segunda-feira, 29 de outubro de 2018
respostas
o desgosto de viver sem ti,
sofro ainda mais por saber
que de mim já esquecestes.
Que de mim não quer saber,
nem por perto quer me ver.
Fico pensando no que tens feito.
O que te fez mudar tanto.
O que fez com as lembranças de nós dois,
para mim inesquecíveis.
A ferro e fogo marcados em minh´alma.
Ciente de que não têm mais volta,
que tudo acabou definitivamente,
uma resposta, o por quê,
é só o que eu precisava saber.
Por caridade, para aliviar minha culpa.
Com requintes de crueldade,
se há outro na história...
domingo, 28 de outubro de 2018
sexta-feira, 26 de outubro de 2018
a segunda chance
Sob o espectro difuso da verdade, transigimos.
Bem ou mal, à realidade nua e crua nos adequamos.
Para não capitular, indiferentemente à valores
e princípios.
Valores e princípios nem sempre edificantes,
quando se trata de sobrevivência,
de fazer valer a vontade, os desejos secretos.
Na ordem natural das coisas, a lei do mais forte prevalece.
Sob os mais diversos métodos e artifícios.
Contra a força, a astúcia.
A força do homem, a astúcia da mulher.
Quem a presa, o predador ?
(Ela me disse que, enquanto eu estava indo,
ela já tinha ido e voltado três vezes...
Quantas coisas omitidas, ardilosamente
escamoteadas, aí embutidas ?)
Sutil teia de aranha em que nos enredamos...
Não há inocência na vida adulta.
Na impermanência das coisas, o destino
molda nosso caminho.
O que se ganha aqui, perde-se ali.
Sem rumo, sem prumo frequentemente nos vemos.
No desdobramento do amor, cedo ou tarde
padecemos, quebramos a cara.
Não raro, sucumbimos.
Nada nos redime.
Nada apaga os malfeitos, os danos causados.
Perdão foi feito para pedir, mas os remendos
nem sempre surtem efeito.
O que está feito, não tem volta.
E quando se tem uma segunda chance, nunca
é a mesma coisa.
Amor só é amor - e como tal sobrevive -
quando ambos reconhecem que são imperfeitos.
Que todos erram e tem sua parcela de culpa.
É só o que permite juntar os cacos e seguir em frente.
É o que impede que a tal segunda chance
não seja apenas um mero e triste epílogo.
Por mais bela que tenha sido a história..
quinta-feira, 25 de outubro de 2018
o prazer de voar
Ser : o quanto nos basta ?
Nunca nos bastamos.
Nunca bastamos.
A possibilidade de viver proclama
sempre, mais e mais : infâmia.
Mesmo vós, que admirei sempre
em minha vida,
no brilho opaco do olhar triste
não vos reconheço.
Quem quer que sejas, de ti me compadeço.
Por não ser o que julguei que fosse.
Ser : apenas isso.
Apenas viver.
Não se deixar levar, as rédeas tomar.
Procurar, não a ilusória felicidade,
mas a clareza de ideias.
O prazer de voar.
Não se deixar levar, as rédeas tomar.
Procurar, não a ilusória felicidade,
mas a clareza de ideias.
O prazer de voar.
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