sexta-feira, 15 de maio de 2026



                       modo avião                        


Apaguei as mensagens

Tirei dos contatos

Excluí das redes sociais 

Te esquecer virou minha prioridade

Fingindo que não sinto mais nada

Liguei o modo avião

Mas o coração continua conectado.


Deletei suas fotos

Jurando para mim mesmo 

que não estou mais te amando

Não tem textão que mude o que aconteceu

Meu erro foi achar que o seu mundinho

cabia no meu

Disse que me amava mas só me usou

Nosso amor não merecia acabar assim

Só me resta aceitar o fim.


postou no story com o copo pro alto

Sorrindo e dançando como se nada tivesse acontecido

Mas conheço bem esse teu jeito, quando está disfarçando

Beijando outra boca, mas em mim pensando


tá na balada com seu plano B

E eu aqui lutando para te esquecer

Tua falsidade tira minha paz

Me diga, como é que um "para sempre"

vira "nunca mais ?"




 

quinta-feira, 14 de maio de 2026


                 o amor mais bonito



Não tem choro, não tem textão.

Já não sinto raiva, não sinto mágoa, não sinto nada.

A indiferença tomou conta do meu coração.

Não há mais espaço para novas tentativas.

Tantas já foram as despedidas.

Nosso amor foi lindo enquanto durou.

Mas não resistiu ao desgaste.

A vida nos chama para palcos diferentes.

No rastro de afeto que por tanto tempo nos uniu,

cumpre agora deixar tudo para trás.

Sem mágoa, sem ressentimentos.

Olhando para frente e torcendo para o outro

ser feliz.

O amor mais bonito é aquele que sabe soltar.




 

 

                     velhos erros         


O relógio avança

Rostos apagados

Memória gasta

O som do nada

Ecoando no vazio

Velhos erros me perseguem


Passos lá fora

Mas ninguém chega

Olho para o teto

Sou só eu

E o quarto escuro

O relógio avança

O silêncio ocupa

Os meus vazios

Esqueci sua voz

Onde havia nós

Só há poeira

E um vento frio lá fora.



terça-feira, 12 de maio de 2026


 

               sou pródigo, mas nem tanto (recall)

            


Agarro o azul

Mastigando vidro 

Improviso de ouvido

Fungando no cangote

Das meias palavras.


Meu dilúvio me incendeia

Sou pródigo, mas nem tanto

Há densidades que não habito

Nem cogito

Deus nem sempre sabe o que faz.


Nas dobras do tempo

Os sentimentos se misturam

Melancolia e paz

A cada história interrompida

Tudo ressoa dentro de mim

como se não tivesse fim

Como se tudo

Já não tivesse acabado.



segunda-feira, 11 de maio de 2026


                       em causa própria



Abro a porta do coração e a solidão me abraça.

Como um novo amigo que inventei.

Vem para levar o que o tempo não apagou.

Lembranças que não sei onde guardar.


Mudo e desnudo, mergulho no silêncio para

me encontrar.

Não é desespero, é só uma pausa necessária.

Uma conversa serena, uma prece solitária.

Vivendo só o agora, sem tristeza nem urgência.

Enquanto busco minha essência.


A casa está quieta, do jeito que eu gosto.

É bom não ter que me justificar, dar explicações.

Conquistei o direito de desfrutar

desse tempo ocioso, sem culpas, sem planos.

Desapegado do ego e do gênero humano.

Demorou, mas hoje sou dono da minha

própria vida.

Só em meu canto, com meu canto.

Sem fingimento, nem preguiça.

Apenas e tão somente, me fazendo justiça...





quinta-feira, 7 de maio de 2026


                               romance sem filtro


Não é sobre ser educada e culta.

Não é sobre ser carinhosa, compreensiva.

Tem a ver com coisas que não se explicam.

Como esse teu jeito meio selvagem.

O modo como a gente se entende, sempre 

o mesmo roteiro sem nexo.

