domingo, 8 de fevereiro de 2026

 

            a mulher séria



Enquanto você estiver namorando com ela, sempre haverá homens por perto. Bajulação, tentativas, mensagens, olhares. Isso faz parte do ambiente. Fingir controlar esse ruído externo é ingênuo e fraco. Não é seu trabalho vigiar outros homens ou se tornar um policial emocional. Seu foco não está aí.


A diferença real não está em quantos homens a procuram, mas em como ela responde. Uma mulher que te respeita cria limites por si mesma. Não precisa de avisos nem ameaças. Corte avanços, recuse convites e deixe claro que tem um homem. Isso se faz por convicção, não por medo.


A responsabilidade é sua. Mulher séria não se coloca em situações ambíguas. Não dá atenção, não entrega seu número a estranhos e não age como se estivesse disponível. Também não vive provocando online como se o relacionamento fosse um acessório opcional. Coerência é o filtro.


Tu não competes. Você avalia. Você observa comportamentos, não promessas. Se sua atitude contradiz o que uma mulher com princípios faria, você não negocia nem dramatiza. Vai embora, simples assim. Distanciar-se é caráter, não frieza. O homem que se respeita não implora limites; escolha.


Não tente mudá-la. O comportamento revela valores. E quando os valores não alinham, o custo de insistir é você que paga. Levar a sério quem não se leva a sério é assinar seu desgaste. Respeito se sustenta com padrões claros e decisões firmes.


Seja sábio. Mantenha sua moldura. Relacionamento correto não exige vigilância constante nem inveja teatral; exige coerência. Domínio Total do Ser é para homens que não perseguem controle, perseguem ordem. Aqui não se mendiga lealdade: reconhece-se quando existe e afasta-se quando não. 




domingo, 1 de fevereiro de 2026

             MEUS MELHORES DIAS

Fabrício Carpinejar 


Haverá dias em que não trocaremos sorrisos generosos. Haverá dias em que não nos beijaremos com a mesma ênfase. Haverá dias em que nos atrapalharemos com as demandas do trabalho e mal conversaremos. Haverá dias em que nos faltará ânimo para romper a solidão e comunicar o que nos confunde por dentro. Haverá dias de boletos, contas acumuladas e nervosismo dos prazos. Haverá dias em que os outros roubarão a nossa atenção no almoço ou no jantar. Haverá dias de excesso de tela, de dependência do algoritmo. Haverá dias em que não dividiremos o silêncio do sol nem nos chamaremos para espiar a lua. Haverá dias de pura água, sem o rubi do vinho. Haverá dias em que serei irritante, e recomendarei que você tome distância. Haverá dias em que um copo quebrará, o chuveiro estragará, a televisão não funcionará, a internet cairá e teremos que suportar os vazios e seguir adiante. Haverá dias em que sentiremos vontade de chorar ou de gritar. Haverá dias em que não acertaremos o sal da comida, o açúcar das palavras. Haverá dias que passarão correndo e não andaremos de mãos dadas. Haverá dias que permanecerão na intenção e não cumpriremos o que planejamos. Haverá dias muito longe da perfeição. Mas, Beatriz, ainda serão os nossos dias juntos. Para mim, ainda serão os melhores dias da minha vida, porque estarei ao seu lado.


                   antigo enredo



Amor e ódio.

Ódio e amor. 

Palavras que saem facilmente da tua boca.

Sempre reclamando de tudo.

Fazendo drama.

Fica irada quando contrariada.

Não faz questão de ser agradável, a não ser

por interesse.


Você diz que sou complicado, mas você 

é que é limitada e instável.

Não se dá conta da imensa sorte de me ter

por perto.

Mas para mim já deu.

Retornar ao antigo enredo está fora de cogitações.

Esqueça-me, antes que te esqueça.

Ou queira-me de verdade, antes que seja tarde.

Simples assim.









sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

 

                         abuso reativo


Quando alguém te pressiona repetidamente até que você finalmente reaja, essa pessoa não está confusa sobre o que aconteceu. Ela está construindo um caso.


Ela provoca de propósito. Ultrapassa limites, desconsidera seus sentimentos, distorce suas palavras e invalida a sua realidade — aplicando pressão até que o seu sistema nervoso não aguente mais. Então, no momento em que você finalmente explode, ela congela esse único instante e o apresenta como se explicasse toda a história.


