quinta-feira, 4 de junho de 2026

 

                         facas cegas



A pasmaceira da vida flui lenta e chata.

Acabando com sonhos

e planos.

Expectativas sempre frustradas.

Acontecer algo de bom é um parto !

Os dias passam enviando recados aos inimigos.

A espera pelo que nos é devido é longa.

O que desejamos sempre nos escapa.

A beleza e a felicidade não passam de um acidente

de percurso.

As crenças são pedras de amolar facas cegas.

Libertar-se das crenças inúteis é o primeiro passo

para nos libertarmos daquilo que nos mantém

reféns

dos desejos inalcançáveis.


Os dias fluem lentos e chatos.

Agora que uma parede maior que o silêncio

entre nós se interpôs,

reignado,

despeço-me de todos os sonhos

de um tempo plural e ausente,

de quem desejou tantas coisas

sem saber

quanto custa

delas

se libertar.






                         amar é...



Vamos e venhamos,

o amor é complicado,

doloroso,

assustador,

e às vezes, horrível.

Faz você duvidar de si mesmo.

Se julgar.

Fica egoísta,

obcecado,

fica estranho, diferente do que sempre foi.

Não é à toa que o amor precisa de um cúmplice.

É o que todos queremos para nós,  mas quando acontece, é como ir do céu ao inferno. 


Sempre acreditei que quando se nasce com amor,

é fácil encontrar alguém para compartilha-los. 

Mas não é bem assim.

Logo você aprende que é preciso ser forte, dar sorte,

para fazer dar certo.

Amar não é coisa para os fracos.

Porque o amor vai muito além da esperança.

Vai de desafiar a lógica, o bom senso.

Vai de acreditar que quando o amor acontece,

nada pode ser melhor. 

Lindo, maravilhoso, enquanto dura.

É assim que me lembro dele.

Enquanto espero acontecer de novo.





 

quarta-feira, 3 de junho de 2026


                          meu canto

                           



Nas asas da imaginação me busco.

Na sutileza das palavras me enrosco.

O espírito com língua bendita,

sopra os versos que meu coração dita.


Paisagens e personagens se entrelaçam,

em uma teia de lembranças que minh´alma abarca.

Inspiram ritmos que atravessam noites e alvores,

nesse meu festival de emoções e amores.


Suspiros de melancolia e saudade

permeiam cada estrofe humilde.

Em versos que fluem como um canto sem fim.

Transpondo-se para além de mim.


Minha música é a voz que me acalma.

Refúgio de uma alma cansada.

Em versos que se digladiam,

como ardentes desejos que se irradiam.


Em cada verso me exponho.

Em cada verso me entrego.

Meu canto é um arremedo de mim.

Porque só sei ser assim.






                   

                 Campo de batalha


Você me faz parecer pior do que sou.

A teu lado, o inferno parece mais acolhedor.

Fico me perguntado como pude me envolver

com alguém assim, que só pensa

e fala mal de mim.


Tudo o que eu adorava em você

hoje é uma espécie de prisão.

Faz de tudo um campo de batalha.

Talvez eu esteja pagando meus pecados.

Pois, para você, estou sempre errado.

Reage mal ao ser contrariada.

Não admite que tem problema.

Que precisa se tratar.

Amor não existe mais.

Nosso lindo filho é único motivo que me faz aguentar.

Por enquanto, porque até para ele faz mal

um lar em que não há paz.





















segunda-feira, 1 de junho de 2026



                            campo minado

(versão musicada)

                       



Se este fosse meu último canto,

gostaria que fosse repleto de alegria, beleza, 

heroísmo.

Assim como foi minha vida.

Nem sempre tendo consciência.

Nem sempre dando valor.

Hoje como antigamente, minha paz interior 

brinca de atormentar-me.

Me guiando como um farol sem luz.

Não importa. 

As cinzas de muitos fogos cobrem meus mais

diversos pecados.

Sou feliz a meu modo.

Pisando em campo minado.




 

sexta-feira, 29 de maio de 2026


                          a tarefa de ser


Viver por viver é como andar em círculos.

É preciso iludir-se para ser feliz. 

Acreditar que ama. E é correspondido.

Permitir-se dialogar com sonhos e afagar a textura

das amizades.

A tarefa de ser é desgastante.

A tarefa de crescer nunca acaba.

As expectativas sempre ficam aquém da realidade.

Tudo acontece à revelia das inocências perdidas.

Em nome das desditas cotidianas, o eterno caos

arma e vela os dias impuros.

Mentira, traição, são as únicas garantias.

Não há amor imaculado nem desejos limpos.

A consciência acusa e liberta.

Os tempos modernos desmontam antigas fachadas.

Exalam esplendor e vulgaridade.

Nos quais é preciso iludir-se

para ser feliz.





 

                          o último canto


Se este fosse meu último canto,

gostaria que fosse repleto de alegria, beleza,

heroísmo.

Mas, bem o sei, nada mais improvável.

Porque as cinzas de muitos fogos

cobrem meus mais variados pecados.

Meu metro, permeado de malogros e desatinos,

tornou-se para mim

um exaustivo escambo com a consciência.

Que me guia como um farol sem luz.

Minha paz interior brinca de atormentar-me.

Sou feliz a meu modo.

Pisando em campo minado.




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