Dizem que o demônio gosta de disfarces, e o seu preferido é o de mulher. Também acho.
sábado, 27 de abril de 2019
sexta-feira, 26 de abril de 2019
ENGODO
Quando se gosta, quando se ama,
a gente releva tudo.
Os defeitos, as mentiras.
Para tudo há desculpas, atenuantes.
Depois que o amor acaba,
até as verdades soam como mentiras.
A sinceridade ofende.
As qualidades, desaparecem.
E a realidade nua e crua nos inunda,
nos devolve à vida imunda,
da qual o engodo do amor
havia nos resgatado.
quinta-feira, 25 de abril de 2019
PARAÍSO
Tarde, se descobre que o quintal
em que a gente brincava,
era o melhor lugar do mundo.
Que tudo de que precisávamos na vida
para ser feliz, estava ali.
Que todas as outras coisas não se equiparam,
não são como aquelas que estacionaram na memória,
simples, perfeitas.
Que tudo de que precisávamos na vida
para ser feliz, estava ali.
Que todas as outras coisas não se equiparam,
não são como aquelas que estacionaram na memória,
simples, perfeitas.
Esquecidas de tudo.
O pomar para apanhar fruta no pé.
Os arroios para tomar banho e pescar lambaris.
Jogar bola até escurecer, caçar sapos, correr à noite atrás
dos vagalumes.
Desconfio que o quintal da casa da minha avó
em Agudo, era um pedaço do paraíso.
Onde o céu era sempre azul.
E tudo era sempre divertido, até quando capinava com ela.
Eu não parava de tagarelar, e ela se ria alto
das besteiras que eu falava, em alemão.
Como quando ela me disse para eu falar menos
para não me cansar, e respondi, em alemão castiço,
"ach, mutter, du ist beinahe kaputt".
Passagem, como tantas outras, que eu adorava
O pomar para apanhar fruta no pé.
Os arroios para tomar banho e pescar lambaris.
Jogar bola até escurecer, caçar sapos, correr à noite atrás
dos vagalumes.
Desconfio que o quintal da casa da minha avó
em Agudo, era um pedaço do paraíso.
Onde o céu era sempre azul.
E tudo era sempre divertido, até quando capinava com ela.
Eu não parava de tagarelar, e ela se ria alto
das besteiras que eu falava, em alemão.
Como quando ela me disse para eu falar menos
para não me cansar, e respondi, em alemão castiço,
"ach, mutter, du ist beinahe kaputt".
Passagem, como tantas outras, que eu adorava
quarta-feira, 24 de abril de 2019
obsoletos
Obsoletos, ao longe se divisa.
Prostrados, amargurados,
Carregam o peso do mundo.
O próprio fardo.
Dever, senso de responsabilidade.
Da vida nada mais almejam.
Nada além das pequenas compensações,
Um remanso ao final da tarde,
Jogar conversa fora com os poucos amigos.
Já amaram, sonharam, tiveram posses,
No entanto, tudo perderam, desperdiçaram.
Fracassaram onde não podiam.
Viram o flagelo chegar e se aquietaram.
Viram as marchas fúnebres
E aos sortilégios e fraquezas mundanas sucumbiram.
E aos poucos, ou de repente, tudo se foi.
No decorrer de sua vigília de proscritos
Envelheceram, imprestáveis se tornaram.
Um peso para a família, um peso para a Previdência Social.
Em esquemas consuetudinários vivendo,
O maganão santo se torna.
"O homem é reconhecido por suas ações",
É o que se diz, porém, com ressalvas.
Quando as palavras valem mais que as ações,
Os embustes e logros passam batido.
Qual a coisa que, bem urdida, não mente ?
Homens de ação, meros figurantes,
Inocentes úteis que povoam a terra.
Homens obsoletos,
Incompreendidos,
Desvalorizados em sua modorrenta serventia,
Vivem a vida dos outros.
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