Isso é abuso reativo.


É um padrão em que alguém te maltrata de forma repetida, mas destaca apenas a sua reação emocional para nunca ter que assumir responsabilidade pelo que causou tudo isso. A manipulação psicológica desaparece da narrativa. A manipulação direta é apagada. O desrespeito é minimizado. De repente, a única coisa em análise é como você reagiu.


Eles não mencionam os meses de crueldade sutil.

Ignoram o esgotamento emocional, as provocações constantes, a pressão psicológica, os gatilhos intencionais.

Focam no único momento em que você quebrou — porque é esse momento que faz você parecer o problema.


E isso não é por acaso.


Eles queriam essa reação. Essa mensagem. Esse tom. Esse descontrole. Não porque tenham se machucado, mas porque isso lhes deu algo para usar como arma. Algo para mostrar aos outros. Algo para justificar o próprio comportamento e proteger a própria imagem.


Pessoas seguras não agem assim.


Pessoas seguras percebem quando você está sobrecarregado. Diminuem o ritmo quando você está ferido. Respeitam seus limites. Não ficam pressionando só para ver até onde você aguenta.


Pessoas manipuladoras fazem o oposto. Escalam quando você está vulnerável. Apertam ainda mais quando você está emocional. Provocam até você explodir — e então agem como se estivessem chocadas, ofendidas e inocentes quando isso finalmente acontece.


É uma armadilha.


Porque, quando você reage, o foco muda. A conversa deixa de ser sobre o que fizeram com você e passa a ser exclusivamente sobre como você reagiu. Sua dor é invalidada. Seus limites são reformulados como agressão. O comportamento deles desaparece silenciosamente em segundo plano.


É assim que evitam a responsabilidade.

É assim que reescrevem a realidade.

É assim que mantêm o controle.


Portanto, se alguém continua te provocando, ignora o seu sofrimento e depois usa a sua reação como prova de que você é o problema — você não está lidando com um conflito.


Você está lidando com uma tática.


E a sua reação nunca foi o problema.

Ela foi a consequência.




 

                    o futuro da sociedade


É cada vez mais crescente o numero de pessoas que ficam sozinhas durante toda a vida. Muitos por escolha e outros porque de fato não conseguem encontrar alguém. Ocorre, contudo, que a grande maioria de nós não tem mais paciência para relações. É sobre isso que comenta Luiz Felipe Pondé.


Recentemente, durante uma entrevista com uma jornalista da Dote e Velha, ela estava chocada com o fato de que algumas pessoas na Alemanha estão buscando do estado o direito de “casar consigo mesmas”. Isso me lembrou uma conversa que tive com uma aluna, que brincando, disse: “se eu pudesse, eu casava comigo mesma”. O direito de casar consigo mesmo, no sentido de que o estado reconheça o voto de amor próprio, é algo interessante de se pensar. Um tempo atrás, um homem tentou casar com seu cachorro, o que gerou um grande escândalo. Mas, pelo menos no caso do cachorro, é outro ser, outra espécie – embora radical, é outra forma de relação. No caso de casar consigo mesmo, isso representa um completo fracasso de lidar com o contraditório, e é um sinal da tentativa de reconfigurar as relações humanas e sociais.

 

A jornalista, de 31 anos, ficou impressionada com a ideia de que muitos europeus, principalmente os alemães, que estão chegando aos 30 anos, permanecem sozinhos e não conseguem encontrar parceiros. Eles até decidem procurar alguém, mas não conseguem, e a razão é simples: não conseguem aguentar estar com outra pessoa. Eles até buscam parceiros, mas a convivência com outros se tornou insuportável. O sexo, por outro lado, se tornou muito mais fácil. Hoje em dia, é possível fazer sexo sem precisar tolerar nada – em alguns casos, até de graça. Isso mostra que, para satisfazer os desejos mais imediatos, não é necessário estabelecer instituições ou criar compromissos de longo prazo.

