quinta-feira, 9 de maio de 2019



           

                  nem forma, nem fôrma


 


O poeta rala 
Se consome
À imaginar
Sonhar
Dar vazão 
Ao que lhe vai
No coração.

Obstinado, o poeta
Perscruta a alma
Esculpe o Verbo
Devassa os sentimentos
Com seus experimentos
No fim das contas
Meras palavras ao vento
Mesmo quando outros corações
Alcança e encanta
O seu nunca se contenta
Na angústia que o retro-alimenta.



Triste sina a do poeta
Sempre a remar
Sem sair do lugar
Tecelões do absurdo (como diria Pessoa)
Artesões da incognoscível saga humana
Sempre à perseverar
Burilando as formas
Do que não tem forma
Nem fôrma.











Tu, que com teus encantos me encanta,
a quem enganas ? a mim ? a ti ? a nós dois ?

terça-feira, 7 de maio de 2019




De certezas em certezas, vamos perdendo a leveza, a medida que julgamos e condenamos como donos da verdade que não somos.


                          insônia  







               insônia


Na antiga noite em que me afundo,
pássaros e a estrela da manhã
ainda dormem. 
Alguns mais sortudos acasalam.

Insone, não durmo, nem acasalo
Nunca mais dormi. 
Nem acasalei.
Na imensa noite
em que o amor sucumbe.

Na madrugada que se arrasta,
na vida que se engasta,
no sono que não chega,
sonhados todos os sonhos,
da minha antiga vida despertei.


domingo, 5 de maio de 2019

                               

                                         rabiscos






risco, rabisco
escrevo, reescrevo
faço, desfaço, refaço
crio, destruo, recrio
nego, renego, perdoo
amo, desamo
me envolvo, me esgueiro, 
me escondo.
te quero, te afasto
me entrego, me recolho
credo !
onde vou parar desse jeito ?
ela lá, eu aqui
o que nos separa ?
nada ? 
tudo ?
peixe abissal
no escuro tateio
meus medos escamoteio
de forte me faço
em ninguém confio
pois se creio, quebro a cara
a cruz que carrego não é sequer uma cruz.
é o afeto sonegado
a vida que passa
em dias iguais
de remorsos, amores passageiros
amores traiçoeiros
o começo e o fim entrelaçados
ora, meu amor, no que me concerne
não passas de um pedaço 
atraente de carne.



                        


     porque não fomos escolhidos






Porque não fomos escolhidos, 
vivendo entre poucas luzes.
Presos à antigos medos, limitações.
Nada podendo aspirar, 
senão aos infortúnios driblar.

Porque não fomos escolhidos,
vivemos à perguntar.
Sem obter respostas.
Nascidos sem talentos, 
em busca do que não somos.
Vendendo a alma ao Diabo.
Porque não fomos escolhidos.





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