quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022





                                                    gosto dela




 

 







Gosto do jeito arrevesado dela,

quando sorri ou me repreende

a troco de nada.

Gosto do seu ar melancólico e reticente,

que me faz querer protegê-la, ampará-la

como se abraça uma criança.

Gosto do jeito como ela anda, fala, respira.

Gosto de vê-la enquanto se veste, 

e mais ainda, quando se despe,

Que é quando a tenho

como se fosse 

só minha.


    


 



   

terça-feira, 1 de fevereiro de 2022




               um novo querer





Descobrir que não existe mais nada

do que já existiu, ou pensava existir.

Como o corte profundo de uma navalha.

E, no entanto, mais vivo do que nunca.

Mostrando ao mundo como se supera

o desalento.

Ao ressurgir como o vento, e construir 

um novo querer.

Um horizonte que faz fronteira com o nada 

que deixou de existiu.






 

 

domingo, 30 de janeiro de 2022



                         dinastias do crime


                           Gravura de Salvador Dali



É redundante pensar que todas as formas de ser

são inconsistentes.

Consistem de ser e não ser.

Embutidos em milhões de silêncios. 

Dispersos em raras combinações de virtudes e altruísmo,

em meio a hordas de bárbaros que violam a terra, 

incendeiam o céu.

Em vão, procuram-se os corpos extraviados.

A visão apostolar da terra bruta irrompe em  mitos

antigos.

Mede os ásperos cumes justapondo sonho e realidade.

Urdindo medo e fervor.

Rompendo amalgamas de sofrimento.

No vasto mundo de almas inquietas e mentes vazias, 

as desditas cotidianas rugem e agonizam,

enquanto as dinastias do crime se perpetuam.







 







 



 

sábado, 29 de janeiro de 2022



                      fruta proibida





No cofre dos desejos,

o coração, imantado,

à espera das sensações que o corpo

pede.

Compensações, diria, em contraponto

ao abandono

que paira como túmulo violado.

A vida obliqua só faz sentido no deleite.

Morder a fruta proibida. 



sexta-feira, 28 de janeiro de 2022


                                      cu doce



Às vezes, a melhor maneira de resolver dilemas 

existenciais é a soco e pontapés. 


           Quando eu queria, ela não quis.

           Agora que ela quer, é minha vez de fazer 

           cu doce.


Não sei se ela é a minha cura

ou mais uma de minhas loucura.


           


 

domingo, 23 de janeiro de 2022


                                     penhores






             Dos versos que escrevi para essa desalmada,

             o que mais me dói 

             é ela não ter entendido nada.


Nada mais justo que te esqueças de mim.

Nada lamento, fiz por merecer.


           Antes de partir, 

           só me faço um favor :

           me restitua o amor 

           que te dei em penhor.


Poucas coisas resistem ao tempo.

Sobretudo, aquilo que não é nosso.

Afetos, amores presumidos.








                    quarentena 






Queria escrever um poema

Que não fosse de anátemas

Que tivesse o amor como tema

Mas, oh, que pena !

Meu coração continua de quarentena. 




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