 

Essa reportagem demonstra que, para muitos jovens, encontrar alguém com quem valha a pena se relacionar é difícil. Isso está relacionado com uma sociedade que cada vez mais valoriza a individualidade e a satisfação imediata. O desafio de encontrar alguém compatível não é só sobre a falta de pessoas, mas também sobre as expectativas irreais que são colocadas sobre os relacionamentos. A vida moderna leva a um isolamento crescente, onde as pessoas, altamente exigentes, acabam buscando apenas satisfação pontual e não se comprometem com o outro.

 

O futuro da sociedade, como vejo, não será uma ruptura radical em relação à produção material, mas sim uma marcha em direção a indivíduos isolados e cada vez mais exigentes, que buscam serviços, inclusive afetivos e sexuais, quando necessário. Esses indivíduos terão vidas centradas em si mesmos e viverão com famílias fragmentadas. A sociedade verá uma diminuição progressiva de jovens, que agora custam muito para educar, pois os pais exigem muito deles. Como resultado, esses jovens acabam se tornando cada vez mais ansiosos – nunca houve uma geração que tenha tomado tantos ansiolíticos. Isso ocorre porque as expectativas impostas pelos pais são tão altas que os filhos têm que lidar com pressões insuportáveis. E é muito difícil ser perfeito; essa busca pela perfeição pode, literalmente, matar uma pessoa.

 

Essa reflexão traz à tona a natureza complexa e muitas vezes contraditória da sociedade contemporânea, onde o individualismo e as expectativas irreais geram um ciclo de solidão, ansiedade e frustração.

 

Transcrição feita e adaptada pelo Provocações Filosóficas da fala de Luiz Felipe Pondé em: Evento INNITI DAY – Conference for Tomorrow, sobre o Futuro da Ética e da Sociedade realizado na FAAP no dia 23/08/2017

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026



                      conclave de lembranças



Andei, andei, até a lonjura brincar

de ausência. 

Tudo o que perdi paira como um amoroso

conclave de lembranças.

Onde vivi a paisagem depura-se tão casta

e docemente

que atravessa os limites do tempo.


Muito tempo se passou 

desde que me perdi

pela primeira vez.

Ainda hoje, tento me encontrar.

D onde estou, não posso mais voltar.

Nem quero.

Como sobrevivi a tantos desenganos ?

Ora, bolas, renomeando-os...


 

domingo, 25 de janeiro de 2026

 

                   o tempo dirá



Se ninguém cruza nosso caminho por acaso,

como dizem, 

por que tantos desencontros ? 

Por que tantas frustrações ?

A verdade é que a maioria de nós vive assim, 

batendo cabeça,

sofrendo e fazendo sofrer.

Com raras e honrosas exceções, somos todos 

incompatíveis.

Se ninguém cruza nosso caminho por acaso, 

a única justificativa para que isso aconteça,

é encarar tudo como um aprendizado.

Um aprendizado sem fim.


Ai de mim, é tudo o que tenho feito na vida.

De desamor em desamor.

Em constante litígio.

Sem nada aprender.

Minha melhor parte ninguém conhece.

Talvez ela nem exista.

Se nem o meu melhor te satisfez, mulher,

talvez você esteja certa.

Mais uma vez saio de cena como vilão.

Se merecidamente ou não, o tempo dirá.





                      o amor é traiçoeiro



Um minuto e já não é amor.

Esquecemos de tudo, nos machucando mutuamente.

Destruindo o que aprendemos.

O coração devotado clama por ser enganado.

Ninguém sabe quem é quem.

Você me chama de ignorante,

ignora o quanto tenho sido paciente,

abusa por eu ser tão carente.

Qual o futuro desse amor tão dependente

do afeto que você nem sente ?


No fim das contas, tornei-me aquilo

que nunca quis ser.

Não muito diferente de você.

Egoísta, mentiroso, um farsante.

Que finge ser o que não é,

para não ficar em desvantagem.

O amor é traiçoeiro, só é fiel ao dinheiro.




quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

 


                             carência não é amor


Há uma confusão silenciosa, porém devastadora, que atravessa a experiência afetiva humana, a tendência a chamar de amor aquilo que, em essência, é apenas necessidade. Amar e precisar não são sinônimos, embora frequentemente se apresentem com a mesma linguagem, os mesmos gestos e até as mesmas lágrimas. O problema é que a carência sabe imitar o amor com perfeição suficiente para enganar até os mais atentos.


