segunda-feira, 1 de abril de 2019



                     wonderful world ?





Passamos a vida preocupados com a imagem,
com o que pensam de nós.
Em sermos politicamente corretos.
Em defender aquilo que nos parece justo.
Os direitos humanos,
os animais, a natureza, 
essas coisas.
Tudo de forma a passarmos por pessoas de bem,
íntegras, cidadãos honestos, 
cumpridores de seus deveres.

Na prática, porém, é o oposto.
Um mundo convulsionado, beligerante, 
as pessoas se trucidando.
Pessoas horrorosas no poder. 
Pessoas horrorosas querendo se passar pelo que não são 
na cara da gente.
Hipocrisia imperando. Desigualdade social cada vez maior.
Uma minoria vivendo nababescamente, a grande
maioria vegetando, confinada a guetos, 
campos de concentração, 
periferias em que impera a criminalidade.
Povos submetidos ao sofrimento imposto por ditadores sanguinários,
ao roubo sistêmico e sistemático promovido 
por governantes e agentes públicos que infestam 
as esferas do poder.

Ora, sejamos realistas.
Wonderful world, em termos. 
Há que ter ciência de que a vida é boa, 
até deixar de ser.
As pessoas são boas, até deixarem de ser.
Que o mundo é uma beleza, até deixar de ser.
Tudo é de um jeito, até deixar de ser. 
Até se transformar em outra
coisa qualquer, que desconhecemos.
Tudo é óbvio, tudo é claro,
o amor é lindo, até deixar de ser.
Tudo, um dia, deixa de ser do jeito que conhecemos,
ao quê estamos acostumados.
Porque a vida é assim, tudo muda a qualquer hora,
sem aviso prévio.
O que é bom e belo hoje, amanhã deixa de ser.
Fazer o quê ?
Carpe diem, meus queridos, 
pura e simplesmente.
É tudo o que nos cabe fazer.









   







sábado, 30 de março de 2019



              enquanto a hora não chega 






Enquanto a hora não chega, tomo meu vinho,
bebo minha cerveja,
um cigarro de vez em quando para relaxar.

Enquanto a hora não chega, faço as coisas de sempre,
como se o tempo não tivesse passado. Mas passou,
e logo me dou conta disso.

O corpo alquebrado, o rosto vincado, a alma embotada.
E, sobretudo, a solidão, o isolamento.
O sentimento de perda. Amargura, desencanto.

Quando minha hora chegar, ninguém vai notar.
Passarão dias, meses, talvez anos, para que sintam
minha falta.
Me deem algum valor. 
Por isso, tomo meu vinho, bebo minha cerveja,
até um cigarrinho ando fumando. 
Estes e outros pequenos prazeres, 
enquanto a hora não chega.







  


                  a exaustão do amor




                         
                 


Gozo sem gemido.
Riso contido.
Carinhos sonegados.
Aconchego, nem pensar.
Tampouco atenção, interesse, 
tudo aos poucos suprimido.
O amor assim resumido,
nem sombra do que foi outrora.
Inútil procurar explicações.
Tentar entender.
Simplesmente acaba, como tudo acaba.
Em indiferença, mágoa, ódio, 
se transforma.

Por que será que as pessoas que mais amamos, 
mais nos doamos,
são as que mais nos machucam e magoam ?
As que mais nos cobram ?
As que mais nos odeiam ?

É um erro crasso
supor que o verdadeiro amor tudo perdoa, 
tudo supera.
Não supera, não perdoa,
quando muito releva.
Mas não esquece, enfraquece,
vai desmilinguido.
Até acabar na vala comum dos desamores. 

Sexo sem beijo.
Falta de assunto.
Desinteresse.
A ausência das pequenas gentilezas.
Sinais sutis de exaustão do amor.
Daí às ofensas e agressões, não falta muito.

A grandeza do amor está, também,
em saber a hora de sair de cena. 
Perder os anéis, para salvar os dedos.






 



quinta-feira, 28 de março de 2019





            para poder entender




Precisava ter a indiferença dos psicopatas.
Precisava ser a serpente que atenta e desvirtua.
Precisava ser o verme que corrói as entranhas.
O vírus que infecta o organismo.
O ranho das crenças e práticas delituosas.
O lodo em que chafurdam os criminosos do regime 
mais corrupto de nossa história.
Precisava ser igual a eles, os idólatras adestrados 
e contestadores,  
as bestas empanzinadas que seus próprios filhos
à crenças profanas consagram.
Adeptos e defensores de valores apodrecidos, que pregam
o fim da família, da religiosidade, da moralidade. 
Para então,
e só assim,
poder entender que merda se passa na cabeça 
dessa gente.





quarta-feira, 27 de março de 2019


                      VÍCIO


       

       bebida vicia
cigarro vicia
       cocaína vicia
sexo vicia
       meu vício é ela
tudo que é bom ou ruim vicia. 
       

 

                                  a lei do retorno







Muitas coisas que não sabemos, melhor
não saber.
Para não sofrer em vão.
Não saber as verdadeiras razões.
Disto e daquilo.
Por que acabou, se valeu a pena,
ou foi tudo enganação, uma grande ilusão ?

Há coisas que é melhor não saber.
Simplesmente esquecer.
Superar.
Ainda mais se ficaram sequelas.
Mágoas, ressentimentos.
Vingança é um prato que se come frio,
dizem os entendidos. 
O dia da prestação de contas sempre chega.
Mais cedo ou mais tarde, a vida cobra.
Aqui se faz, aqui se paga.
De uma forma ou de outra, ninguém fica impune,
ninguém está imune às mais variadas vicissitudes.
Segredos, trapaças, sacanagens, um dia vêm à tona.
Quando não descobertas, 
em infortúnios pessoais se revertem,
conforme a implacável lei do retorno.

Filosofia barata ? Pode ser. 
Cada um sabe de si, 
cada um que arque com o peso de seus atos.












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