junho de 2023


                           abraço de tamanduá





 

Em face de tantos disfarces,

o inesperado

bafeja e escarva os terrenos baldios da alma.

Encardidos restos impregnam o entendimento

que gentilmente nos ignora.

Os miasmas dos despojos merencórios circundam 

o vazio que chicoteia a memória.

O tempo de pensar-se emerge quando a visão do perdido

se anela 

em mãos sujas de erros e pecados.


Bendito aquele que se detém diante do caminho 

da mútua compreensão,

e com o espírito desarmado, estende a mão.

Serão muitos, serão poucos, quantos serão ?

Nunca, ou eventualmente, saberemos.

Em meio aos dias carbonizados, bruxuleiam os dilemas

que mal e mal compreendemos.

Ao redor dos quais, a vida nos acolhe

com seu abraço de tamanduá.








                       amar nunca é em vão





Enxugue as lágrimas

Apascenta o coração.

Por mais difícil que seja

Ouve a voz da razão.


Lava o espírito

que outros amores virão.

Ou não ! 


Creia, por maior que tenha sido 

a desilusão,

amar nunca é em vão.



domingo, 4 de junho de 2023


                      a náusea de viver



Em algum lugar há alguém que vai cruzar seu caminho,

e marcá-lo para sempre. Para o bem ou para o mal.


Em algum momento a vida vai partir-se ao meio,

parindo mágoa, morte, dor.


Em algum passo em falso, a sorte vai te abandonar como

um cavalo em pânico.


Nos dias que se abrem e repartem,  há que reaprender 

a liturgia dos símbolos. 

A oferenda da liberdade e do livre-arbítrio.

Contornar as armadilhas da carência.

Aprumar-se ante as vertigens do sexo.


A cada nova situação, um novo enfoque a trabalhar-se.

Adequar-se ao rude ofício, não se intimidar com o uivo

do lobo, o bramido do tigre, que nos espreitam

ao longo da labuta inclemente.


Há sempre muito à aprender.

Às vezes, aprendendo a desaprender.

Abandonar as crenças infundidas.

As virtudes corrompidas.

O amor conspurcado.

Refazer-se da mágoa de existir.

Renascer no esgar dos sentimentos exauridos,

num contemplar-se quase obsceno.

Posto que a vida carece de ser um pouco suja.


Na aventura renovada, refazer-se para ter olhos para ver.

Renunciar às pantominas dos dramas.

Afeiçoar-se àquilo que escalavra e corrói.

Dar outro sentido para o que não tem sentido.

Da pedra colher uma flor dura.

Encontrar-se nas coisas possuídas sem segredos.

Para suscitar outros desejos, a despeito

da náusea de viver.












                                  

                              creia



Creia, amor, não vai ser fácil me esquecer.

Em tudo, um pouco de mim vai permanecer.

Do modo como te tratava.

De como me empenhei para dar certo.

De como te amei, de um modo como ninguém

mais vai te amar.

Das coisas que te dei.

E sobretudo, do que ainda iria te dar.


Creia, amor, não vai fácil me esquecer.

Por um bom tempo, você vai se questionar,

se lamentar, ver o orgulho aos poucos derreter,

até admitir o quanto errou.

Do quanto perdeu.

Do quanto vai penar até se habituar 

a minha ausência e tudo o que representei.


Creia, amor, 

ninguém ama impunemente.


   




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