A carência nasce de uma falta interna não elaborada. Ela não busca o outro como alteridade, mas como remendo. Não deseja o encontro, deseja o alívio. Quando alguém ama por carência, não se dirige ao outro, dirige-se ao próprio vazio, esperando que o outro o preencha. O amado torna-se função, instrumento, suporte emocional, quase um objeto terapêutico improvisado. Não é visto como é, mas como aquilo que pode oferecer.


O amor, ao contrário, pressupõe inteireza relativa. Não perfeição, mas consciência da própria incompletude. Quem ama não exige que o outro salve, cure ou complete, aceita que o outro acompanhe. O amor verdadeiro nasce quando o eu já não está em estado de desespero, quando a presença do outro é desejada, não necessária para sobreviver. Amar é escolher, precisar é agarrar-se.


Psicologicamente, a carência é ansiosa e possessiva. Ela teme a ausência porque não sabe sustentar o silêncio interior. Por isso confunde intensidade com profundidade, dependência com vínculo, controle com cuidado. Quanto mais frágil o eu, mais absolutiza o outro. E quanto mais absolutiza, mais sufoca. O amor, por sua vez, tolera a distância, respeita a autonomia e não transforma o afeto em contrato de sobrevivência.


Há também um traço ético nessa distinção. Amar alguém implica reconhecê-lo como fim em si mesmo. Precisar de alguém, quando não elaborado, tende a reduzi-lo a meio. A carência não pergunta “quem você é?”, pergunta “o que você pode fazer por mim?”. Por isso tantas relações adoecem, não por falta de sentimento, mas por excesso de expectativa.


Confundir carência com amor é perigoso porque produz vínculos frágeis, embora intensos. São relações inflamadas, mas pouco luminosas. Quando o outro falha, se afasta ou simplesmente se mostra humano, a estrutura desmorona, pois não era amor que sustentava o laço, era a urgência.


Filtrar o humano, aqui, é aprender a suportar a própria solidão sem transformá-la em chantagem afetiva. É compreender que o amor não nasce da escassez desesperada, mas da capacidade de estar consigo sem horror. Só quem não precisa desesperadamente pode amar de fato. O resto é pedido de socorro disfarçado de paixão.


Oliver Harden

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026


                      amor bandido



Mudei para poder te amar.

Não foi algo que se possa romantizar.

Ao contrário, foi tudo o oposto do que eu imaginava.

Custei a entender que te amar não cabia em quem eu era.

Te amar não respeitou minhas feridas, meus traumas.

Me obrigou a te aceitar do jeito que és. 

Mesmo com parte de mim gritando

que eu estava sacrificando minha identidade.

Precisei me reinventar, ficar vulnerável

a teus caprichos e desatinos.

Pensei mil vezes em desistir,

mas algo dentro de mim me obrigava a ficar.

Mudei, não para merecer o teu amor bandido,

mas para abandonar as versões em que amei

só pela metade.

Mesmo comendo o pão que o diabo amassou.

Mudei para poder te amar por inteiro.

Ambos com defeitos, mas mais honestos,

verdadeiros.















 


               o amor que me mudou



Mudei por amor. E não falo da mudança bonita, publicável, que fica bem em frases curtas. Falo da mudança que dói, da que desmonta, da que tira o chão antes de me dar outro qualquer, da que não pede licença e não pergunta se é conveniente. Mudei porque amar alguém de verdade não cabia em quem eu era, não cabia nos meus automatismos, nas minhas defesas, nos meus atalhos. A verdade é que o amor não negociou com as minhas desculpas, não se acomodou às minhas feridas, não se moldou às minhas fugas. Ficou. E ao ficar, expôs tudo o que em mim não era inteiro. 

Efetivamente, mudei porque percebi que não podia amar e continuar a proteger-me da mesma forma, que não dava para tocar em alguém e manter intactas as minhas muralhas, que não podia prometer presença e continuar a desaparecer por dentro. O amor não me pediu para ser melhor. Obrigou-me a ser verdadeiro. E isso é muito mais exigente, porque houve partes de mim que resistiram, partes que queriam ficar como estavam, partes que gritavam que eu estava a perder a minha identidade. 

