quinta-feira, 20 de maio de 2021



             brincando de não morrer




Na noite não muito iluminada

Uma poesia bem suburbana

Falaria da luz de pirilampos

A evocar os frágeis liames da infância.


Mas na solidão atemporal

Sutis caminhos de íntimos gozos

Enfim se despem da dependência.

Como uma flor que muda para o fruto.


São tempos sombrios. 

Lave-se da alma a mitologia dos desejos. 

Cumpra-se os dias como se fossem os últimos.

Sufocando a revolta.

Brincando de não morrer.

Ainda que a desdita, à solta,

"tão resoluta venha e carregada,

que põe nos corações um grande medo." ( Camões) 




segunda-feira, 17 de maio de 2021





De penas e tédio

transcorrem meus dias.

Nos quais me faço de forte

para tapear a morte.








Às vezes tudo é uma questão de não abandonar 

o barco só porque está fazendo água.

Mesmo porque todos os barcos fazem água.






domingo, 16 de maio de 2021





     Novos Tempos


Estou limpo. Estou livre. 

Todos os meus fracassos 

me abandonaram. 

É tempo de depurações.

Já não busco compensações.

Me contento em reaver 

dignidades perdidas.








  

sexta-feira, 14 de maio de 2021

 


                enganando o coração




Já joguei muita bola, empinei pipa, 

brinquei de pião,

jogo de botão.

Hoje, brinco de enganar o coração.

Já tive tudo na vida,

hoje nem pai nem mãe tenho mais. 

Minha cama é de pregos.  

Meus dias, de um prisioneiro. Todos os corredores

me conduzem ao patíbulo de meus erros.

Não há mais possibilidade de fuga. 

Sequer há para onde fugir.

Sem a mocidade que nos impele para o abismo,

tenho a mente crivada de dúvidas e incertezas.

Ainda bem.

Nada mais enganoso que as certezas.






 

quarta-feira, 12 de maio de 2021

domingo, 9 de maio de 2021





Pode-se dizer que Deus mandou bem 

até criar o homem. 

Daí em diante, virou bagunça. 

Se tivesse patrão, seria demitido. 

Por justa causa.





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