sexta-feira, 29 de maio de 2026

 

                          o último canto


Se este fosse meu último canto,

gostaria que fosse repleto de alegria, beleza,

heroísmo.

Mas, bem o sei, nada mais improvável.

Porque as cinzas de muitos fogos

cobrem meus mais variados pecados.

No entanto, minha alma dolente dorme

em lençóis de linho.

Meu metro, permeado de malogros e desatinos,

tornou-se para mim

um exaustivo escambo com a consciência.

Que me guia como um farol sem luz.

Minha paz interior brinca de atormentar-me.

Sou feliz a meu modo.

Pisando em campo minado.




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