sexta-feira, 2 de janeiro de 2026


                    armadilhas

                 

Ai de mim, sou tão pouco para quem exige tanto. 

Aprendi a recomeçar mas não a evitar os enganos.

Perdido em armadilhas que eu mesmo crio, 

meus amores nunca foram meus.

Depois de um tempo, tudo perde a graça.

O próprio vício da beleza um dia acaba.

Só a falta do amor permanece.


Fiz de tudo por você, mas não adiantou.

A gente se gosta, se curte, mas queremos coisa diferentes.

Insisto de teimoso, querendo levar à sério 

quem só serve

para uma boa trepada.






                         aprendiz de cafajeste   


Verdade seja dita.

Mulher não sente atração por homem bonzinho 

e certinho.

Que não se impõe.

Que se deixa desrespeitar, humilhar.

Não demora a virar corno.

É o bad boy, o cafajeste, que mexe com elas.

Se for todo tatuado e funkeiro, melhor ainda.

A natureza feminina tende a preferir o que se destaca,

o abusado, 

não importa se um cafajeste sem futuro.

O bonzinho, o certinho, só serve para bancar, suprir.

É uma disputa perdida para quem é visto por elas

como chato e irritante.

Mas como toda regra tem exceção, vai de você virar

esse jogo. 

Não se rebaixe, não aceite menos do que merece.

Ou aprende a ser cafajeste. 









quinta-feira, 1 de janeiro de 2026


                             a agonia de esquecer



Não me perdoo por ter sido tão negligente.

Não te amado mais e melhor.

Me satisfazia pensar que te satisfazia.

Amando sem demonstrar.

Até você cansar.

Perdi o teu amor e de quebra, descobri

que o coração pode se enganar

tanto amando pouco

como demais.


Aprendi da pior maneira que tudo corre o risco

de se degradar, quando deixamos de amar. 

As coisas que deveriam ter sido me punem.

Recordar os dias felizes me condena a agonia de esquecer.

Negligenciado, o amor nos torna vulneráveis.

E por fim, descartáveis.





quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

 


         NÃO CELEBRO O ANO. CELEBRO A VIDA.



Não dou importância nenhuma à passagem de um ano para o outro, não porque desvalorize o tempo, mas porque o respeito demasiado para o reduzir a um ritual arbitrário, decidido por convenção, iluminado por fogo-de-artifício e anestesiado por promessas que raramente sobrevivem ao inverno. A vida não muda porque um número muda; muda porque um dia acordámos cansados de fingir, porque o corpo disse “basta”, porque uma perda nos atravessou, porque uma verdade deixou de aceitar mais adiamentos. Eu não celebro datas, mas a presença. Celebro os dias em que acordo inteiro, os dias em que não traio o que sinto, os dias em que não preciso de provar nada a ninguém, nem a mim. A vida acontece todos os dias ou não acontece nunca. Não espera pela meia-noite. Não pede contagem decrescente. Não respeita brindes nem resoluções. Há dias em que sobrevivo. Há dias em que respiro fundo. Há dias em que amo o silêncio. Há dias em que a dor passa por mim sem se instalar. E isso, para mim, já é celebração suficiente. Comemorar a vida uma vez por ano parece-me pouco. Prefiro honrá-la nos gestos pequenos, nos limites que mantenho, nas escolhas que não faço, na coragem de não repetir histórias que já não me pertencem. Não faço votos para o ano novo. Faço compromissos diários comigo. E isso é muito mais exigente. Se há algo que celebro, é estar vivo agora, sem precisar que o calendário me autorize a sentir, a mudar, a parar ou a recomeçar. A vida não começa em janeiro. A vida começa sempre que estamos verdadeiramente aqui. E isso, eu celebro todos os dias.


José Micard Teixeira

domingo, 28 de dezembro de 2025


                         antes tarde do que nunca


Já quis tantas coisas na vida.

Hoje só quero aquilo que me traz paz.

Se tiver que ficar sozinho, eu fico.

Se tiver que morrer sozinho, tudo bem.

Chega de alimentar falsas ilusões.

Sofrer por sentimentos não correspondidos.

Não insisto mais com quem não me quer. Sequer me trata bem.

Não se pode forçar ninguém a ser o que não é.

Sentir o que não sente.

A dar o que não tem.


Não me detenho mais onde não há reciprocidade.

Não me contento mais com migalhas.

Chega de sofrência, dependência emocional.

Chega de me preocupar com quem não merece.

Meu tempo de otário acabou.

Finalmente !

Antes tarde do que nunca.







sábado, 27 de dezembro de 2025

 


     MEU CICLO COM VOCÊ TERMINOU!



Não tenho mais nada para lhe oferecer, exceto mais reclamações e reprovações, fruto da exaustão emocional em que me encontro.


Não quero continuar em um relacionamento que rouba a minha paz e me causa mais angústia do que felicidade. É óbvio, a essa altura, que a ideia que alimentei sobre nossa relação que não se encaixa com a realidade. Idealizei-te, sonhei-te de um jeito que não és, simples assim.

Dei muitas chances a esta relação porque me agarrei aos bons momentos e à minha ideia de um futuro com você.


Deixo você ir e encerro esse capítulo.


Compreendo que amor não se pede e também não se deve forçar. Deixo esta relação, para me concentrar na relação mais importante do mundo. O relacionamento comigo mesmo. 





sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

                            

                        escravoceta


Você faz de tudo

Não mede esforços 

Atura até desaforo

Mas não adianta

Ela não te descarta

mas também não te assume

Ao contrário, deixa claro que não

quer compromisso

Não esconde que faz tudo por um dinheirinho

Se irrita quando você cobra, toca no assunto

E quanto mais você se rebaixa, mais ela

te destrata

Se manca, rapaz, deixa de ser escravoceta 

Mulher não ama quem não respeita.  





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