Tem a ver com viver entre o caos e as delícias

que escondes entre as pernas.

Com o nosso jeito torto que se revela perfeito.

Com o romance sem filtro, a vontade de não estar

em outro lugar. 


Entenda, 

não se trata de racionalizar, comparar,

e muito menos entender.

É um amor sem nome, sem legenda.

Que não precisa que ninguém entenda.

Sem glamour, apego, sequer planos.

A gente só vai ficando, cada qual com suas

necessidades e interesses.

Sem mapa, sem rota, nem contrato assinado.

É parceria de asfalto, sol e poeira.

Que não cansa de subir ladeira.

Entretido entre ir e vir. 

Na paz de não precisar fingir.










 



 






                                         roteiro mal-escrito



Vai a luz, fica o frio.

Nosso silêncio é cheio de vazios.

Onde foi que nos perdemos ? 

Se era tanto, por que acabou em nada ?


Ah, que saudade daquilo que não vivemos.

Ah, essa mania de não esquecer

das tantas coisas que ficaram por acontecer.

Do tanto de nós que cansei de buscar,

nesse inventário que no tempo se perdeu.


Olha, eu cansei de você me fazer de otário.

O nosso amor foi um roteiro mal-escrito, 

sem a menor chance de dar certo.

Vaza, e não esqueça de pegar as tralhas.

Depois apaga a luz e pode levar o gato.

Só deixa na estante

aquele nosso retrato...



                                 


                            castelo de areia


No fundo, você é a menos culpada.

O engano foi meu, ao querer moldar alguém

que nunca quis mudar.

Eu decorei teu riso, o teu jeito de andar,

fiz do teu abraço o meu lar.

Mas construí um castelo de areia para abrigar

um amor que nunca existiu.

Fui o príncipe de uma história que eu mesmo inventei.


Engraçado como a gente às vezes finge não ver.

Eu amei o que eu queria que você fosse.

Não tardei a descobrir quem realmente você é.

Te dei o meu melhor mas o teu melhor sempre 

foi uma mentira.

Hoje, sinto dizer, o amor que eu tinha, 

você mesma destruiu.

Azar o meu, quem mandou acreditar em quem 

nunca nada prometeu.











 




[Introdução instrumental]








Desejaria ser pacífico, amável, sem mistificações.

Ser presciente e maduro.

Prestimoso como a terra podre e fecundada.

Desejaria ser íntegro, digno, perdurável na arte de amar
e de ser amado.

Ser aquele que ainda se importa e não se corrompe.

Ser o galho partido que se refaz no caule.

Ter olhos e ouvidos capazes de ver e ouvir.

Ser a poça que reflete a lua, o brejo dissoluto, o barco
que regressa cheio de peixes.

Desejaria ser capaz de olhar para a vida como saído
de um coma.

Ser capaz de sentir alegria e saudades por coisas que
já não importam. Coisas que já foram tudo.

Queria ser capaz de me limpar das infâmias, dos males que
causei, e ainda causo.

Queria deixar de ser estúpido, ignorante, presunçoso.

Estar disponível para ouvir. Ter a humildade de aprender,
pedir desculpas, voltar atrás.

Quisera me reconciliar comigo mesmo, antes que seja tarde.

Quisera aprender a amar direito, antes tarde do que nunca.

Descobrir que não me falta nada, me sentir de bem com a vida.

E seguir em frente sem olhar para trás.

Forte e frágil como uma criança

terça-feira, 5 de maio de 2026

                       

                   da calmaria ao tormento



Cedo ou tarde, os dias de tormento chegam.

E não há nada que se possa fazer para evitar.

A vida engana a própria vida, assim como nos enganamos

com as pessoas.

No dilema sujo que nos consome,  tudo em que 

é possível acreditar morre ao fim de cada dia.


Te dei o meu melhor, mas não foi suficiente.

