nosso lar é o inferno
Mentes empedernidas, mentes obtusas,
mentes malignas.
De que barro é feito essa gente
que tanto mente, finge ser o que não é ?
A minha ideia do mundo há muito
caiu por terra.
Caíram as crenças, as esperanças,
restaram os equívocos.
A desconfiança de tudo e de todos.
De repente, tudo faz sentido.
Até o que não faz sentido.
Há, simplesmente, que aceitar.
Dispersos, à desídia nos entregamos,
em meio a vaporosa ideia de nós mesmo.
Tudo vale a pena pelo preço certo.
O que nos pesa, o vento carrega.
Ah, sentir-se nascido para cada momento.
Ter ideias e sentimentos sem os ter.
Mentir para si mesmo sem culpa, porque a culpa nunca
é justa.
Filhos de um mundo enfermo, em que tudo
se quebra e emudece,
nosso lar é o inferno.
sabedoria
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Sabedoria mesmo é valorizar a vida normal.
Sem glamour e sem dor.
Insossa, banal,
mas antes assim do que mutilada, artificial.
Dinheiro é bom mas não compra tudo.
Fama é bom mas não dura para sempre.
Sabedoria é conseguir conciliar as coisas
sem perder o prumo, sem se degradar.
Fazer da vida normal, o melhor possível.
"Ter sem deixar que o ter te tenha." (MILLÔR FERNANDES)
ferida sem cura
No rebojo de sentimentos que envolvem
uma separação,
tudo vem à tona, de bom e de ruim.
O desgaste é tremendo, em todos os sentidos.
E não é para menos.
A ruptura de nosso bem mais precioso
sempre deixa sequelas irreparáveis.
Ainda quando consensual, marcas sempre ficam.
No mínimo, questionamentos.
O que se fez de errado, o que poderia ter sido feito.
O tardio arrependimento por não ter feito mais.
Não ter valorizado mais, ou não ter desistido antes.
Ah, o custo da separação. O amor vilipendiado, sonhos,
as expectativas fraudadas transmutadas em ressentimento
e ódio.
Sequer um desfecho digno que console o coração,
eis a ferida sem cura da separação.
agruras
Entre as agruras normais do envelhecimento, nada é mais danoso do que a auto-desvalorização. Não só o sentimento de inutilidade, de insignificância, mas principalmente o de depreciação da vida passada, a propensão a achar que fracassou em tudo. Algo que pesa e transforma a fase terminal da vida num suplício ainda maior do que normalmente é.
Nem me refiro a natural degradação dos laços afetivos, quase sempre inevitável no transcorrer do tempo, o que por si só torna a velhice um inferno para muita gente. Quanto a isso, pouco ou quase nada se pode fazer. A grande e derradeira batalha - na qual por sinal me encontro empenhado -, é exatamente não ser seu maior inimigo. Não deixar que a auto-depreciação, o sentimento de fracasso, piore o que já é ruim demais.
o pior ainda nem chegou
Por motivos óbvios, nunca se falou e houve tanta preocupação com a morte como atualmente. E não é para menos, com a dita-cuja rondando sorrateiramente por aí, na forma de um vírus que quando encasqueta, não livra a cara de ninguém, velho, novo, pobre, rico, da raça que for, é bem liberal o filho da mãe.
É realmente estranho, inusitado, viver sob o espectro de algo tão abrangente e preocupante, não só por tratar-se de uma experiência totalmente nova, que pegou o mundo desprevenido, como pelo fato de estar longe de ser eliminada, como se vê pela média de mais de mil mortes diárias só aqui no Brasil. O que sugere que a volta à normalidade ainda demore a acontecer, se é que acontecerá, considerando que o perfil da doença ainda não está devidamente mapeado, obrigando a manutenção de medidas preventivas por um tempo indefinido.
Como arcar e lidar com o custo disso tudo é que é o grande dilema. O cenário é dramático, e as consequências econômicas ainda estão porvir, em função da falência de mais de 600 mil empresas e 3 milhões de desempregados, segundo as estimativas mais recentes. Sem falar no já anunciado desarranjo das contas públicas, que levou o governo a cogitar o estouro do teto de gastos, por enquanto abortado, sem o quê não terá como manter o socorro emergencial à população e as empresas em dificuldade.
Ou seja, a morte ainda será preocupação diária por muito tempo. Com a diferença de que menos pela Covid diretamente, e mais por suas consequências junto a economia, e das outras enfermidades dela oriunda. Ainda mais se for confirmado que mesmo os curados estão sujeitos a desenvolver doenças em diversos orgãos.
Oremos.
da calmaria ao tormento Mais cedo ou mais tarde, os dias de tormento chegam. E não há nada que s...