Mas eu não estava a perder, mas a largar versões minhas que já não serviam, que só existiam para sobreviver e não para amar. Mudei porque amar alguém de verdade desloca as prioridades, muda o eixo, reorganiza o centro, deixa de ser sobre ganhar, provar, controlar, e passa a ser sobre não ferir, não fugir, não mentir. E isso mexe em tudo. No corpo. No ritmo. Na forma como se responde. Na forma como se fica. 

Com efeito, o amor não me transformou num herói. Tornou-me vulnerável. E esta foi provavelmente a maior mudança, porque tudo em mim tinha sido treinado para aguentar, não para proteger. Para sustentar, não para pedir. Para estar forte, não para estar aberto. Amar ensinou-me a falhar sem desaparecer, a tremer sem fugir, a ficar mesmo quando sentia uma enorme vontade de partir. 

Mudei porque o amor não aceita versões parciais, não aceita nenhuma presença pela metade, não aceita uma alma em fuga. O amor exige inteireza, e a inteireza cobra caro. Cobra escolhas. Cobra cortes. Cobra silêncios. Cobra a coragem de deixar cair quem se é para dar espaço a quem se pode ser. 

Não mudei para merecer amor. Mudei porque o amor mostrou-me que eu podia ser ainda mais verdadeiro do que tinha sido até ali. E eu aceitei. Simples assim.


José Micard Teixeira


quarta-feira, 7 de janeiro de 2026


                     chifre trocado


Ela diz que me ama

Assim como chama todo mundo de amor

Diz que só dá para mim

mas está cheia de contatinhos no zap

Se brigo, questiono, ameaça ir embora.

Fico na minha,

pois como a safada mesmo diz,

melhor compartilhar do que ficar sem.


Mulher gostosa é poderosa.

Tem quem quer, na hora que quiser.

Besteira ignorar, se achar absoluto na parada.

O jeito é relaxar, dançar conforme a música.

E dar o troco na mesma moeda.

Chifre trocado não dói.


* letra de funk


sexta-feira, 2 de janeiro de 2026


                    armadilhas

                 

Ai de mim, sou tão pouco para quem exige tanto. 

Aprendi a recomeçar mas não a evitar os enganos.

Perdido em armadilhas que eu mesmo crio, 

meus amores nunca foram meus.

Depois de um tempo, tudo perde a graça.

O próprio vício da beleza um dia acaba.

Só a falta do amor permanece.


Fiz de tudo por você, mas não adiantou.

A gente se gosta, se curte, mas queremos coisa diferentes.

Insisto de teimoso, querendo levar à sério 

quem só serve

para uma boa trepada.






                         aprendiz de cafajeste   


Verdade seja dita.

Mulher não sente atração por homem bonzinho 

e certinho.

Que não se impõe.

Que se deixa desrespeitar, humilhar.

Não demora a virar corno.

É o bad boy, o cafajeste, que mexe com elas.

Se for todo tatuado e funkeiro, melhor ainda.

A natureza feminina tende a preferir o que se destaca,

o abusado, 

não importa se um cafajeste sem futuro.

O bonzinho, o certinho, só serve para bancar, suprir.

É uma disputa perdida para quem é visto por elas

como chato e irritante.

Mas como toda regra tem exceção, vai de você virar

esse jogo. 

Não se rebaixe, não aceite menos do que merece.

Ou aprende a ser cafajeste. 









quinta-feira, 1 de janeiro de 2026


                             a agonia de esquecer



Não me perdoo por ter sido tão negligente.

Não te amado mais e melhor.

Me satisfazia pensar que te satisfazia.

Amando sem demonstrar.

Até você cansar.

Perdi o teu amor e de quebra, descobri

que o coração pode se enganar

tanto amando pouco

como demais.


Aprendi da pior maneira que tudo corre o risco

de se degradar, quando deixamos de amar. 

As coisas que deveriam ter sido me punem.

Recordar os dias felizes me condena a agonia de esquecer.

Negligenciado, o amor nos torna vulneráveis.

E por fim, descartáveis.





quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

 


         NÃO CELEBRO O ANO. CELEBRO A VIDA.



