sexta-feira, 13 de março de 2020
condições
Há condições em que amar e odiar
se fundem e se confundem.
Ao fim e ao cabo da excruciante jornada sem meio-termo,
a vida dá e falsifica.
Concomitantemente aos desatinos que precedem
os desastres.
Posto que depois da abundância vem à escassez.
E o amor em ódio se transforma.
As regras são arbitrárias.
Na transitoriedade de tudo,
é onde tudo acaba.
Adaptar-se é a única escapatória.
Co-habitar com as perdas, as doenças,
às condições extremas.
Às condições herdadas.
Às falsetas do destino.
Aos erros crassos.
À falta de sorte.
Latos, desesperados, defraudados,
cegos,
vivos e mortos passam da mesma forma.
Morrer em vida, que má sorte - a pior morte.
Onde acaba o amor começa a dor.
Nas esferas da existência, a mão do tempo
retém o que poderia ter sido e o que foi.
O futuro emulado no engodo do passado.
Viver a morte dos sonhos, a dor dos vivos,
em meio a consciência do fracasso,
quando enfim caem todos os fingimentos,
eis a derradeira condição.
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020
Laços
Tudo muda.
De repente, um a um,
os entes queridos se vão.
Num instante todos somem,
e tudo aquilo que se conhecia,
que se tinha,
as coisas que fazia, em que acreditava,
mudam para sempre.
É o drama recorrente da vida.
Perder tudo, à revelia do mundo sem nexo.
Ficando apenas traços imperfeitos no tempo.
Somos muitos e, no entanto, estamos sós.
Descartados, afinal, já tendo cumprido com seu papel.
Quando muito tolerados,
poucos tem a sorte de contar
com o amor incondicional.
A quanto a vida nos obriga,
quando os laços não são eternos.
Assinar:
Postagens (Atom)
Postagem em destaque
chega mais Chega mais, irmão. Hoje é dia de pagode e de cerveja. Só sofre sozinho quem quer. Se a tristeza apare...
-
princípio e fim Meu lado sombrio é a hóstia do meu estio. Meu lado risonho é o princípio ...
-
mea culpa Não entendo nada de nada da vida. O que aprendi mal dá para o gasto. Vivi perdido e com a alma em conf...



