domingo, 27 de setembro de 2026


                         pixel sem tela


Onde fomos parar...

Todo mundo procurando algo real no mundinho virtual.

Buscando parceiros em relações superficiais.

Trocando de pretendentes como num cardápio surreal. 

Acreditando que exista alguém ali, sem filtro, 

scrollando rostos como quem compra e vai comparando.

Gente vaidosa, carente, alguns desesperados,

doentes, opções não faltam nessa grande latrina.

O mundo digital virou vitrine,

onde tudo se expõe e vergonha é coisa

de outrora.

Influenciadores proliferam, com roteiro

decorado e áudio editado.

Vale tudo para vender produtos e cursos

com conteúdo copiado.

Todo mundo é expert, todo mundo tem opinião.

Comentário raso vira debate, ninguém entende

nada de nada mas crucifica os outros 

como se fosse o dono da verdade.

O que não falta é gente feliz, em paz, viajando,

casais perfeitos, 

enquanto a vida real é a bagunça de sempre.

Um caos organizado e mal disfarçado

de uma vida em que ninguém sabe direito 

o que está fazendo, é tudo improviso

e a gente vai vivendo.


Fingir que está tudo bem é o lema.

Tiro por mim.

Acordo, já pego o celular antes mesmo

de abrir o olho,

checo quantos curtiram meu jantar de ontem,

a foto do por do sol, quando eu, na real,

estava ali sozinho, tentando mostrar para todo mundo

que estou vivendo mesmo, ah, coitado de mim.

Vendo vídeo de um conhecido passeando em Dubai,

outro tomando vinho na Toscana,

enquanto tomo suco de caixinha na cama.


Mas tudo bem, aqui vai meu brinde, 

sem pose, sem holofote, à pachorra da vida normal.

Rir de mim mesmo é o único remédio real.

Sou só mais um pixel sem tela do circo digital.





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