sábado, 3 de setembro de 2022



                 sentimentos



                             


A falta de discernimento equivale a um voo às cegas

no plano da existência.


                O grande paradoxo da vida é que as melhores coisas

                - saúde, amor, família, natureza -, são grátis, e não tem preço.


Pense bem antes de queimar pontes.

Elas podem fazer falta um dia.


              A razão está no comando, mas são os instintos

         e as paixões que nos definem.


Todo relacionamento precisa ser repensado periodicamente.

Manutenção preventiva.


          Sem objetivos e interesses, a vida é uma merda.


Sem mistério : a vida é uma tragicomédia sem direito

a final feliz.


            Quem diz não se importar com o quê os outros pensam

            e falam a seu respeito, das duas, uma : ou não se leva 

            à sério, ou os outros.


Nos relacionamentos em geral, a falta de atenção

e de pequenas gentilezas é como deixar de regar uma planta.


           De tanto ver triunfar as nulidades, não me conformo

           de ainda não ter chegado minha vez.


Se o ódio é o sentimento mais atroz,

a indiferença é o mais cruel.


            Desperdício maior do que uma vida sem amor

            é um amor desperdiçado.


Quando o encanto se quebra, nada incomoda mais

do que a sensação de tempo perdido.


Às vezes sinto que meus versos são como uma campa

que ninguém visita.


 


          



               

quinta-feira, 1 de setembro de 2022


                    sonhar os sonhos





Não viveu quem nunca se entregou

a uma paixão, 

a uma quimera qualquer,

mesmo durando menos que a primavera,

ainda que por breves instantes,

minutos que desejou serem eternos.


Não viveu quem nunca se entregou

de corpo e alma a alguém, sem prevenções,

de peito aberto,

com o desespero de quem busca consolo,

um abraço, um abrigo.


Não viveu quem nunca se entregou

como quem não tem nada a perder,

como quem tem fome de viver,

sonhou os sonhos mais tresmalhados, 

e por instantes que seja, 

míseros instantes,

acreditou que ainda existam 

finais felizes.



   



 



                    antes e depois



            


Tão bom não ter mais nada a perder.

Depois de tudo perdido.

E sobrevivido.


Tão bom não ter mais expectativas.

Depois de tantos malogros.

E sobrevivido.


Tão bom ter amado.

Ter sofrido.

E sobrevivido.



 



                 livro aberto





Essa coisa de não escrever coisa com coisa

é para gente que se não se resolve.

Para quem não sente nem se envolve.

Fleumáticos como a Monalisa. 


Meus versos são simples, sem sofisticação.

Escrevo mais com o coração que com a razão.

Prefiro dar vazão aos sentimentos.

Viver intensamente todos os momentos.


Há quem diga que sou indigesto.

E até mesmo que não presto.

Tudo bem, já me acostumei a ser visto

como uma espécie de bicho do mato.

Meu mal é querer ser um livro aberto.




 

segunda-feira, 29 de agosto de 2022





   


















 


                             ponderações



Há dias em que seria melhor 

nem sair da cama.

De preferência, nos braços 

de quem se ama.


Há situações em que seria melhor

esperar mais um pouco

ou dar uma de louco.


Há momentos em que seria melhor

fingir que não viu,

para não mandar ninguém 

a puta que o pariu ! 





          declaração de princípios

           ( à moda Manuel de Barros )





1. Declaro, para os devidos fins de deveres e direitos, não 

me sentir credor nem devedor de nada que não seja gratuito, 

espontâneo, incondicional.

2. De nada que não possa ser compartilhado, que não tenha 

poros, raízes, penas, entranhas, coração.

3. De nada que não implique em sentimentos corrompidos, 

líquenes, pélagos, nojos, limbos, de resto, o adubo da vida.

4. De nada que não seja decadente, sujo, assombrado, despojado,

que é onde se encontra a sabedoria da indigência.

5. De nada que não tenha reentrâncias, gretas, rachaduras, 

reveladores de arcanos mentais.

6. De nada que não possa ser visto, apalpado, cheirado, degustado,

por motivos óbvios.

7. De nada que não seja habitado por pedras, mendigos, bichos,

que não precisam ser ninguém na vida.

8. De nada que não esteja aberto aos desentendimentos. 

9. De nada que não possa habitar seus próprios desvãos. 

10. De nada que não possa dar concretude à solidão.    

11. De nada que não tenha propensão à escória, que não seja 

sazonal, que não possa dar testemunho das obras de Deus.



     

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