quinta-feira, 19 de junho de 2025




Lentamente, aos poucos,

o amor vai nos abandonando,

como um barco que se afasta do porto.


Razão da aflição, da agonia 

que habita o coração de quem vê tudo

a contragosto desmoronar.


Por conta desse sentimento que compõe, dispõe,

impõe seus ácidos enredos.

Cujos enigmas não consigo decifrar.


Devagar, calmamente, o sol declina, o dia expira,

sem que nada de especial tenha acontecido.

Mais um dia sem te ver, mais um encontro adiado.

Reluto em admitir que talvez não sintas 

o que eu sinto.

Que não sintas a minha falta como sinto a sua.

O que explica esse distanciamento

que, afinal de contas, tanto me angustia. 


Já não aguento essa situação.

Chega de enganar o coração.

Chega de deixar que esse amor

unilateral ofusque a razão.

Hora de deixar ir, deixar partir.

Como um barco que se afasta do porto

lentamente. 












 































quarta-feira, 18 de junho de 2025

                         a máscara




A vaidade é a máscara atrás da qual

escondemos o que realmente somos.

Maquiagem, procedimentos estéticos, penteados

e roupas extravagantes, tatuagens, 

vale tudo para chamar a atenção.

Tudo disfarce, todos querendo ser mais do que são.

Esconder o que só entre quatro paredes revelam.

O verdadeiro eu.

Os defeitos.

A falta de caráter. 

Para compensar o que não se compra.

Os fracassos.

As mentiras.

A hipocrisia.

Como você, amor.

Uma fodida metida a besta.

Como eu, outro fodido,

querendo enganar o tempo.


Sim, é bom se cuidar, ter vaidade,

faz bem a autoestima. 

Mas, veja lá, sem perder a noção das coisas, 

o senso do ridículo.

Para que quando se olhar no espelho,

não ver uma miragem, um estranho.

Uma caricatura de si mesmo.



 


terça-feira, 17 de junho de 2025



                        o leão e a gazela



Não me canso de admirar

a morena que me ignora.

Jeitosa, dengosa, 

passa sempre pela rua onde moro.

Passa distraída, nem imagina

que fico sempre a espreita-la. 

Como um leão de olho na gazela,

nas savanas do Serengeti. 


Ah, morena, sonho com o dia

que a sorte me sorria.

E enfim repares em mim.

E vislumbres o quanto te quero. 

E finalmente possamos nos conhecer melhor.


Ah, morena,

jeitosa, dengosa,

me amarro em você.

Posso ser tudo o quiser.

Até casar eu caso, se for o caso.

Basta você querer.

Basta você reparar em mim.

No quanto te quero, como um leão 

de olho na gazela, 

nas savanas do Serengeti.


*letra de música





                          

                                    despojos



O mundo de amor e ódio me espreita.

Que sortilégios ainda aguardam meus dias ?

Se sonhos e expectativas já deixei para trás ?

Meu céu é de solidão e conformismo.

Nada mais espero, a não ser 

a benção de uma morte tranquila.  


Assim como passaram meus pais, o tempo

em que tudo queria e podia, 

hoje cumpre resignar-me com os despojos

dessa venturosa jornada.

Nem por isso ruim, muito menos triste.

Guardadas as devidas proporções,

minha realidade nada deixa a desejar. 

Sou feliz a minha maneira.

Reconfortado pelos momentos mágicos já vividos,

bem como outros que ainda estou vivendo.

Porque a vida pode ser mágica e trágica,

e ainda assim espalhar dádivas

a cada manhã, de todo irreverente.





segunda-feira, 16 de junho de 2025


                     o presente do presente



 


               




Eu vivia do passado. 

Vivendo do passado.

Saudoso das coisas que se foram.

Inconformado pelo que perdi.


Vivia amargurado.

Atrelado as coisas de outrora.

Que eram o meu parâmetro.

Querendo o que já não podia ter.

O que já não existia.

E por não mais existirem,

parecendo melhor do que foram.


Porque insatisfações sempre existiram.

Tristezas e decepções são uma constante na vida.

Fazendo com que nos refugiemos no passado.

Quando não conseguimos lidar com o presente.


Mas, graças a Deus, consegui superar.

E mais que isso,

desfrutar de um verdadeiro tesouro.

Meus filhos.

Meu orgulho.

Os dois que já criei.

O meninão que ainda crio.

E este filho temporão

que me fez reviver emoções passadas,

mas com os pés no presente maravilhoso.

O presente do presente.

Que faz meu velho coração transbordar 

de ternura.


Gracias a la vida que se restaura

a cada amanhecer.

E nada mais a dizer, a não ser

agradecer.





domingo, 15 de junho de 2025


                 o amor não deixa barato




Não há simetria no amor.

Um sempre sente mais que o outro.

Sofre mais.

Ama mais.

Alguém sempre se ferra.


O amor nunca é igual.

Alguém sempre se doa mais.

Se sacrifica mais.

E nem poderia ser diferente.

Cada um tem seu jeito de ser.

E o que somos, é como amamos.

Pessoas maduras, equilibradas,

amam melhor.

Pessoas instáveis, geniosas,

desfiguram o amor.


O amor exige muito.

É uma busca constante de paz e harmonia

em meio a turbulência.

Nada do que se faz é o bastante.

Não há simetria no amor.

Porque não basta fazer quando o outro

não reconhece.

Porque não adiante esperar reciprocidade

de quem não consegue dar.


A métrica do amor não se mede com  palavras,

mas com ação, atenção.

Eu te amo é fácil falar.

Demonstrar são outros quinhentos.

Cobrar é fácil, retribuir é que são elas.

O amor nunca é igual.

Muda conforme o tempo, a idade,

as fases.

E às vezes nem amor é.

Interesse, conveniência.

Tudo tem seu preço.

E existindo ou não,

o amor não deixa barato.













terça-feira, 10 de junho de 2025


                    um homem ou um rato ?






Tudo o que eu queria era não ter que pedir.

Tudo o que eu queria era partir de você

a iniciativa de me procurar, de me ver.

De demonstrar que sente minha falta, 

como sinto a sua.

Mas qual o quê. 

Não sei se por orgulho,

ou pior ainda, indiferença, 

você some, fica dias sem dar notícia.

E só reaparece quando precisa de alguma coisa,

pedir algum favor, 

ou um de seus famosos pedidos de empréstimo,

que já viraram até motivo de piada.

Pois nunca devolve nada, muito menos a atenção

e o afeto que lhe tenho.


E ai de mim se reclamar, cobrar qualquer coisa,

ignorar o quanto és ocupada, e eu,

só falta dizer, um chato de galocha.

Rapaz, se liga, penso comigo, 

sai dessa vida,

deixa de se humilhar por alguém

que não está nem aí para você.

Vai procurar quem te queira, que te respeite,

ou fica na sua.

Pois nada nem ninguém é mais importante

que a tua paz. 

Não insista, não seja chato.

Afinal, és um homem ou um rato ?



* letra de música 







 

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