E da calmaria ao tormento, foi só uma questão de tempo.

Na maldição de amar, a beleza fecunda as dores,

para viver num mundo em que 

os próprios desenganos

são um engano.


Por tudo que me foi caro e inesquecível, sigo grato.

Os velhos ressentimentos, carcomidos de tolices,

não me afetam mais.

Quero a memória bem viva 

para lembrar que na minha vida

a beleza e a doçura 

venceram a amargura.




segunda-feira, 4 de maio de 2026


                           chega mais


Chega mais, irmão.

Hoje é dia de pagode e de cerveja.

Só sofre sozinho quem quer.

Se a tristeza aparecer,

a gente canta e bebe até esquecer.


Se a vida tá complicada,

nada dá certo, 

e o amor deu ruim,

chega mais, irmão, 

vem curar tua solidão.

O coração machucado,

cansado de ser enganado,

abraça os amigos,

esquece o cansaço.

Só quer brincar.

Hoje é dia de sorrir e brindar. 


No cavaco e na palma da mão,

o tamborim marca o compasso,

o pandeiro dá o tom.

Samba é festa, alegria.

Faz bem ao coração.

Mostra o caminho.

Da amizade, do amor, da paixão.


* letra de samba/pagode







 




 

                                  tudo passa


As coisas nunca são como a gente quer.

Mas seja como for, aconteça o que acontecer,

tudo passa.

Não lamente. Não se desespere.

Às vezes, dar azar é a maior sorte.

Amores, dissabores : há que aprender a lidar.

Aprecie a vida como uma boa cerveja, 

com calma e moderação.

Nem tanto ao mar,

nem tanto a terra.

Procure encarar as coisas com leveza

e clareza.

Para que nada

ofusque

a magia e a beleza de viver.



  



sábado, 25 de abril de 2026

 

           "O amor, entre duas pessoas inteligentes,                     não dá certo"



A frase atribuída a Fyodor Dostoevsky é provocativa — mas não deve ser lida ao pé da letra. Ele não está dizendo que o amor verdadeiro exige alguém “burro”, e sim questionando o excesso de racionalidade nas relações.


Para Fyodor Dostoevsky, o amor envolve entrega, vulnerabilidade e até uma certa perda de controle. Duas pessoas “inteligentes” no sentido frio — calculistas, orgulhosas, sempre protegendo o próprio ego — podem ter dificuldade de amar porque estão sempre analisando, desconfiando, medindo riscos. O “idiota”, aqui, é aquele que ousa sentir sem garantias, que se permite amar mesmo correndo o risco de sofrer.


Isso aparece muito nos personagens dele, como em O Idiota, onde o protagonista, o príncipe Míchkin, é visto como “idiota” justamente por sua pureza, empatia e capacidade de amar sem malícia — algo raro em um mundo cínico.


No fundo, a frase critica a ideia de que podemos controlar tudo, inclusive o amor. Amar exige um tipo de “loucura consciente”: abrir mão da segurança absoluta para viver algo real.


Então talvez a pergunta não seja se é preciso ser “idiota” para amar, mas: até que ponto a inteligência — quando vira defesa — impede alguém de se entregar de verdade? 


#Filosofia #Dostoiévski #Amor #Reflexão

sexta-feira, 24 de abril de 2026

                             

                          apoteoses de ilusões


             

Eu sempre soube que você não é confiável.

Abandonei a razão para viver

a mais precária mentira.

Profundo e imundo, meu coração

acostumou-se a ódios e insultos.


Somos opostos que sarabandam apoteoses

de ilusões.

Tudo entre nós remonta a alucinações

cruciantes.

Minhas culpas e teus desatinos se entretecem 

em desentendimentos crônicos.

Findo o encanto, o que sobra são os defeitos.

Quando se ama, dorme-se como um rei,

e acorda-se como mendigo.





                    o fim do amor


O fim do amor é sempre triste.

