em paz comigo mesmo
O dia em que eu não mais tiver olhos para o belo. Reparar na beleza do mundo.
O dia em que eu não puder fazer o que gosto, o que me dá prazer. Das coisas mais simples as obscenas.
O dia em que eu não sentir mais vontade de preparar algum prato especial para alguém especial, ou para mim mesmo. Com direito a um vinho escolhido a dedo.
O dia em que eu não reparar numa bela mulher passando, não arriscar um flerte, não cobiçar seu belo traseiro.
O dia em que eu não sentir mais vontade de vender meu peixe, literalmente falando, não perpetrar essas mal- traçadas que ninguém lê mas que são como o ar que respiro.
O dia em que eu acordar sem atentar para o canto amigo dos pássaros, e não agradecer mentalmente por tudo que tenho e desfruto.
O dia em que eu não for mais capaz de amarrar os cadarços dos sapatos, de limpar a própria bunda.
O dia em que eu olhar no espelho e não me reconhecer.
Bom, aí eu desejarei partir ou já terei ido desta para melhor. Talvez sem querer. Talvez sem saber.
Mas em paz comigo mesmo.
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