segunda-feira, 4 de maio de 2026

 

                                  tudo passa


As coisas nunca são como a gente quer.

Mas seja como for, aconteça o que acontecer,

tudo passa.

Não lamente. Não se desespere.

Às vezes, dar azar é a maior sorte.

Amores, dissabores : há que aprender a lidar.

Aprecie a vida como uma boa cerveja, 

com calma e moderação.

Nem tanto ao mar,

nem tanto a terra.

Procure encarar as coisas com leveza

e clareza.

Para que nada

ofusque

a magia e a beleza de viver.



  



sábado, 25 de abril de 2026

 

           "O amor, entre duas pessoas inteligentes,                     não dá certo"



A frase atribuída a Fyodor Dostoevsky é provocativa — mas não deve ser lida ao pé da letra. Ele não está dizendo que o amor verdadeiro exige alguém “burro”, e sim questionando o excesso de racionalidade nas relações.


Para Fyodor Dostoevsky, o amor envolve entrega, vulnerabilidade e até uma certa perda de controle. Duas pessoas “inteligentes” no sentido frio — calculistas, orgulhosas, sempre protegendo o próprio ego — podem ter dificuldade de amar porque estão sempre analisando, desconfiando, medindo riscos. O “idiota”, aqui, é aquele que ousa sentir sem garantias, que se permite amar mesmo correndo o risco de sofrer.


Isso aparece muito nos personagens dele, como em O Idiota, onde o protagonista, o príncipe Míchkin, é visto como “idiota” justamente por sua pureza, empatia e capacidade de amar sem malícia — algo raro em um mundo cínico.


No fundo, a frase critica a ideia de que podemos controlar tudo, inclusive o amor. Amar exige um tipo de “loucura consciente”: abrir mão da segurança absoluta para viver algo real.


Então talvez a pergunta não seja se é preciso ser “idiota” para amar, mas: até que ponto a inteligência — quando vira defesa — impede alguém de se entregar de verdade? 


#Filosofia #Dostoiévski #Amor #Reflexão

sexta-feira, 24 de abril de 2026

                             

                          apoteoses de ilusões


             

Eu sempre soube que você não é confiável.

Abandonei a razão para viver

a mais precária mentira.

Profundo e imundo, meu coração

acostumou-se a ódios e insultos.


Somos opostos que sarabandam apoteoses

de ilusões.

Tudo entre nós remonta a alucinações

cruciantes.

Minhas culpas e teus desatinos se entretecem 

em desentendimentos crônicos.

Findo o encanto, o que sobra são os defeitos.

Quando se ama, dorme-se como um rei,

e acorda-se como mendigo.





                    o fim do amor


O fim do amor é sempre triste.

Mas também pode ser uma libertação.

Quando o coração já não aguenta

tanto desgosto e provação.


Te amei loucamente, mas você nunca

retribuiu.

Mesmo assim, me sujeitei a tuas regras.

Aceitei o inaceitável.

Me sentindo culpado por sentir em excesso.

Como se o afeto precisasse ser dosado.

Mas como tudo que não dura é farsa,

o que ficou para trás finalmente

encontrou seu lugar.

Quando percebi que não valia a pena

tanto esforço para caber no teu mundinho.

Quase me desculpando por te amar.

Estou indo. 

Reconciliado comigo mesmo.

Precisei te perder para me encontrar.























                            passado sem futuro



Entre muros e memórias

edifico minha história.

Sem pompa nem glória.

Venturosa e atribulada trajetória.

Que se desfaz no limbo 

das paixões merencórias.


De há muito esqueci-me de quem sou.

A despeito de o coração pulsar pelo afeto

que não dura.

Presciente, como um passado sem futuro.

Meu avesso desce das estrelas, lúcido e frio.

Para que ninguém chore por mim

quando eu partir.



 

 







segunda-feira, 20 de abril de 2026



                        não quero mais amar


Não quero mais amar

Mas posso muito bem fingir 

De repente, pode ser até melhor

Sem cobranças, ciumeiras

Essas coisas que só atrapalham.


Tudo o que é demais, sobra

Ando cheios de vazios

Sinto remorso, mas faria tudo de novo

De outro jeito

Refeito, entre compensações e desenganos.


Eis meu coração

Deponho a respectiva chave

Nada mais tenho a dar

Além de uma esperança que já não tenho.





segunda-feira, 13 de abril de 2026


                               antagonismos



Em tempo se percebe que há tarefas

que jamais serão cumpridas. 

Que todo esforço se desfaz diante do austero

breviário de desilusões e desatinos.

Nunca se sabe o momento da mudança irreversível.

Quando o amor não mais compartilhado

se avilta

de tal forma

que nem o perdão se torna mais necessário.


O que parecia divino

dura o tempo que duram as fugazes magias.

Fazer durar em meio a tantos antagonismos

é como tatear às cegas.

Arriscando-se a tudo.

Sem certeza de nada.



Postagem em destaque

                       em causa própria Abri a porta do coração  e a solidão se instalou. Como um novo amigo que inventei. Veio para levar ...