sábado, 4 de fevereiro de 2023



                   cuidado com quem ama





Tudo é tão simples para certas pessoas.

Sem dilemas existenciais.

Sem escrúpulos morais.

Cujo único lema é fazer o que for preciso

para subsistir.

Usam e são usados.

Mentem, traem, e não aceitam 

serem julgados.

São felizes a sua maneira.

Sem remorsos e mistificações.

Com sua curiosa ética

de vaidades e frívolos valores

embasando as pretensas prerrogativas

de quem amamos,

ou amaremos um dia.







 



                     abandono





Meu coração

velho casco enferrujado

incrustrado de lembranças

jaz abandonado

já não teme borrascas nem calmarias

já não tem rotas

nem idas, nem voltas. 







                 amores possíveis





Reneguei o amor convencional.

Compromissos, cobranças, nem pensar.

Troquei as musas possíveis

pelo colo de uma puta.


 




                 


 


muitos interesses, nenhum compromisso





Quando a raiva explode

Quando a verdade é aviltada

Quando a dignidade é usurpada

Gritando por respeito

Consideração

Na vida sem correspondência

O paradoxo de existir sem existir

O parto sem nascimento

Eis-nos impotentes, subjugados

Na vida de muitos interesses

e nenhum compromisso.


 

segunda-feira, 30 de janeiro de 2023



                    fique esperto



Seja correto, mas fique esperto.

Até com o que é certo.

Ninguém se arrepende

de ser honesto,

é o que se dizia antigamente.

Entre tantas coisas

que caíram por terra.




 

domingo, 29 de janeiro de 2023



                     esculpindo pedras





Reveses lilases demandam neuroses.

Arquétipos retrógrados comem dobrado.

Dúvidas me deliram sangrando.

Exalo-me e fico santo.

Dir-se-ia que qualquer coisa enfastiada de todo querer

é debalde.

O coração pacificado regado a conflitos.

Tanto esforço à procura de apalpar-me. 

Não sou o que sinto.

Complexos cartesianos atravessados na garganta

cheiram a mato e sovaco.

Quimeras abraçam vastíssimos desígnios.

Lido, ledo e leso, errando é que se arrepende.

Ninguém me disse mas eu sei que partir do pressuposto

embaralha as ideias. 

Tudo meio que se baldeia para o anacoluto.

Um nimbo vale mais que qualquer pensamento profundo.

Tão claro que custo a enxergar.

Bom senso requer comedimento.

O colapso agasalha verdades interditas.

Nenhum artifício se sustenta além do tempo alcagueta.

Qualquer dia desses o suplício acaba.

Até lá o rio continuará esculpindo pedras.

Não desisto, mas também não insisto.








sexta-feira, 27 de janeiro de 2023



                                          desbunde





Desnuda, 

a vida enfim

se desbunda.


              Em fuga, a nuvem

        deixa um rastro de chuva.


Honestamente ? Há gente demais 

no mundo, para qualquer coisa dar certo.


            Nada jamais recomeça.

            Tudo continua. (Mário Quintana às avessas)


Poema perdido no caderno velho,

já nem lembro quem teria inspirado.

Poesia é estado de espírito.


               A voz da razão

               interpela o coração :

               por que tanta aflição ?

               Se o sonho já foi sonhado,

               e o jogo, jogado,

               não será melhor,

               apenas e simplesmente,

               desfrutar ?


Nada do que eu ainda quero

se compara ao que já tive.

Mas aquilo que ainda posso ter

ah, vai ser o bolo da cereja.








             








 






Postagem em destaque

                                            da calmaria ao tormento Mais cedo ou mais tarde, os dias de tormento chegam. E não há nada que s...