Mas também pode ser uma libertação.

Quando o coração já não aguenta

tanto desgosto e provação.


Te amei loucamente, mas você nunca

retribuiu.

Mesmo assim, me sujeitei a tuas regras.

Aceitei o inaceitável.

Me sentindo culpado por sentir em excesso.

Como se o afeto precisasse ser dosado.

Mas como tudo que não dura é farsa,

o que ficou para trás finalmente

encontrou seu lugar.

Quando percebi que não valia a pena

tanto esforço para caber no teu mundinho.

Quase me desculpando por te amar.

Estou indo. 

Reconciliado comigo mesmo.

Precisei te perder para me encontrar.























                            passado sem futuro



Entre muros e memórias

edifico minha história.

Sem pompa nem glória.

Venturosa e atribulada trajetória.

Que se desfaz no limbo 

das paixões merencórias.


De há muito esqueci-me de quem sou.

A despeito de o coração pulsar pelo afeto

que não dura.

Presciente, como um passado sem futuro.

Meu avesso desce das estrelas, lúcido e frio.

Para que ninguém chore por mim

quando eu partir.



 

 







segunda-feira, 20 de abril de 2026



                        não quero mais amar


Não quero mais amar

Mas posso muito bem fingir 

De repente, pode ser até melhor

Sem cobranças, ciumeiras

Essas coisas que só atrapalham.


Tudo o que é demais, sobra

Ando cheios de vazios

Sinto remorso, mas faria tudo de novo

De outro jeito

Refeito, entre compensações e desenganos.


Eis meu coração

Deponho a respectiva chave

Nada mais tenho a dar

Além de uma esperança que já não tenho.





segunda-feira, 13 de abril de 2026


                               antagonismos



Em tempo se percebe que há tarefas

que jamais serão cumpridas. 

Que todo esforço se desfaz diante do austero

breviário de desilusões e desatinos.

Nunca se sabe o momento da mudança irreversível.

Quando o amor não mais compartilhado

se avilta

de tal forma

que nem o perdão se torna mais necessário.


O que parecia divino

dura o tempo que duram as fugazes magias.

Fazer durar em meio a tantos antagonismos

é como tatear às cegas.

Arriscando-se a tudo.

Sem certeza de nada.



quinta-feira, 9 de abril de 2026

 


                           profundo e imundo



Teus rompantes e silêncios dizem tudo

o que preciso saber.

Te entendo quando calas e te afastas.

Quando tua fúria se transforma em pedra, 

posso ver como és.

Uma parede, um muro, uma casa desabitada.


Lembrar de você me alegra e me entristece.

Na medida que não posso ter nada

além de tão pouco.

Promessas, expectativas, migalhas de afeto.

Profundo e imundo, meu coração se acostumou

a ódios e insultos.

Eu e tu.

Tu e eu.

Passamos tantas coisas juntos.

Até filho fizemos.

Me perdi em pleno gozo dos prazeres.

Quando o louco amor

virou tumor. 














                      a sentença


Desejos nunca satisfeitos fecundam o fruto 

proibido das paixões. 

Quando o ócio

O vício

O cio

Se recriam a fim de reciclar

o amor que se esfacela.


Você me tinha na palma da mão,

mas nunca deu valor.

Talvez por me achar apaixonado demais.

Confiante de que nunca te deixaria.

Mantendo em segredo tua vida dupla.

Viciada em redes sociais.

Sempre precisando ser vista e desejada.

Transferindo culpas e responsabilidades.

O teu ex era um sem futuro.

Todos te traíram.

E eu nunca estive a tua altura.

Nunca passei de um mero quebra-galho.

Ainda assim permaneci, passei pano, resignado

com as migalhas de afeto.

Até que o coração finalmente cansou.

E o fim do amor se desenhou. 

Quando a inquietação, a raiva, se transformaram 

em indiferença. 

Como uma fria e inapelável sentença.
















 

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