Não dou importância nenhuma à passagem de um ano para o outro, não porque desvalorize o tempo, mas porque o respeito demasiado para o reduzir a um ritual arbitrário, decidido por convenção, iluminado por fogo-de-artifício e anestesiado por promessas que raramente sobrevivem ao inverno. A vida não muda porque um número muda; muda porque um dia acordámos cansados de fingir, porque o corpo disse “basta”, porque uma perda nos atravessou, porque uma verdade deixou de aceitar mais adiamentos. Eu não celebro datas, mas a presença. Celebro os dias em que acordo inteiro, os dias em que não traio o que sinto, os dias em que não preciso de provar nada a ninguém, nem a mim. A vida acontece todos os dias ou não acontece nunca. Não espera pela meia-noite. Não pede contagem decrescente. Não respeita brindes nem resoluções. Há dias em que sobrevivo. Há dias em que respiro fundo. Há dias em que amo o silêncio. Há dias em que a dor passa por mim sem se instalar. E isso, para mim, já é celebração suficiente. Comemorar a vida uma vez por ano parece-me pouco. Prefiro honrá-la nos gestos pequenos, nos limites que mantenho, nas escolhas que não faço, na coragem de não repetir histórias que já não me pertencem. Não faço votos para o ano novo. Faço compromissos diários comigo. E isso é muito mais exigente. Se há algo que celebro, é estar vivo agora, sem precisar que o calendário me autorize a sentir, a mudar, a parar ou a recomeçar. A vida não começa em janeiro. A vida começa sempre que estamos verdadeiramente aqui. E isso, eu celebro todos os dias.


José Micard Teixeira

domingo, 28 de dezembro de 2025


                         antes tarde do que nunca


Já quis tantas coisas na vida.

Hoje só quero aquilo que me traz paz.

Se tiver que ficar sozinho, eu fico.

Se tiver que morrer sozinho, tudo bem.

Chega de alimentar falsas ilusões.

Sofrer por sentimentos não correspondidos.

Não insisto mais com quem não me quer. Sequer me trata bem.

Não se pode forçar ninguém a ser o que não é.

Sentir o que não sente.

A dar o que não tem.


Não me detenho mais onde não há reciprocidade.

Não me contento mais com migalhas.

Chega de sofrência, dependência emocional.

Chega de me preocupar com quem não merece.

Meu tempo de otário acabou.

Finalmente !

Antes tarde do que nunca.







sábado, 27 de dezembro de 2025

 


     MEU CICLO COM VOCÊ TERMINOU!



Não tenho mais nada para lhe oferecer, exceto mais reclamações e reprovações, fruto da exaustão emocional em que me encontro.


Não quero continuar em um relacionamento que rouba a minha paz e me causa mais angústia do que felicidade. É óbvio, a essa altura, que a ideia que alimentei sobre nossa relação que não se encaixa com a realidade. Idealizei-te, sonhei-te de um jeito que não és, simples assim.

Dei muitas chances a esta relação porque me agarrei aos bons momentos e à minha ideia de um futuro com você.


Deixo você ir e encerro esse capítulo.


Compreendo que amor não se pede e também não se deve forçar. Deixo esta relação, para me concentrar na relação mais importante do mundo. O relacionamento comigo mesmo. 





sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

                            

                        escravoceta


Você faz de tudo

Não mede esforços 

Atura até desaforo

Mas não adianta

Ela não te descarta

mas também não te assume

Ao contrário, deixa claro que não

quer compromisso

Não esconde que faz tudo por um dinheirinho

Se irrita quando você cobra, toca no assunto

E quanto mais você se rebaixa, mais ela

te destrata

Se manca, rapaz, deixa de ser escravoceta 

Mulher não ama quem não respeita.  





quinta-feira, 25 de dezembro de 2025


                           cura sem remédio


Tantas coisas deixam de ser, sem nunca terem sido.

De tudo e por tudo, o esquecimento é uma benção.

Por melhor que tenha sido o passado, o presente

é o que há.

O sol sempre brilhará para quem tiver olhos para ver.

Se tudo é vulgar e enfadonho,  a quem culpar ?

Para quem esqueceu de esquecer, o sentimento do provisório

fustiga e atormenta.

Ter um motivo nobre para viver é um luxo para poucos.

A maioria de nós apenas vegeta.

A cura sem remédio inverte o sentido das mentiras.

Embora cego, o que não falta ao amor é olfato e tato.

A tudo que passou, entregamos um pouco de nós.

Mas sem acabar, nada recomeça.

O tempo de apaziguar o coração é sempre.






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