terça-feira, 27 de novembro de 2018


                              a outra face




Uma história pode ser contada de várias maneiras.
Cada um tem sua visão, sua versão dos fatos.
Saber quem fala a verdade, eis o grande dilema.


A verdade tem várias faces.
E a versão que prevalece nem sempre é a verdadeira.
Depende de quem conta, das circunstâncias, 
da plateia.

Ninguém escapa de uma boa conversa.
A lábia é a maior das aptidões humanas.
Todos mentem.
Todos fingem.
Sem o quê, a convivência seria inviável.


Há que saber quais os limites.
Veneno, em pequenos doses, não faz mal,
e até fortalece.

Mentirosos e hipócritas estão por toda a parte.
É a espécie dominante.
Não obstante, não é fácil identificá-los.
São lobos em pele de cordeiro.
Posam de corretos, bonzinhos, íntegros,
mas quando menos se espera,
dão o bote, mostram as garras.

O antídoto ? 
Aprender com eles.
Dar o troco na mesma moeda.
O velho e bom olho por olho, dente por dente.
Esse papo de dar a outra face soa bonitinho
mas positivamente não funciona.








segunda-feira, 26 de novembro de 2018

                        
                       ADEUS


Do nada, por nada,
Ver-se preterido. 
Ver tudo ruir, sem entender,
Sem nada poder fazer.

Partir com o coração partido.
Na bagagem, dor, saudade, remorso
Tantas coisas bonitas vividas.
Terá sido tudo em vão ?

A dor de quem parte ou fica.
Triste epilogo de um amor que se desfez.
No desconsolo de quem viu-se obrigado a partir.
Na insensatez de quem abriu mão de tudo.
Por razões que a própria razão desconhece.





quinta-feira, 15 de novembro de 2018
















 


               
                 às portas do inferno







Imagine uma cena de horror explícito. De rivalizar com qualquer coisa do gênero que o cinema tenha produzido. Pois é. E não se trata de nada isolado, raro, casos semelhantes vem se tornando rotineiros em várias partes do mundo. Notadamente naquelas de pobreza e baixa escolaridade.
O que me refiro aconteceu recentemente num lugarejo mexicano com cerca de 15 mil habitantes, mas cuja pobreza, como sói acontecer, não impede a maioria de possuir o indefectível celular ou smarthphone. É assim na Índia, na Guatemala, na Libéria, em Madagascar, enfim, são raros os cantos da terra que a onipresente internet não alcance. Com seus prós e contras. Aparentemente mais contras do que prós.
Como nesse dantesco episódio no conturbado solo mexicano, em que um tio e seu sobrinho foram visitar parentes, e ao se dirigirem a pé pela rua principal do local, começaram a ser hostilizados pelas pessoas.  Do nada. Assustados, entraram numa farmácia, enquanto na rua o aglomerado aumentava, com alguns mais exaltados gritando que se tratava de dois sequestrados de crianças, integrantes de uma quadrilha de traficantes de orgãos, uma modalidade de crime bastante comum no México. O alerta havia sido dado por alguém via watts ap, e compartilhado instantaneamente entre a população. 

Uma viatura da polícia surgiu para levar os dois forasteiros à delegacia para averiguações, o que no entanto não acalmou a turba, que cercou e ateou fogo ao local, obrigando os policiais e os detidos a saírem. Foi quando consumou-se o horror dos horrores, com os dois sendo espancados e depois queimados, provavelmente já mortos, pela multidão transtornada,  barbárie filmada por muitos e que rapidamente se espalhou pelo mundo afora.

Os corpos dos dois infelizes ainda fumegavam na praça quando já começavam a circular desmentidos sobre a tal denúncia, confirmada com a chegada de parentes das vítimas, incrédulos e desesperados com aquele cenário dantesco. Originado, soube-se depois, pelas postagens de um único indivíduo, cujo tom raivoso e candente contagiou praticamente toda a população do vilarejo. Que nunca mais será o mesmo.

Como o mundo nunca mais será o mesmo, com os instintos malignos da humanidade catapultados pela satânica Internet. Ou há alguma dúvida de que as portas do inferno nunca estiveram tão escancaradas ? 




quarta-feira, 14 de novembro de 2018










há os que se acomodam na vida e culpam os outros por suas frustrações e fracassos; 
e há os que não abrem mão de seus sonhos e objetivos pessoais.

há os que se fecham para o mundo e não evoluem; 
e há os que inspiram e dão o exemplo.

há os que erram e persistem nos erros;
e há os assumem e dão a volta por cima. 

há os que sofrem calados e superam;
e há os que não perdoam e murcham por dentro...


segunda-feira, 12 de novembro de 2018


                
                              o jogo





jogar o jogo. 
jogue o jogo.
é como deve ser.
não é você que faz as regras.
cabe apenas adequar-se.
amoldar-se.
entender como se joga.
como funciona, como se faz.
não queira bancar o bonzinho.
não pense que vão aliviar para o seu lado.
o jogo é pesado.
vale tudo.
há de tudo.
compete a você optar
para que lado quer jogar.
fique atento, fique esperto
mas é bom saber que o melhor 
nem sempre vence.
que o árbitro não é confiável 
e a torcida volúvel
não se empolgue com os aplausos
não desanime com as vaias
faça o seu jogo.
faça a sua parte.
aprenda a ganhar e perder.
é como se joga o jogo da vida
*"nem sempre ganhando, 
nem sempre perdendo
mas aprendendo a jogar..." (*Guilherme Arantes)






                              
                             

                   A CURA

o óbvio. 
porque é tão difícil enxergar o óbvio ?
mesmo o óbvio ululante.
aquilo que salta aos olhos de qualquer imbecil ?
aquilo que está debaixo do seu, do meu nariz
e não enxergamos.
o ridículo a que nos expomos.
as mancadas que cometemos,
quando se é carta fora do baralho.
quando fazemos papel de idiota,
infantil, ingênuo.
tão óbvio, e não vemos.

porque é tão difícil cair na real ?
ver que seu grande amor já era.
que nem tão grande era,
como o tempo revela.
ver que tudo é circunstancial,
que a paixão acaba.
quando não há mais interesse,
alguém sempre sobra.
porque reluta em aceitar 
que ela não te quer mais ?
que pisou na bola,
e não adianta negar.
a quem quer enganar ?

por que é tão difícil admitir 
que tudo é condicional ?
que o que se tem e se recebe,
depende do que oferecer em troca.
que o seu velho amor era uma farsa 
e o novo amor no fundo não é diferente.
um dissimulado, o outro esculachado,
posto que ninguém ao outro conhece.
   
arre ! basta de humilhação e sofrência. 
há que se dar o devido valor.
esquecer quem não fez jus, 
não soube valorizar 
o que com tanto sacrifício se construiu
o seu querer, sem razão de ser.

e em sendo certo outros enganos,
bem-vindo seja o novo querer,
o coração que se vire.
que a dor do amor que se foi,
com um novo amor se cura.
















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